quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

MEDALHAS PARA ARTES MARCIAIS??? III



“ A arte do Caminho das Mãos Vazias foi criada para o auto-aperfeiçoamento e conseqüente defesa pessoal, física, mental e espiritual; possui um caráter formativo e de amadurecimento construtivo, buscando conter o conflito sob todos os aspectos (Budô). Conforme a orientação do seu fundador mestre Gichin Funakoshi O-Sensei “ No Karatê não existe atitude ofensiva “, portanto a partir deste principio fundamental, as ações e manifestações de uma conduta favorável ao ego, predominante nas competições esportivas de todo tipo é inadmissível aqui; onde, além de gerar sentimentos de soberba, estabelece conceitos e valores distorcidos com a realidade, desvirtuando o Caminho e promovendo o conflito, considerando alguns poucos em detrimento da maioria, mas enfatizando contextos lúdicos e do agrado da mídia, porém, absolutamente nada tendo em haver com o Karatê-Dô de O-Sensei Funakoshi!



A má interpretação e a pratica equivocada de sua arte era o que mais preocupava O-Sensei Funakoshi; o fato de que viesse a ser corrompida, utilizada em "disputas vãs", despertaria nos praticantes um perigoso e nocivo sentimento de vaidade e prepotência, não contribuindo em nada nos aspectos formativos, danoso para o real objetivo do Karatê-Dô. No ano de 1940 Gichin Funakoshi O’Sensei proíbe os seus alunos de executarem Jiyu Kumite ("combate livre") por verificar o desejo de competição, pois esta prática induz a um espírito de violência, contrário à essência do Budô. Obviamente O’Sensei já sabia antecipadamente o que a simples prática comum da luta, pode causar se mau empregada, priorizada como um simples esporte.




Considerando a fraqueza humana e a sutil capacidade de vangloriar-se aleatoriamente em contenda contra outrem, mesmo sem a justa atribuição em defesa da própria vida, desperta no estudante a falsa ilusão de vitória e o perigo da influencia negativa sobre o foco verdadeiro.




Infelizmente após a sua morte em 1957, este tipo de prática iniciou e cresce a cada ano. Lamentável verificar-se no dias atuais, que a grande maioria dos “professores” atuam como simples “técnicos desportivos", sem a mínima responsabilidade na formação do caráter, muito menos na correta instrução no estudo do Karatê-Dô na vida destes estudantes, entusiasmados, iludidos com o “comum”, com o “lúdico” na sociedade moderna. Até mesmo crianças sendo instigadas a lutar contra outras crianças, em troca da "premiação material" e da "satisfação do derrotismo do seu semelhante"! "
Me pergunto: Aonde chegaremos lá adiante ? Que virtudes se verão? Que valores existirão?
KARATÊ NI SENTE NASHI 空手に先手無し

Prof. Sylvio Rechenberg

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

MEDALHAS PARA ARTES MARCIAIS??? II

" No mundo desportivo a competição é técnica, pode-se progredir através da luta entre pessoas. Mas que lugar ocupa ela na vida humana? Conceber o Karatê como Budô volta a situá-lo entre a vida e a morte. Não se trata apenas de uma competição técnica. Trata-se da maneira de se comportar e de enfrentar o adversário em situações em que a vida entra em jogo. Devemos construir a via do karate, a via da verdade, a via que nos leva aos mais altos cumes. Para tal é preciso retornar ao ponto de partida, ao ensinamento de mestre Funakoshi. Interrogar-se sobre o que o passado nos transmitiu, estudar nas outras disciplinas do Budô, procurar uma técnica superior e estabelecer o Karatê como uma arte marcial de valor, procurar, enfim, o aperfeiçoamento da via do Karatê, é esse o nosso dever face ao mestre. A nossa vocação é de fazer avançar um passo, ou mesmo um meio-passo, o trabalho que nos deixou mestre Funakoshi..."


Shigeru Egami

sábado, 28 de janeiro de 2012

MEDALHAS PARA ARTES MARCIAIS??? I

Taizen Deshimaru o grande mestre Zen dizia que atualmente muitas pessoas praticavam artes marciais na Europa, nos Estados Unidos e em todos os paises do Ocidente, e até mesmo no Japão sem realmente estarem no caminho do Budo. E o sentimento geral era que os princípios e a filosofia do Budo não tinham nada a ver com a prática das artes marciais , mas como esportes. Parece que isto continua até hoje ao se ver o entusiamo da mídia ao Brasil conseguir uma medalha de ouro no "Karatê" esportivo. Muitos praticantes de artes marciais não estão seguindo os ensinamentos de uma transformação interior para se viver de forma mais lúcida e consciente o que é a a verdadeira base do Bushido.




Será porque não querem ou porque estão mal infomados?




A resposta correta é muito importante. Para alguns as artes marciais estão sendo simplesmente usadas como diversão ou profissão e são esportes como quaisquer outros. Mas as pessoas que querem viver suas vidas em uma dimensão mais elevada precisam compreender que as artes marciais tradicionais são “Caminhos de Vida” ( DÔ ). Evidentemente que ninguém deve ser obrigado a fazer nada nem tampouco receber criticas por gostar disto ou daquilo mas desde que saiba realmente o que está fazendo e tenha noção da diferença entre uma coisa e outra. Alguns agem sem ter consciência de que são como crianças brincando com carros de brinquedo, enquanto outros dirigem carros de verdade. È bom brincar, mas confundir brincadeira com assunto sério é irresponsabilidade. Eu não tenho nada contra esportes; eles treinam o corpo e desenvolvem a energia e a resistência e o espírito de equipe e até pratiquei alguns deles. Mas o espírito de competição e a energia que cerca atualmente a prática dos esportes, isso não é uma boa coisa, pois reflete uma visão distorcida da vida. A raiz das artes marciais não está nisto.




Alguns professores de artes marciais e certas endidades que os organizam , creio, são parcialmente responsáveis por essa situação. Eles treinam o corpo e ensinam as técnicas das artes marciais, mas não fazem nada pela consciência dos praticantes. E o resultado disso é que seus alunos lutam nas artes marciais mal interpretadas focados apenas em vencer, como crianças brincando de guerra. Não existe desenvolvimento de sabedoria neste tipo de abordagem e ele é completamente inútil para a organização de suas vidas sendo que as técnicas aprendidas nos Dojos acabam não tendo nenhuma utilidade para que vivam melhor o dia a dia.




Os esportes competitivos acabam sendo apenas diversão e no final, devido ao espírito de competição, eles desgastam o corpo e prejudicam a saúde que será cobrada quando tiverem idade mais avançada. É por isso que as artes marciais tradicionais orientais , deveriam lutar para recapturar sua dimensão original de “Caminho de Vida”.




No espírito do Budo a vida diária é já naturalmente submetida a uma disputa.




Devem existir prêmios a cada momento, ao se levantar pela manhã, ao trabalhar, ao comer, ao ir para a cama ao receber nosso salário ou averiguar o resultado do balanço de nossa empresa. O nosso dia a dia, deveria ser nossa quadra, o nosso lugar de praticas, para a maestria sobre si mesmo.




A idéia de se ficar realizando campeonatos a todo tempo, acabando um e começa outra acaba gerando o que Deshimaru chamava de "Campeonite" que acaba se tornando uma doença mental. Basta ver como certas pessoas se fanatizam e concentram grande parte de suas vidas usando seu tempo para saber quem ganhou, quem perdeu, quem vai vencer, quem é o primeiro etc. Que beneficio real tem com isto. È claro salvo muitos na mídia que acabam vivendo bem se envolvendo com a “campeonite”. Evidentemente que esta atitude é uma visão estreita da vida!




Não quero dizer que uma pessoa nunca deva ser um campeão, porque não? É uma experiência como qualquer outra. Mas não se deve tornar isso uma obsessão, um fanatismo, a todo tempo e motivo para discusão e até brigas e desentendimentos. Há gente que é espancada e até morta nos estádios com certa freqüência. Arte da espada, a lança, arco e flecha, ou simplesmente a luta com os punhos elas são quase tão antigas quanto a própria humanidade, porque o ser humano sempre precisou se defender de ataques e caçar para alimentar a si e a sua tribo. Uma forma de luta sem armas foi desenvolvida inicialmente na China, na época de Bodhidharma, que depois acabaram se tornando os atuais , Aikido, Karate, Judo, Tai-chi, etc., e assim estes monges puderam se defender em qualquer ocasião e que deram aos monges a capacidade de tirarem vantagem de meios naturais de defesa, adaptados em cada caso para a energia da pessoa e eram provavelmente uma coleção de movimentos, golpes, fintas e truques, passadas de um homem para outro no curso de suas jornadas, assim como eles trocavam suas poções e receitas - plantas, massagens especiais, etc.- ou suas técnicas de meditação. Eles também compartilharam as experiências que lhes ensinaram lições, morais ou de natureza prática, relevantes para suas vidas e tudo isto foi incorporado nos ensinamentos das artes marciais tradicionais. Os monges viajantes carregaram todos os seus conhecimentos da China para o Japão, aonde, se espalhando a partir da região de Okinawa, eles tiveram um sucesso espetacular.




È preciso se ter em mente as razões reais aos se buscar uma academia de artes marciais e aqui lanço este alerta aos interessados em Budo, para evitar que acabem praticando apenas esportes como o futebol, uma dança, ou um tipo de ginástica sem o verdadeiro espírito do Budo, ou seja, da busca do conhecimento interior e harmonia com o Universo para viver melhor.




Está bem se praticar esportes, desde que quem assim o faz saiba o que está fazendo no entanto dar medalhas para artes marciais, campeonatos? Não me parece algo coerente com o propósito inicial para o qual foram criadas. Talvez fosse o caso das artes marciais que se tornaram esportes mudarem de nome e assumirem esta nova faceta. Me preocupa este destaque de medalhas para praticantes de artes marciais tradicionais, pois a população acaba sendo mal informada distorcendo a possibilidade do publico em ver nas mesmas um verdadeiro tesouro para transformar suas vidas em troca do orgulho passageiro em se sentir , “Campeão” por um tempo até que um novo campeonato acabe com este privilégio ilusório.! E assim preferem o futebol, é claro pois está mais de acordo com nossa cultura e muitas mentes deixam de ser iluminadas, e muitas personalidades reprimidas deixam de expressar sua essência por falta de correto treinamento disponível nos dojos.




Prof. Wagner Bull

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Shotokai

O nome "Shotokai" significa "associação de Shoto", sendo Shoto o pseudónimo de Gichin Funakoshi.


O Shotokai foi oficialmente formado pela família Funakoshi, para tratar dos preparativos para o funeral de Gichin Funakoshi. Era composto pelos seus alunos mais antigos, a quem ele confiou a continuidade do desenvolvimento do seu Karatê-Dô Shotokan.

Como conseqüência de disputas políticas e pessoais posteriores à morte de O’Sensei, o grupo Shotokai manteve-se unido e ensinou e desenvolveu o Karatê-Dô, tal como Gichin Funakoshi queria.

Disto resultou que o Shotokai não aderiu ao desenvolvimento da arte para o desporto ou a competição que ocorreu nas últimas décadas. Ao invés, permaneceram fiéis aos ensinamentos originais do Karatê-Dô, como fora desejo de O’Sensei.


Como membros fundadores mais importantes do Shotokai, temos Shigeru Egami, diretor técnico do Shotokan Dojo, e Genshin Hironishi, presidente do Shotokai.


Por esta altura, o Mestre Harada estava a introduzir o Karatê-Dô Shotokan no Brasil. Devido à sua ligação próxima com todos os três mestres atrás mencionados, tornou-se, naturalmente, membro do Shotokai a partir de então. Em 1965 o Mestre Harada criou a KDS para poder ensinar Karatê-Dô Shotokan ortodoxo, tal como o tinha desenvolvido, sem influências políticas ou técnicas de outros grupos.


Os métodos de treino são entusiasmastes e inovadores, e concentram-se na aprendizagem da forma, movimento, timing e distância corretos, na utilização do corpo como um todo e no desenvolvimento da condição física correta. O nosso estilo de Karatê-Dô poderá ajudá-lo(a) a descontrair-se e a ganhar uma maior consciência corporal e daquilo que o(a) rodeia. Estas idéias, quando corretamente aplicadas, permitem que pessoas de ambos os sexos e de qualquer compleição física pratiquem Karatê-Dô e retirem benefícios físicos, bem como uma grande satisfação em treinar.




O texto aqui citado foi retirado do site oficial da KDS, em http://www.karatedoshotokai.com/whatis/

domingo, 27 de novembro de 2011

A escola de O'Sensei

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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Karatê-Dô (entrevista)


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sábado, 29 de outubro de 2011

O homem da "Via" ( por O'Sensei )


Quando um homem normal passa no exame de 1° dan, perfila-se com orgulho diante
do júri e corre para dar a notícia à família.

Quando passa a 2° dan, sobe ao ponto mais alto que pode alcançar e a todos
proclama a distinção que acaba de obter.

Quando passa a 3° dan, corre para o carro e põe-se a espalhar por toda a cidade,
festejando o acontecimento...

De maneira diferente procede o homem da “Via”.

Ao 1° dan inclina a cabeça, em sinal de reconhecimento.
Ao 2° dan inclina-a ainda mais, em sinal de humildade.
Ao receber diploma de 3° dan baixa a cabeça até ao chão, confuso, e sai
discretamente, a tal ponto mede agora a distância que o separa da verdadeira perfeição.
"
Gichin Funakoshi O’Sensei


Obs.: O leitor pode ficar surpreendido por mestre Funakoshi falar apenas até ao 3° dan. Na verdade, para O’Sensei Funakoshi o 3° dan era grau muito elevado. No decorrer do tempo poucos o alcançavam.