sexta-feira, 8 de dezembro de 2023
Os alunos de O-Sensei! (Texto publicado neste blog em 2017)
terça-feira, 28 de novembro de 2023
O “caminho” nunca muda!
Na época de Azato’Sensei uma das
fortes razões para se praticar o Karatê-Dō era tornar-se capaz de defender a si
mesmo e aos seus entes queridos, a propriedade e a amada terra natal.
Naquele tempo, tudo era muito
diferente, mas o que contava de verdade, e com grande influência na maneira de
pensar e de agir daquele povo, estava relacionado diretamente com a cultura
oriunda de uma forte espiritualidade, determinando assim um modo de vida alinhado
com o “ser”, muito mais do que o “ter”.
Portanto, aprender uma arte como
o Karatê-Dō era sobre tudo dar sequência ao que já estava enraizado em suas mentes e corações, um
“caminho”, que na verdade, já se iniciava desde o berço, pois seguia pelos
mesmos princípios de formação e de auto aperfeiçoamento construtivo que as
antigas gerações daquela cultura milenar já passavam de pai para filho.
Tais como, a importância nos
aspectos morais, a virtude da disciplina, o respeito pelos mais velhos, a
fidelidade, a sinceridade, a humildade...
Assim, quando praticamos a Honorável
Arte de O-Sensei’Funakoshi precisamos compreender que, o que ali estamos
vivenciando é um tesouro repleto de sabedoria, que nos pode gerar um estado de auto
segurança, de saúde, um bem viver com uma grande paz interior através de uma
extraordinária atividade vitalícia!
Mas para isso, vai depender
exclusivamente de cada um de nós, em aceitarmos seguir por esse “caminho” de
sabedoria milenar, ou em nos deixar influenciar pelo ego mundano, que nos dias atuais,
como naquele tempo, é o que constantemente nos desafia a "lutar".
Prof.Sylvio Rechenberg
sábado, 18 de novembro de 2023
O “ser temporário” e o “ser duradouro”, qual deles é o seu?
Muitos esportistas praticam as suas modalidades
preferidas durante a vida toda, são disciplinados, e se dedicam de corpo e alma
naquilo que mais amam.
Para alguns deles, também é uma forma de viver com saúde e
bem-estar.
Muitos que praticam o “karatê” para competirem entre si,
são extremamente dedicados e muito conscientes e sérios naquilo que fazem.
São atletas como em qualquer modalidade olímpica, dedicam
seus esforços ao máximo, gastam tempo e energia, ultrapassam seus limites, e
por vezes mais tarde, alguns também pagam um preço muito alto com a saúde, para em
troca, obterem o resultado pretendido e ganhar a todo custo.
São inspirados por um sonho de um sucesso passageiro, um
momento de glória, a fantasia da vitória e o prazer de “jogar” com um único
objetivo, ganhar a tal competição!
Infelizmente uma cultura que faz as pessoas acreditarem que
competir é uma forma saudável de viver, sempre considerando o outro como um desafiante
para ser vencido, superado ou até mesmo “derrotado”, não me parece um “caminho”
que leve para um sentir-se bem consigo mesmo, e que contribua para uma correta evolução
espiritual, para a qual inevitavelmente todos nós “caminhamos” de uma forma ou
de outra.
Acredito sinceramente que ser feliz de verdade não depende
de se sobrepor aos outros!
Obter vantagens, mensurar qualidades, condições ou
capacidades, exibir aparências ou esbanjar conhecimentos, não tem e nem nunca
terá o poder sublime de um silêncio interior que inspire a um estado de paz
inabalável e assim ao auto aperfeiçoamento construtivo naquilo que verdadeiramente
importa para se viver!
Prof.Sylvio Rechenberg
quarta-feira, 8 de novembro de 2023
Você é karateka, sério?
Ser karateka não é participar de algum grupo em comum, ou de
um curso de defesa pessoal, não é sobre status, mas também não é sobre conhecer
ou saber a respeito da “arte”, muito menos “falar sem agir”, e também não é do
tempo que se acumula num Dōjo...
Estou me referindo ao que você “É” com relação ao Karatê-Dō e
NÃO aquilo que você “imagina em ser”, ou sobre a imagem que quer manter...
Quando se fala em “caminho” no Karatê-Dō, se fala sobre o
SENTIR-SE karateka, sobre a legítima razão que move a pratica, sobre PRATICAR
DE VERDADE, sobre LEVAR A PRÁTICA A SÉRIO, mas não só quando se tem tempo, ou quando
não tem nada melhor para fazer, ou quando lhe é favorável, ou quando é
conveniente praticar, ou quando o tempo está bom, ou quando existe disposição
para praticar, ou quando se quer demonstrar um interesse passageiro, pois nada
disso faz parte desse “caminho”; está longe disso!
Mas é sobre um COMPORTAMENTO SINCERO em praticar, sobre a
tua DISCIPLINA DIÁRIA, sobre uma “LUTA REAL” que você deve encarar sendo
karateka.
A luta real é aquela que te desafia todos os dias, começando
pela preguiça...
De nada adianta querer ser karateka sem uma ATITUDE EM
BUSCAR DE VERDADE esse “Ser” karateka!
APRENDA A PRENDER que o Karatê-Dō não é para quem quer, mas
para quem busca; e BUSCAR implica em SACRIFÍCIO sem escolhas, EMPENHO sem
estímulos, ENVOLVIMENTO sem interesses, RESPONSABILIDADE sem recompensa e um AMOR
incondicional!
Prof.Sylvio Rechenberg
sábado, 28 de outubro de 2023
O "caminho", o tempo e “você”.
No Karatê-Dō se você não “PRATICAR DE VERDADE”, esse tempo que ainda agora está com você, fugirá de você; e a conclusão será outra “VERDADE”; e sem mais aquele tempo que passou, que fugiu e escapou bem diante de você!
Aproveite
esse tempo que o “caminho” ainda te permite vivenciar.
E se quiseres
“PRATICAR DE VERDADE” não conte com a sorte, nem com a tua própria vontade, pois, o “caminho” nunca muda, mas quem muda é você e o tempo que agora está do teu
lado!
A "porta" é estreita!
Prof.Sylvio
Rechenberg
quarta-feira, 18 de outubro de 2023
O sucessor de O-Sensei’Gichin Funakoshi
Shigeru Egami’Sensei foi um dos
mais antigos alunos de O-Sensei’Gichin Funakoshi e um dos seus mais leais e
corretos seguidores, razão pela qual O-Sensei confiou a sua associação,
(Shotokai), a Egami’Sensei.
Egami’Sensei conheceu
Funakoshi’O-Sensei quando tinha 18 anos de idade, ele seguiu o seu professor,
O-Sensei’Funakoshi, juntamente com Yoshitaka Funakoshi’Sensei e Takeshi
Shimoda’Sensei em exibições por todo o Japão, tentando expandir o conhecimento
do Karatê-Dō como uma arte marcial japonesa.
Ele foi eleito Membro da Comissão
de Avaliação por Gichin Funakoshi’O-Sensei, o mais novo instrutor a receber
essa honra. E ensinou Karatê-Dō nas Universidades de Gakushuin, Toho e Chuo.
Após a morte de
O-Sensei’Funakoshi em 1957, Shigeru Egami’Sensei começou a sua missão, tentando
alterar a má reputação do Karatê-Dō de “arte marcial mortal”, algo que O-Sensei
tinha tentado fazer toda a sua vida!
A sua ideia era mostrar
claramente que o Karatê-Dō é “uma luta contra si próprio”, com auto sacrifício,
de modo que os aspectos didáticos e filosóficos da arte possam ser usados e
complementem todas as outras atividades da nossa vida.Uma auto realização,
acima das capacidades de combate, eliminando muitos conceitos de vitória
equivocados, substituindo-os com a procura da harmonia física e do equilíbrio
do ser humano através da prática do Karatê-Dō.
Egami’Sensei manteve-se fiel e
firme numa norma essencial do Karatê-Dō que era o de evitar todos os aspectos
de um Karatê de combate orientado para a competição desportiva.
Ele considerava que as
competições modificam muito o treino e o espírito do Karatê-Dō, e enfatizou que
isto se tornaria perfeitamente claro para cada um, quando interiorizasse que o
Karatê-Dō é muito mais do que “ganhar combates”.
Embora seja claro que a técnica da sua forma de praticar o Karatê-Dō apresenta algumas alterações, algo que foi constante e se manteve com Egami’Sensei foram os aspectos formativos e espirituais da Arte, mantendo-se ele, no “caminho” trilhado pelo seu professor O-Sensei’Funakoshi, revitalizando-os e perpetuando o “Dō”, (caminho).
Os grandes legados de Egami’Sensei são precisamente:
- A não comercialização;
- A não transformação do Karatê-Dō em competições
desportivas;
- E enfatizar os aspectos internos e filosóficos da Arte.
Texto sintetizado:
Fonte: Shotokai Encyclopedia
domingo, 8 de outubro de 2023
Parte 2 - Do livro “The Heart of Karatê-Dō” de Shigeru Egami’Sensei (1975)
Parte 2 (resumida)
Compaixão e consideração pelos outros são palavras comuns, frequentemente utilizadas, mas colocar o seu significado em prática é excepcionalmente difícil!
Antes de iniciar qualquer ação é de grande importância não só ter em conta a posição dos outros, mas também compreendê-la completamente. Na verdade, ao chegar a uma compreensão perfeita da posição dos outros, alcançamos a unidade com eles e palavras como vitória e derrota perdem o sentido. Este é o verdadeiro segredo do Karatê-Dō – coexistir com seu oponente.
E quando isso for alcançado, a compreensão de que o ser humano foi criado para
cooperar com o próximo se tornará a sua consciência. A prática nunca estará
completa até que esse estado mental seja alcançado. Começamos com o treino do
corpo e continuamos com o treino do espírito.
...A importância de treinar o corpo reside no fato de que se o corpo estiver tenso e rígido é impossível ser espiritualmente receptivo e flexível.
Uma coisa que gostaria de sublinhar neste ponto é que, ao começar a praticar, a sua abordagem ao treino deve ser caracterizada por uma atitude de aceitação, por seguir pontualmente os ensinamentos, dando sempre o seu melhor.
Nesta fase você não precisa se preocupar se seu corpo está tenso ou relaxado. O melhor é agir com naturalidade e se concentrar em como executar com a máxima eficácia a técnica de mãos ou pés que você está estudando. Desta forma perceberá que a técnica mais eficaz, tanto ofensiva como defensiva, é obtida por ser natural e flexível. O momento de tirar dúvidas e expressar sua opinião chegará mais tarde, após você ter alcançado o domínio das técnicas.
"Não existe atitude ofensiva no Karatê-Dō!”, são palavras que ouvi de O-Sensei’Funakoshi há mais de quarenta anos e, na época, tive dificuldade em entender o seu significado, pois sempre pensei que o Karatê-Dō deveria ser usado em lutas reais.
Ele ainda disse: "Você nunca deve levantar as mãos primeiro contra seu oponente. E, em qualquer caso, sua intenção não deve ser matar ou ferir seu oponente, mas apenas bloquear seu ataque. Se ele continuar, então você deve tomar uma decisão, posição que lhe deixe claro que seria melhor desistir."
Ter apenas vinte anos na época e estar cheio de energia me fez dizer a mim mesmo: O que esse velho está dizendo? Ele está me dando um sermão? Por que ele não me ensina a verdade? Achei que ele estava apenas tentando manter nós, jovens, longe de ações imprudentes, não pude aceitar suas palavras. E à medida que minha capacidade e confiança em minhas possibilidades cresciam, cheguei à conclusão de que não fazia sentido para eu aceitar aquelas palavras, afinal, não dizem sempre que "atacar primeiro é a melhor defesa”?
Só com o treino comecei a ter confiança na força dos meus braços e foi com um treino intenso que os fortaleci ainda mais à medida que fortalecia todo o meu corpo. Foi novamente graças a um treino intenso que consegui superar as inúmeras doenças de que fui vítima.
...Depois de me formar, entrei no serviço público, mas rapidamente fiquei insatisfeito e comecei a trabalhar para uma empresa privada. Ainda insatisfeito com meu trabalho, comecei meu próprio negócio. Ainda mudei de emprego várias vezes.
Embora não consiga explicar por que, a única coisa em que
fui consistente durante todos estes anos foi a minha prática de Karatê-Dō. Em
parte, devido à minha experiência com diferentes tipos de trabalho e em parte
porque fiquei mais velho e maduro, meu treinamento de Karatê-Dō mudou, tanto em
estilo quanto em conteúdo.
Foi quando eu tinha quarenta e poucos anos que um incidente
me fez perceber que o verdadeiro treinamento não era o simples aperfeiçoamento
de técnicas de luta. Começa então a busca pela compreensão dos aspectos
espirituais do Karatê-Dō.
Um dia, enquanto eu bebia vinho com um amigo, fomos cercados por uma gangue de cerca de dez valentões que claramente procuravam briga. Imediatamente olhei bem para aqueles homens que de repente se tornaram meus adversários e procurei uma abertura que me permitisse romper aquele cerco. No entanto, logo me perguntei qual poderia ser o objetivo do confronto? Ganhar ou perder, não haveria honra. Mesmo que eu tivesse vencido, teria havido um escândalo e, portanto, eu teria sido um perdedor.
Se eu fosse jovem,
definitivamente teria tomado a iniciativa de poder atacar primeiro e pegar meus
oponentes desprevenidos. Mas dessa vez mantive a calma, procurei uma solução
que pudesse permitir que todos permanecessem ilesos. E foi justamente nesse
momento que percebi que tinha conseguido sair do mundo da luta, embora ainda
estivesse convencido de que a minha força e técnica eram de um nível que me
permitiria não perder para nenhum jovem.
Pouco depois daquele acidente fui submetido a uma cirurgia para retirada de parte do estômago e, um ano depois, a outra operação semelhante. Como perdi a força de que tanto me orgulhava, não pude mais praticar Karatê-Dō. Ainda mais graves eram as dificuldades em levar uma vida normal.
Lembro-me daquele período, durante o qual caí em grande desespero, como o pior período da minha vida. Mas depois lembrei-me das outras palavras de O-Sensei’Funakoshi: "O treino do Karatê-Dō deve ser praticável para todos, dos mais velhos aos mais novos, das mulheres, das crianças e dos homens, o valor da amizade e a oportunidade de diálogos “coração para coração”, a preciosa contribuição da assistência em momentos de necessidade. Nisto reside a essência da prática do Karatê-Dō!"
Palavras que sempre ouvi, "Tudo começa e termina com o "rei"!" A palavra pode ser interpretada de várias maneiras; é o "rei" de reigi, que significa "etiqueta, cortesia, educação" e é também o "rei" de keirei que significa "saudação" ou "curvatura".
...O "rei" é de importância primordial não apenas no Karatê-Dō, mas em todas as artes marciais!
Para nossos propósitos aqui, entendemos por "rei" a reverência
tradicional em que a cortesia e o decoro são exibidos. Quem segue o “caminho”
do Karatê-Dō deve ser cortês, não só nos treinos, mas também na vida cotidiana.
Embora humilde e gentil, ele nunca deveria ser servil. A execução do kata deve
refletir ousadia e confiança!
...É verdade, como disse o O-Sensei’Funakoshi, que: "O espírito do Karatê-Dō se perderia se não houvesse cortesia!" Também é verdade
que existem poucas pessoas capazes de realizar uma reverência cerimonial
perfeita, mas aqueles que conseguem fazê-lo certamente alcançaram um certo grau
de domínio na arte. Para poder fazer isso, ele deve ser um homem de bom
caráter.
...A execução de um kata começa com uma reverência e termina com uma reverência! Não seja arrogante ou servil, do início ao fim você deve executar o kata com naturalidade e humildade!
Sem sinceridade a reverência, "rei", não
tem sentido!
Em vez de se preocupar com sua aparência, coloque seu coração
e alma em seu arco e você verá que ele adquirirá naturalmente o formato
correto.
É normal que o iniciante espere ficar o mais forte possível.
Se ele continuar a praticar com afinco para atingir esse objetivo,
eventualmente chegará a um estado de grande harmonia entre corpo e espírito.
Mas não haverá arrogância, apenas gentileza, ele pode até esquecer que é um
homem de grandes habilidades.
...Existe um ditado: "O falcão forte esconde suas garras." É assim! Eu também queria chegar a esse estado, mas só recentemente tomei consciência disso.
O-Sensei’Funakoshi era frequentemente solicitado a dar um exemplo de sua bela arte como calígrafo, e uma das expressões que ele mais usava enquanto ele escrevia era "não ir contra a natureza". Essas palavras, que têm um significado profundo, eram para ele uma máxima a ser rigorosamente observada.
...Por mais que você se oponha à natureza, você ainda não terá a menor chance de vitória. Alguns de nossos movimentos são naturais, outros não. Através da prática podemos aprender a diferença, e aprender como adquirir movimentos naturais.
Devemos compreender o poder natural que possuímos e como usá-lo; o homem tem uma imensa força interna da qual não tem consciência.
Exemplos do uso de força prodigiosa que ocorreu em tempos de perigo, como incêndios e inundações, vêm à mente. Às vezes são chamados de sobre-humanos, mas essa é a definição correta? Embora quem consegue esses esforços não tenha consciência de possuir tal poder, estou convencido de que é um dom da natureza e pode ser desenvolvido por quem treina com perseverança.
Quero fazer uma pergunta crucial: Se em vez de se opor ao movimento do seu oponente você se movesse com ele de forma natural, o que aconteceria? Perceberíamos que nos tornamos um só e que quando o adversário lança um ataque, nosso corpo o evita movendo-se de forma natural. Quando você se tornar capaz disso, descobrirá um mundo totalmente novo, que você nunca imaginou que existisse.
Quando você é um com seu oponente e se move com ele sem oposição, não existe tal coisa de atacar primeiro. O significado do “karate ni senti nashi” (não há primeiro golpe no Karatê-Dō) não pode ser totalmente compreendido até que este estado seja alcançado.
Através da cortesia você alcançará uma atitude de humildade e gratidão para com seu oponente durante o treino. Sem esta atitude não pode haver formação real. No treinamento e na prática real, a raiva, o ódio e o medo estão completamente ausentes.
É importante saber que não se deve sentir instinto assassino, nem inimizade, nem oposição, nem resistência contra o oponente.
Quando você atinge esse estado, você se torna um com seu oponente e ganha a habilidade de se mover naturalmente de acordo com o movimento dele. Este, então, é o objetivo físico e espiritual do treinamento e da prática do Karatê-Dō. Mas isso só pode ser alcançado com prática séria e extenuante.
Diz-se que quando você chega aos sessenta anos você não consegue
mais praticar ativamente. Quando ouvi estas palavras pela primeira vez, vinte
anos antes de atingir essa idade, não consegui compreender o seu significado.
Agora que atingi essa idade, acho que posso compreender o significado dessa
afirmação.
A deterioração da força física torna-se evidente e é impossível seguir o mesmo tipo de prática que os jovens. Os próprios movimentos tornam-se lentos. No entanto, pensando em quarenta anos de prática de Karatê-Dō, chego à conclusão de que, como disse meu professor O-Sensei’Gichin Funakoshi, o Karatê-Dō é uma arte marcial que todos podem praticar, jovens e velhos, mulheres e homens, todos.
Tal como acontece com o Karatê-Dō e com a vida, quero dizer que praticar Karatê-Dō é viver e viver é praticar Karatê-Dō.
Por Shigeru Egami’Sensei
(Aluno de confiança de O-Sensei’Funakoshi)
