domingo, 2 de agosto de 2009

Vazio

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domingo, 19 de julho de 2009

Ondas - O significado de 'Sho' - The meaning of 'Sho' -

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O objetivo do combate (Kumite)

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sexta-feira, 20 de março de 2009


Karatê-Dô Kyohan “ The master text ” 1935


Uma definição do Shotokan Ortodoxo de “ O-Sensei ”

“ O texto a seguir é um resumo do original ”.

Arte Marcial japonesa, o Karatê-Dô propagou-se por todo o mundo, chegando ao Brasil através das imigrações japonesas, realizadas no começo do século passado, difundindo-se em todos os estados brasileiros e, possuindo hoje no Brasil, 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) “praticantes” aproximadamente, divididos por diferentes estilos (escolas) e organizações diversas (confederações, federações).

A escola difundida por Gichin Funakoshi “o Shotokan Ortodoxo” segue os princípios do Budô, considerado a essência, a estrutura e o alicerce de uma arte marcial e tem suas raízes mais remotas ligadas a artes marciais originárias na Índia, algumas posteriormente chegaram a China, onde se desenvolveram duas escolas, “Chuan-Fa” e “Nan-Pei-Chun”, sendo que destas chegaram à ilha de Okinawa, no Japão, e foram mescladas às lutas nativas, formando duas grandes escolas, “Shuri-Te” e “Naha-Te” .

Com relação às organizações relacionadas ao estilo Shotokan, ocorreram diversas ramificações, culminando no surgimento de múltiplas entidades regendo o mesmo estilo, infelizmente provocando e produzindo interpretações e atuações variadas com relação ao original.
O Karatê-Dô carrega consigo fortes traços da tradição oriental, comumente chamados e identificados como “filosofia”, termo relacionado aos aspectos da sabedoria, cultura e conduta existentes nas artes marciais conforme a cultura na visão ocidental.
Segundo Chaui (1994), “filosofia” difere da “sabedoria de vida ou modo de viver”, pois a filosofia deve ser entendida como análise, reflexão e busca do fundamento e do sentido da realidade em suas múltiplas formas e indagações.

Em outras palavras, “filosofia” é um modo de pensar e exprimir os pensamentos, que surgiu especificamente com os gregos e que, por razões históricas e políticas, tornou-se, depois, o modo de pensar e exprimir predominante da chamada cultura ocidental, embora tenha a filosofia dívidas inestimáveis com a sabedoria dos orientais, em particular pelas viagens que colocaram os gregos em contato com os conhecimentos produzidos por aqueles. Por outro lado, sabedoria de vida ou modo de viver tem relação com contemplação do mundo e dos seres humanos para nos conduzir a uma vida justa, sábia e feliz, ensinando-nos o domínio sobre nós mesmos, e é nesse sentido que se fala em “filosofia” no budismo, por exemplo.

Segundo Sensei Sasaki, o Karatê-Dô implica em experiência real de vida, é um tesouro, não de ‘ter’ mas para ‘ser’.
Educando e se Educando com o Budô através do Karatê:
Percebe-se assim os diversos valores que estão colocados na sua prática educativa, tais como a não fragmentação corpo – mente - mundo, a persistência, a determinação, a humildade, a sinceridade e o respeito ao outro, valores que são apreendidos e ensinados no “Caminho’ trilhado pelo Sensei ( professor) , que educa e se educa, na busca de uma compreensão mais profunda, amadurecida, do Karatê-Dô.
Sensei Sasaki reforça a idéia de aprendizado pessoal contínuo, persistente e não desligado da vida:
“eu continuo me aprimorando nesse sentido (...) continuo buscando através do Karatê esse tesouro escondido. E esse tesouro escondido, para achar tem que se esforçar (...). E esforçar corretamente é um caminho árduo (...). Fazer de qualquer jeito qualquer um faz (...), mas esforçar corretamente... ".

Sensei Inoki, comenta que “queria ficar forte, depois com o passar do tempo, treinando e recebendo orientação dos professores, comecei a entender que Karatê não é nada de ‘um contra outro’ é...‘contra mim mesmo’”.
Sensei Kazuo destaca que iniciou o Karatê como “uma forma de aprender alguma coisa relativa a defesa pessoal e, com o passar dos anos, foi se transformando numa descoberta, numa (...) possibilidade de auto-conhecimento”.

Sensei Sasaki relata: “ treinava Karatê como um instrumento para fortalecer meu espírito e encarar esse mundo de incertezas. Lapidar meu corpo, meu espírito (...). Enfim, eu treinei Karatê como instrumento para me fortalecer fisicamente e sempre na cultura japonesa, arte marcial além de ficar forte, te dá luz, iluminação, te dá clareza, é como o ‘caminho de Dô’. Seria tipo monge (...). Mas é monge através do Karatê (...) Aí comecei a mudar meu comportamento... no final, eu vou terminar como atleta ??? (...) Não!!! Eu vou seguir “Caminho” de ‘ser mestre’ e não simplesmente atleta detonador... lutador simplesmente,... eu vou trilhar o “Caminho” de mestre.”

Conclusão:
Valores como dignidade, honra, trabalho, pacifismo, formação do caráter, persistência e humildade se fazem presentes nas falas dos Senseis, os quais mantém as raízes da cultura oriental, ou seja, o Karatê como sabedoria ou modo de viver, em que o “Dô” (Caminho) se dá nas experiências cotidianas, para além do dojo, ou seja, não fragmenta a vida em si mesma da atividade.

No entanto, de acordo com Marta (2004), apesar de na atualidade muitas pessoas aderirem à prática de uma arte marcial pelo interesse na cultura oriental, outros interesses vinculam-se a tal procura, entre elas, a prática pela prática, o convívio social, entre outras, o que pode, no ocidente em geral, e mais especificamente no Brasil, conforme sua apropriação e desenvolvimento, até mesmo contrariar as raízes originais.

Nos depoimentos dos Senseis pudemos perceber que para eles, o Karatê se acha realmente nas coisas concretas da vida diária e daí decorre alguma dificuldade destes em explicarem o Karatê através das palavras.

O Zen, o Budismo e o Karatê possuem raiz de “ pensamento/sabedoria oriental “, ao contrário da filosofia ocidental vinculada a uma visão dicotômica (o corpo e a mente separados no “Ser” e ainda “este” do mundo).
No entanto, os citados modos de sabedoria oriental (inclusive anteriores a filosofia grega) têm sido colocados em segundo plano em nossa sociedade, particularmente por força da dominação instrumental-técnica do ocidente, desenvolvida principalmente com o impulso da Revolução Industrial (ocorrida a partir da segunda metade do século XVIII) e do Capitalismo.

Para Suzuki (2003) “o Zen se afasta muito mais de nós quando tentamos explicá-lo com papel e tinta, prendendo-o numa armadilha verbal e lógica” (p.67). O Zen está além do dualismo lógico-ilógico, acima da barreira verbal que tem sua validade puramente intelectual.

Conforme caracteriza Allan Watts (citado por SUZUKI, 2003), “o Zen nunca explica, somente dá sugestões...
Tentar explicá-lo é como tentar captar o vento numa caixa. No momento em que se fecha a tampa ele deixa de ser vento e se transforma em ar estagnado" (p.34).

Essas similaridades atribuídas entre o Zen e o Karatê não são feitas por acaso, pois o Karatê, assim como muitas artes marciais originadas no Extremo Oriente como o “Judô tradicional”, o Aikidô, o Kendô, dentre outras, ao remeterem-se ao Budô são entendidas desta mesma forma, e em suas origens históricas, por estarem associadas a um povo e a uma arte.

Assim, poderíamos dizer que o Zen e o Tao “influenciaram” o que hoje chamamos de Budô, porém, segundo Sasaki (1996) este possui características e objetivos próprios distintos do Zen.

Neste sentido Gichin Funakoshi, "o difusor do Karatê", declara: “ Pode-se treinar por muito, muito tempo, se porém, apenas mexer as mãos e os pés e saltar para cima e para baixo como uma marionete, você nunca chegará à essência; você fracassará em captar a quintessência do Karatê-Dô ” (p.113-114).

Enquanto manifestação do Budô, o Karatê parte do princípio de que a experiência individual é fator essencial na busca de sua compreensão, “a experiência individual é tudo no "Zen". Não há idéias inteligíveis para aqueles que não tem alicerces na experiência” (SUZUKI, 2003, p.54).
Essa prática no Karatê se faz NÃO no sentido de “saber fazer” para “saber ensinar”, muito discutido pelos profissionais em educação física (especialmente no processo de regulamentação da profissão), MAS SIM, como experiência calcada no dia-a-dia para se poder “ Sentir /

Perceber / Apreender ” o Karatê enquanto meio para se atingir o Budô.Logo, esta arte marcial oriental, nos termos da filosofia ocidental se aproxima antes da fenomenologia existencial (primado da percepção) do que do racionalismo cartesiano (primado da razão), pois:
“ o sistema da experiência não está desdobrado diante de mim como se eu fosse um deus, ele é vivido por mim de um certo ponto de vista, não sou seu espectador, sou parte dele, e é minha inerência a um ponto de vista que torna possível ao mesmo tempo a finitude de minha percepção e sua abertura ao mundo total enquanto horizonte de toda percepção ” (MERLEAU-PONTY, 1996, p.408).

Também foi possível notar nas falas dos Senseis que no dia-a-dia dos treinos eles começaram a perceber uma outra dimensão do Karatê. Embora tenham partido da idéia de um sistema de “defesa pessoal/luta” atingiram a idéia de “Caminho”, em outras palavras, como manifestação de algo mais amplo, como Budô.

Não se deve afirmar “ ser o Zen uma filosofia” na acepção comum do termo. O Zen não é decididamente um sistema fundado na lógica e na análise. É algo antípoda da lógica e do modo dualístico de pensar (...), não há, no Zen, livros sagrados ou assertivas dogmáticas, nem qualquer fórmula simbólica através da qual se obtenha um acesso a sua significação (...). Esta é a razão por que é difícil captar o Zen” (SUZUKI, 2003, p.58-59).

Em outras palavras, se formos atribuir ao Zen, assim como ao Karatê, os termos “filosofia” ou “religião”, os quais são fundamentados na racionalidade ocidental, estaríamos cometendo um equívoco, pois os primeiros ( Zen / Karatê ) , partem de princípios diferentes destes ( filosofia / religião ).

Afirma Suzuki (2003) que “a verdade e o poder do Zen consistem na sua simplicidade e caráter prático” (p.106). Em outras palavras o Zen, assim como o Karatê, se fundamenta “na experiência (...) e não através de abstrações” (p.106), pois “a menos que brote de ti mesmo, nenhum conhecimento é realmente teu. É somente uma plumagem emprestada” (p.117).

Sôhô (2000), ao argumentar sobre a prática do Zen, diz: “pode-se explicar a água, mas nem por isso a boca ficará molhada. Podem se fazer longas dissertações sobre a natureza do fogo, mas a boca não se aquecerá. (...) O alimento pode ser definido em poucas palavras, mas isso não basta para aliviar a fome” (p.33).

Portanto, o Karatê-Do ( Budô ), como sabedoria de vida ou modo de viver embora possua características e similaridades a filosofia, apresentada por Chaui (1994), enquanto análise, questionamento, indagação, reflexão sobre o conhecimento produzido e sobre o mundo, não possui seu alicerce na racionalidade ocidental, ao contrário encontra-se centrado na sabedoria oriental, no qual se privilegia a compreensão e contemplação do mundo através da experiência pessoal cotidiana.

REFERÊNCIAS
BATISTA, Robinson A. Karatê shotokan. Disponível em: <
http://www.kamae.com.br/colunistas.html> Acesso em: 26 abr. 2004.
BRASIL. Congresso Federal. Lei nº.9.696 de 1º de set. de 1998. D.O.U. nº.168 de 02/09/98. Dispõe sobre a regulamentação da profissão de educação física e cria os respectivos conselhos federal e regional de educação física.
CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1994.
FEDERAÇÃO PAULISTA DE KARATÊ. Disponível em: <
http://www.midiamix.com.br/karate/apresent.asp>. Acesso em 25 ago. 2005.
FEDERAÇÃO PAULISTA DE KARATÊ-DO TRADICIONAL. Disponível em: <
http://www.fpktradicional.com.br>. Acesso em: 25 abr. 2004.
FUNAKOSHI, Gichin. Karatê-Do: o meu modo de vida. São Paulo: Cultrix, 2002.
GONÇALVES JUNIOR, Luiz. Lazer e novas relações de trabalho em tempos de globalização: a perspectiva dos líderes das centrais sindicais do Brasil e de Portugal. 2003. Tese (Pós-Doutorado em Ciências Sociais) – Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa, Lisboa (Portugal).
GONÇALVES JUNIOR, Luiz; DRIGO Alexandre J. A já regulamentada profissão de Educação Física e as Artes Marciais. Motriz, Rio Claro, v.7, n.2, p.131-132, 2001.
MARTA, Felipe E. F. O caminho dos pés e das mãos: taekwondo, arte marcial, esporte e a colônia coreana em São Paulo (1970-2000). São Paulo, 2004. Dissertação (Mestrado em História Social) – Programa de Estudos Pós-Graduados em História, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo.
MARTINS, Joel; BICUDO, Maria A.V. A pesquisa qualitativa em psicologia: fundamentos e recursos básicos. São Paulo: Moraes/EDUC, 1989.
MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. 2ªed. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
PAIS, José M. Ganchos, tachos e biscates: jovens, trabalho e futuro. Porto: Ambar, 2001.
SASAKI, Yasuyuki. O Karatê-Do e as filosofias do budo. São Paulo: Van Moorsel Andrade e Cia, 1996.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE BUGEI. Disponível em: <
http://www.bugei.com.br/ensaios/index.asp?show=ensaio&id=124 >. Acesso em 29 ago. 2005.
SŌHŌ, Takuan. A mente liberta:escritos de um mestre zen a um mestre da espada. São Paulo: Cultrix, 2000.
SUZUKI, Daisetz T. Introduç

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

História - O fundador do Karatê-Dô ( durante e depois ).

( resumo do texto original )

Mestre Funakoshi trouxe os ingredientes necessários para estabelecer o seu aprendizado como arte, nomeando-a de Karatê-Dô em 1929.
A bem da verdade na assinatura de O´Sensei "Sho-To", já estava embutida a palavra de ordem, o conceito imaginário da sabedoria de O´Sensei. Em Sho temos o pinheiro, seu símbolo de dignidade e em To temos as ondas fortes. O Karatê-do é para ser praticando tão nobremente como o pinheiro e tão forte como as ondas que batem nas rochas.

Mestre Funakoshi vendo que não haveria tempo para passar todo o seu conhecimento à todos e desenvolver a arte no sentido por ele vislumbrado, decidiu passar para alguns, do seu círculo mais próximo, instruções e pesquisas de aprimoramento, destacando-se: Takeshi Shimoda , assistente de O´Sensei, Kichinosuke Saigo antigo aluno, Yoshitaka Funakoshi (Gigo ou Waca Sensei) seu filho, Isao Obata muito fiel e o mais antigo (clube de Karatê de Keio - 1924), Shigueru Egami, assistente e sucessor de O´Sensei.

Mestre Funakoshi desenvolveu a arte do Karatê-Dô e inseriu o Budo dentro dele. Shoto-kan se refere ao local onde o Karatê-Dô era praticado, chamado de ( Dai-nihon Karate-do Shoto-kan )em 1939. As pessoas que lá praticavam ficaram conhecidas como sendo do Shotokan. O dojo pertencia a ( Dai-nihon Karate-do Shoto-kai ). Ele estava situado ao norte da Universidade de Waseda. A sua construção foi por iniciativa dos alunos de O´Sensei que integravam a Associação Shoto-kai para angariar fundos e sua construção começou em 1936. Esta Associação também era conhecida como sendo "Fundação Funakoshi".

Existe entretanto a prática Shotokan, hoje identificada como um estilo e podemos chamá-lo de Shotokan Ortodoxo ou o Proto-Shotokai. Este é o real Shotokan e não deve ser confundido com o que foi divulgado esportivamente absolutamente modificado e não-autorizado. Os únicos “Dojo” que receberam autorização direta de Mestre Funakoshi para utilização do nome Shotokan fora do Japão, foi o do Brasil fundado por Mestre Harada e para os EUA sob a tutela de Mestre Oshima.

Até 1929 mestre Funakoshi utilizava o nome (Karate Kenkyukai) nas apresentações, e originalmente em 1930 – (Dai-nihon Karatê-do Kenkyukai). Então em 1936 modificado para (Dai-nihon Karatê-do Shoto-kai) referindo-se a Associação dos amigos de mestre Funakoshi. Todos que praticavam no Dojo Shoto-kan e mesmo antes deste, eram membros da Associação (Shoto-kai). Notar que ela foi fundada por O´Sensei em 1936 mas já existia informalmente em 1935, criada pelos seus alunos.

Existe entretanto a prática Shotokai, hoje identificada como um estilo e podemos chamá-la de Egami-Ryu ou a prática de mestre Egami . Existem algumas linhas que também utilizam o nome de Shotokai e todas se reportam em grau maior ou menor a prática de Mestre Egami ou ao Shotokan Ortodoxo. O Shotokai é todo o compêndio de desenvolvimento do Shotokan Ortodoxo devidamente autorizado por Mestre Funakoshi na pessoa de Shigeru Egami, enraizado como real escola de Karatê-Dô ou Karatê Budô, obedecendo a todas as regras que definem uma Escola de Budo – (não sendo desportivo). Não deve ser confundido com práticas ditas Shotokai esportivas, com algumas proliferações pela Europa. Tais práticas são absolutamente corruptas e sem reais expressões.
Shotokan e Shotokai expressam etapas de desenvolvimentos com características próprias em suas práticas expressando uma arte que O´Sensei chamou de Karatê-Dô.

Cerca de dois anos após mestre Funakoshi efetuar sua primeira apresentação, ele começou a receber pressões por parte dos alunos das Universidades para promover competições e assim esportivando o Karatê.

Como desenvolvedor da arte dentro do Japão, mestre Funakoshi viu que isto não era boa coisa em termos do seu profundo conhecimento do Budo e mesmo porque eram necessárias maiores implementações para trazer o Karatê ao nível que ele desejava, (Karatê- jutsu para Karatê- Dô).

Por outro lado isto era um sério risco a sobrevivência do Karatê-Dô como arte dentro do Japão e especialmente nas escolas.

Havia um maior conhecimento dos antigos japoneses acerca do Budo e no momento em que vissem o Karatê-Dô partindo para campeonatos onde os praticantes se esbofeteariam para saber quem seria o melhor e ganhando uma medalhinha, colocariam sérias barreiras para a visão do Karatê-Dô como digno de ter qualquer Budo em seu ensino. A arte de mestre Funakoshi seria reduzida a gargalhadas.

Mestre Funakoshi tinha uma visão grandiosa em termos do Karatê-Dô ( Caminho do Karatê ) e não cedeu para estabelece-lo como arte dentro do Japão, onde havia preconceitos quanto às coisas vindas de Okinawa. Tal medida beneficiou a inúmeros mestres okinawenses inclusive. Assim podemos dizer que sua visão era a correta em termos de Karatê como Budo e estratégica em termos de sua implantação.
Mas quem na realidade fazia as pressões eram os alunos (Kohai) provindos da Universidade, jovens com conhecimentos pouco aprofundados, alheios a grande tarefa que mestre Funakoshi tinha diante de si e aos inúmeros problemas que ainda tinha que resolver nas partes técnicas. Tais jovens já apresentavam um distanciamento espiritual acentuado e culminou nas palavras do mestre, “ irreconhecível estado espiritual ” já em 1956, para o qual haviam chegado.

Em anos anteriores houveram algumas competições que foram abertamente combatidas por mestre Funakoshi, ameaçando os participantes de expulsão, se continuassem. Estas práticas começaram a surgir entre os universitários e eram chamadas de (kokangeiko).
Estas situações levaram a Isao Obata, o mais antigo aluno de mestre Funakoshi, a promover a fundação da NKK ( Nihon Karatê-do Kyokai). Estabeleceu-se a fundação da NKK em maio de 1949 por O´Sensei e os antigos da Shoto-kai.

E os acontecimentos abaixo irão determinar as divisões entre Shotokai e Shotokan.

Existe a necessidade de se compreender a influência das classes e das Universidades na sociedade japonesa. O Shotokan era ensinado na Universidade de Tókio e em outras três importantíssimas: Keio, Waseda and Hosei . Elas eram importantes porque seus alunos conseguiriam as melhores posições de emprego no Japão. O mesmo não acontecia com Takushoku (Takudai – Escola para o Cultivo e Colonização), pois os alunos tinham um status bem inferior na sociedade japonesa.

Assim havia um certo nível de diferenciações preconceituosas nas atitudes dos alunos das Universidades tradicionais e os alunos de nível inferior de Takushoku, mesmo que estes fossem melhores em sua prática do Karatê, pois tinham mais tempo disponível.
Além do mais, Keio tinha acordos universitários com Cambridge e Yale e muitos alunos que dela vieram eram parte ou se tornaram parte de grupos de grande influência dentro da sociedade japonesa.

Obata Sensei unificou os antigos clubes universitários e os “dojo” particulares, debaixo de uma mesma organização e esta foi chamada de "Nihon Karate Kyokai " (Japanese Karate Association foi o nome dado após a esportivação).
Eram anos de ocupação americana e muitas visões e pedagogias estavam adentrando ao Japão e para o Karatê foram as de teorias de treino desportivo, assim podemos chamá-las, as que aguçaram a curiosidade dos alunos.

Mestre Funakoshi foi nomeado Primeiro Instrutor Chefe da NKK e Kichinosuke Saigo como o Presidente. Também foi criado um comitê e composto por: Obata, Takagi, Fukui, Noguchi, Ito e Nakayama.

Nakayama Sensei era desentende de uma família de samurais, ele foi formado pela Universidade de Takushoku e estudou gestão comercial e aprendeu as inovadoras técnicas de negócios. Seus estudos foram completados na China. Os seniores da Shotokai na época, estavam com uma sobrecarga de trabalho e permitiram que ele, mais Nishiyama Hidetaka Sensei e Kimio Itoh Sensei, fossem colocados na gestão operacional da NKK.

A vontade de Mestre Funakoshi foi levada em consideração quando se nomeou a organização, pois ele não quis incluir o nome "Shotokan". Ele sempre se referia a sua prática como sendo o “ Karatê japonês”.

Interessantemente dois nomes faltam no comitê criado, e deveriam estar inclusos a saber, Egami e Hironishi, muito bons amigos e seguidores de Yoshitaka. Na realidade eles mantinham uma relação muito estreita com os membros da NKK mas nunca foram membros por nutrirem suspeitas em relação a alguns de seus membros, obviamente devido a intenções deturpadas.

As pressões em direção a esportivação nunca cessaram e isto teve seu auge em 1956.
Bem cedo a NKK começou a ter problemas. Havia a falta de contato entre as Universidades, entre os Dojo e alguns alunos mais velhos de Takushoku criaram problemas desde o início.

Diferenças técnicas começaram a surgir e cada pequeno grupo mantinha a sua própria interpretação de Kata isoladamente, (mesmo com Obata Sensei tendo reunido os diferentes grupos em Waseda, onde cada Kata era revisado e uma execução formal estabelecida). Tudo sob a supervisão de mestre Funakoshi.
Takagi e Nakayama notaram que eles precisavam de algum tipo de escritório central. Através de alguns contatos eles alugaram um espaço no Bio-centro Katoga em Ytsuya, Tókio. Isto ocorreu em abril de 1955 onde pretendiam comercializar o Karatê esportivamente como produto de grande consumo de massas. Abriram também um Dojo numa sala do edifício do Centro de Cinema de Kataoka, em Tóquio.

Em Agosto de 1956 completaram um conjunto de regras de competição destinadas a permitir a competição desportiva de Karatê. Isto foi demais para o grupo antigo de mestre Funakoshi que estavam na direção da NKK. Afinal de contas, sendo eles os primeiros alunos e diretores da NKK, se depararam com uma condição inaceitável, começando a ver que o Karatê-Dô estava sendo deformado nas mãos de alguns membros da NKK, tomando rumos não autorizados.
A partir daí, os antigos alunos da Universidade de Hosei foram os primeiros a deixar a NKK seguidos de perto pelos de Waseda.

Obata aceitou sua substituição como diretor e de forma muito calma ele notou - assim como todos os outros - que haviam passado por alguma espécie de manipulação provinda de alguns membros de Takushoku. Ele saiu quando a NKK abriu o Dojo com intenções esportivas comerciais e por ter respeito a tradição do Karatê-Dô.
Deste momento em diante a NKK foi deixada a seu próprio governo, composta pelos membros do clube de Karatê de Takushoku. As Universidades mais prestigiadas e seus clubes cortaram relações com a NKK.

Assim se estabeleceu a divisão Shotokai e Shotokan, um momento no qual houve uma ruptura final entre o Karatê desportivo, liderado pela NKK (grupo dos jovens), com os grupos mais tradicionais (Antigos Mestres) que eram a Associação ( Dai-nihon Karate-do Shoto-kai ) dirigida por mestre Egami e Hironishi e os grupos universitários, dirigido por Obata.
Diante destas circunstâncias a Dai-nihon Karate-do Shoto-kai passa a ser NKS ou Nihon Karatê-do Shotokai (1956), fundada por Mestre Funakoshi juntamente com diversos alunos, entre eles mestre Egami, Hironishi e Noguchi e a sua formação foi uma reação de mestre Funakoshi, contra a natureza de comercialização esportiva da NKK.

A 26 de Abril de 1957 morre O-Sensei, e a família decide que a NKS ficaria encarregada de organizar o funeral. Neste momento, a NKK não comparece. Tal fato desagradou sobremaneira a família de O'Sensei.
Nota: Segue a tradução em português do que foi relatado por Hironishi Sensei em seu livro Egami: Tsui So Roku , no início da página 23. A presente tradução não é autoritativa, gentilmente cedida por Jamie Byrne Sensei, aluno de Ikeda Sensei (Superintendente da Universidade de Chuo), mas traz à luz o que sempre ficou desconhecido no mundo do Karate, mormente por alguns detalhes.
- 26 de Abril de 1957 – Showa 32
“ As bandeiras de clubes de Karatê estavam sobre o esquife de Ginchin Sensei como um sinal de respeito ” Hironishi Sensei

"" Morreu o Sr. Funakoshi Ginchin!
Tivemos uma reunião de quem iria controlar o funeral. A reunião aconteceu próxima à casa de Ginchin Sensei. A reunião era entre a JKA (Japanese Karate Association, antiga NKK ) e a Shoto-kai.
A JKA falou:"Nós não iremos ao funeral a não ser que o controlemos".
O Sr. Egami e eu ficamos profundamente chocados com isto. Giei Sensei (filho de Ginchin) disse:"Nós (A Shoto-kai) controlaremos o funeral. Meu pai tinha três posições: foi Diretor do Shoto-kan, Presidente da Shoto-kai e Conselheiro Técnico para a JKA. O Shoto-kan se perdeu devido ao incêndio, assim a Shoto-kai organizará o funeral".
Então nós (Sr. Egami e Hironishi) apenas assessoramos Giei Sensei.
O Funeral era perto da casa de Ginchin e começava às 14h00. Eu (Hironishi) era encarregado do funeral.
O Sr. Egami tentou explicar o que Giei estava pensando para a JKA (ele era como um mensageiro). O Sr. Yanagisawa (representante de Chuo) assessorou o Sr. Egami.
Naquele momento a JKA era constituída por:Universidade de Kao, Universidade de Takushoku, Universidade Hosei. Estas universidades eram as mais famosas do Japão.
A Shoto-kai era constituída por:Universidade de Chuo, Universidade de Senshu,Universidade de Gakushiku, Universidade de Tokyo Noko, Universidade de Seijo. Estas Universidades vieram a existir após a Guerra. Elas (as Universidades que constituíam a Shoto-kai) não falaram muito (na reunião?) por que não estavam entendendo a situação.
A Universidade de Waseda não pertencia a grupo nenhum. O Clube de Karatê de Waseda estava de acordo com a decisão da JKA. Eles sempre geralmente participavam de quaisquer torneios feitos pela JKA. Mas o membro do Comitê Gestor da Universidade de Waseda era Oyama (também escrito Ohama). Ele concordou com a Shoto-kai. O Sr. Oyama veio de Okinawa e era um bom amigo de Funakoshi há muitos anos. Ele era também o diretor do clube de Karatê da Universidade de Waseda. Assim, a Universidade de Waseda não pode boicotar o funeral, por que Oyama era o Diretor.Mas a Universidade de Waseda era mais achegada para o lado da JKA. Mais tarde na realidade ela se uniu a JKA. O Sr. Oyama, o Sr. Egami e eu (Hironishi) éramos todos membros da Universidade de Waseda.
Assim quem irá controlar o funeral? Então a conversa prosseguiu indefinidamente. A opinião do Sr. Egami era boa; ele enfatizava o que Giei estava pensando. Giei era o segundo Presidente da Shoto-kai.Em conclusão, a JKA não estaria presente se eles não pudessem organizar o funeral. Então tivemos um jantar de Soba e Arroz. Depois da refeição, a reunião continuou por um longo tempo.
Neste momento, pareceu impossível tentar compreender o lado das associações visto que as Universidades de Takushoku, Kao e Hosei, todas elas, tiraram as bandeiras de seus clubes de Karatê. As bandeiras de clubes de Karatê estavam sobre o esquife de Ginchin Sensei como um sinal de respeito.Disseram que o motivo era por que precisavam delas para outro lugar e era sete horas da noite. As pessoas tiveram que decidir por si mesmas se viriam ou não ao funeral. As 20h00 eu (Hironishi) estava surpreso que as pessoas não estavam pensando muito sobre vir para o funeral. Era simplesmente uma decisão apressada da parte delas.Elas estavam tomando decisões apressadas para que pudessem ir para casa. Uma coisa boa foi que elas decidiam bem claramente “sim” ou “não”, tal como deve um Karatê-ka.
Naquele dia na conferência somente um tópico foi bom para todo mundo e foi assim: A JKA tinha Ginchin como seu conselheiro técnico (ou pessoa mais importante), assim Ginchin Sensei não era somente presidente da Shoto-kai mas também conselheiro técnico da JKA (em outras palavras ele não é somente o seu chefe, ele é também o nosso chefe). Eu era o presidente do congresso assim eu não falei muito. Mas finalmente expliquei sobre a situação da JKA e a Shoto-kai. Eu resolvi as diferenças, eu (Hironishi) disse: "Não é permitido a JKA praticar o Taikyoku Kata. A JKA disse que Gigo Sensei criou este Kata, mas isto não é verdadeiro. Não foi somente Gigo mas também um grupo de Karate-ka de altas graduações que o criaram.O Sr. Kugimita (da Universidade de Takushoku) foi também um membro do grupo que o criou durante a Guerra.Ginchin publicou “Karatê-do Kyohan” durante a Guerra e o Taikyoku Kata foi incluído em seu livro. Em outras palavras foi feito por Ginchin e eu penso que é muito engraçado e muita dor de cabeça para a JKA porque não lhes é permitido praticarem este Kata".Eles deveriam permitir-se praticar o Taikyoku Kata por que Ginchin era o seu conselheiro técnico.Eu quero mencionar a esta altura, como uma opinião pessoal (não como presidente) que em Dezembro deste ano o Sr. Nakayama (chefe da JKA) me visitou e disse:"Venha para a JKA e junte-se a nós! "Sem pestanejar lhe respondi como se segue: "Vocês devem ir à família Funakoshi e se desculparem. Eu não me juntarei a JKA porque vocês não foram ao funeral de Funakoshi e por que vocês devem treinar o Taikyoku Kata o qual Ginchin criou. Se vocês fizerem estas coisas eu pensarei sobre isto depois".O Sr. Nakayama disse:"Você está certo o tempo inteiro, mas antes desta opinião você deve vir para a JKA e então negociaremos estas questões".Mais tarde o Taikyoku Kata era para ser praticado – mas eles não estão praticando agora. A JKA finalmente boicotou o funeral, eu (Hironishi) disse para Nakayama:"Você e eu somos os melhores amigos como homens técnicos do Karatê, estou certo de que você me compreende, por favor, pense sobre os seus pupilos. Pois o público pensa que eles boicotaram o funeral. Assim antes que você me peça para ir para a JKA você deve ir à família Funakoshi mesmo que você não queira, você deve lhes deve prestar uma visita de cortesia".Esta foi a última vez que eu vi Nakayama. A amizade acabou.Depois disto, a Universidade de Waseda se juntou a JKA. Antes que a Universidade de Waseda deixasse a Shoto-kai eles treinavam o Taikyoku Kata. Eles ainda o fazem. ""

Existem diferenças entre o Shotokan Ortodoxo e o Shotokan esportivo ?

Definitivamente sim. Em todos os aspectos. O Shotokan Ortodoxo é o espelho de Mestre Funakoshi. Conservou-se e era composto pelos antigos Mestres educadores das Universidades. Seu corpo de estudos é vastíssimo.

A NKK (atual JKA) foi de concepção do mais antigo aluno de Mestre Funakoshi na época, Isao Obata. Mestre Funakoshi se tornou primeiro Instrutor Chefe e Kichinosuke Saigo seu Presidente. Sua direção era Shoto-kai.

Quando Mestre Funakoshi identificou os caminhos que a NKK estava tomando em direção a esportivação, com modificações técnicas e mentais, refundou a Shoto-kai, fortemente ligada ao Budo.

Com isto, a NKK parou de receber instruções. Foi cortada a cadeia de transmissão. Esta por sua vez, aguardou a morte de O´Sensei e então iniciou as competições. Evidentemente que com o brilhantismo de competições, apareceram os "estrelismos" dos grandes campeões... Tudo ao contrário do que Mestre Funakoshi queria.

Assim como no ditado, quem é visto é lembrado, instaurou-se uma cultura de honrarias à campeões. Lamentavelmente, direcionando para a própria extinção do Budo.

Vê-se claramente que o que os antigos mestres alertaram é o que hoje se cumpre, pois a arte é implacável para quem quer andar em dois trilhos, em três trilhos, ou em trilhos que a arte não foi designada para andar. Quem tem entendimento que compreenda bem o que se fala aqui.

As diferenças entre os dois Shotokan em termos técnicos talvez residam realmente ao enfoque que é dado a determinadas execuções, às posturas "Dachi" (ex. Ko-Kutsu) são pouco mais baixas no Shotokan ortodoxo e os métodos de treinamentos. Os Kata não sofreram modificações ao longo dos tempos se conservando a forma antiga dos mesmos. O Shotokan ortodoxo é uma prática muito mais solta (não-contraída) trabalhando com equilíbrio, pés e mãos. Muita agilidade nos deslocamentos os quais são bem pronunciados. O guedan-barai como bloqueio é especialmente devastador. O corpo em si é visto com total liberdade de movimentação. Aqui no Brasil, os treinos eram bem puxados e não raras as vezes tinha hora para iniciar mas não para acabar adentrando madrugadas...

Na cidade de São Paulo a linhagem continua e devota-se a prática com regularidade. Não estão afiliados a nenhuma organização produzindo um trabalho independente com integrações familiares. Não se envolvem com práticas esportivas.

Nota: Todas as informações disponibilizadas fazem parte de um acervo de pesquisas e testemunhos coletados dentro da esfera Shotokai e outras colaborações ao longo de muitos anos. Nossas fontes são de altíssima confiabilidade. Contudo materiais históricos estão sempre sujeitos a alterações em prol de novas descobertas e informações. AKSER Brasil

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Hara ( O Centro )

(resumo do texto original)
Para o japonês o centro, a alma do indivíduo está em sua barriga. Por esta razão quando alguém no passado queria se livrar de uma grande culpa, ou demonstrar coragem, ou uma ultima demonstração de lealdade fazia o “ hara kiri” (cortar o abdomen). O “ Hara”, tem seus componentes físicos bem como os de origem emocional. O “ Rikishi”, o lutador de Sumo, que representa o protótipo somático ideal dos heróis japoneses possui as pernas grossas, os ombros caídos, e um centro massivo, similar a forma de uma pirâmide. Este modelo é copiado por todas as artes japonesas , cujos praticantes procuram mover-se a partir dos quadris, de seus “ Hara ", que representam as bases universais para seus deslocamentos e origem de suas forças. O sucesso do lutador de Sumo depende de sua capacidade em manter o corpo centrado e liderar o centro de seu oponente. De certa forma todos os caminhos marciais japoneses estão alicerçados nesta idéia, e assim todos respeitam o conceito de “ Hara ”, sendo que desta forma, o treinamento das artes marciais japonesas passa invariavelmente pelo controle, e por seu fortalecimento explorando a força dos quadris e da cintura
Especificamente o aikidoista, e o praticante de Judo, Karatê-Dô e outras artes marciais japonesas, colocam toda sua percepção de equilíbrio, controle da respiração, e da gravidade em um lugar alguns centímetros abaixo do umbigo. Este é o “centro”. No pensamento japonês o “ Hara” , é um meio de comunicação, uma forma não verbal de transmitir os sentimentos, as motivações e as intenções. Ele é o radar do artista marcial, que “ pensa” com seu " Hara ", e lá absorve as informações que chegam, e é capaz inclusive de influenciar outras pessoas com ele.
Os seres humanos são todos iguais, tirando a cor da pele e a aparência externa e assim sentimos todos as mesmas coisas. O que ocorreu no Japão foi que se observou a importância desta parte do corpo que fica em nossa barriga, muito mais do que à cabeça, como fizemos aqui no Ocidente. Deste enfoque, basicamente se pode compreender toda a evolução e da cultura do Ocidente e do Oriente. Uma esboça soluções geniais, porem localizadas, incompletas, que a longo prazo acabam trazendo distorções. A outra, parte desde o principio, de idéias integradas com o Todo e portando duradouras. No mundo moderno em que vivemos nem sempre podemos resolver tudo com o “ Hara”, temos que trabalhar com computadores, fazer contas, resolver problemas matemáticos, mas não podemos esquecer, para que possamos ser felizes e integrados, de que tudo o que fizermos deverá estar em harmonia dentro de nosso grande centro, que conduz nossos sentimentos, atitudes mentais integradas e a vitalidade de nossa vida psicológica. É basicamente isto que as Artes Marciais japonesas que possuem o sufixo “ Dô “ , como Judô (tradicional), Kendo, Kyudo, Iaido, Aikido e Karate-Do (tradicional) querem ensinar atraves de suas técnicas. (Instituto Takemussu Brazil )