quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

O "caminho" só existe para quem "caminha"!

O Karatê-Dō só vigora, transforma e capacita quem pratica constantemente!

Uma prática ausente, nada tem o que desenvolver, não tem como se autoaperfeiçoar sem que haja corpo, mente e espírito presentes nesse processo.

Praticar superficialmente, ou seja, só quando se tem tempo, quando existe disposição, ou para dizer que faz parte de um Dōjo, NÃO é capaz de melhorar coisa alguma!

O "caminho" do Karatê-Dō só trabalha em quem se submete a ser trabalhado!
 
A porta é estreita na disciplina e larga na conveniência!

Prof.Sylvio Rechenberg

domingo, 18 de janeiro de 2026

"TAO" (Chinês) = "Dō" (Japonês) = (CAMINHO)

Vídeo resumido:

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Palavras são palavras nada mais!?

Na publicação feita em (28-12-2025), lê-se 5 questionamentos sobre a conduta de um praticante de Karatê-Dō, aquele que realmente pratica TODOS os dias, independentemente de hora e lugar, aquele que (NÃO SÓ FALA, MAS FAZ ACONTECER!). 

Aquele que NÃO se deixa influenciar pela preguiça, pelo mau tempo, por alguma limitação física, pelo ego ferido, pela conversa dos "outros", pelo comodismo, pelo reconhecimento da sua pequenez em conformidade com tudo que deve e pode ser aperfeiçoado em si mesmo.

São questionamentos "facilmente" respondidos por qualquer pessoa, basta "ler" e responder, sem mentir nem omitir, pois falar não custa, não dói, não afeta seu dia a dia, afinal todos nós nos aceitamos como somos e só mudamos de acordo com os nossos próprios "interesses".

Portanto, infelizmente, as respostas para esses questionamentos NÃO estão na superfície, mas no oculto, onde está a nossa verdadeira e mais pura intenção que nem sempre se manifesta nas palavras e muito menos nas "ações".

Prof.Sylvio Rechenberg

domingo, 28 de dezembro de 2025

Durante esse ano de 2025:

-   Como karateka, cultivei com SINCERIDADE um caráter virtuoso?

- Como karateka, mantive-me FIRME e FIEL ao “verdadeiro” caminho da razão, sem interferência do ego?

- Como karateka, ESFORCEI-ME o melhor que pude nas minhas atitudes e ações?

- Como karateka, respeitei as normas de CONDUTA e também ao próximo?

- Como karateka, CONTIVE o meu espírito de agressão invariavelmente?

Então, Feliz Ano Novo!


Prof.Sylvio Rechenberg

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Natal 2025 D/C

Uma data de reflexão, de recolhimento, uma nova oportunidade de olharmos para dentro de nós mesmos, de silenciarmos as nossas vaidades, de sentarmos e escutarmos uma antiga lição, vinda do alto, onde a nossa capacidade não permite alcançar, onde o tempo não existe, onde tudo sempre "É" e jamais deixará de "Ser" e existir, onde reina a Glória Divina, o Alfa e o Ômega, de onde tudo é Luz, onde junto ao Pai está o seu amado filho Jesus Cristo, o nosso Salvador e Senhor! Que o Natal seja Dele e que possamos tê-lo "presente" em todas as nossas ações, realizações e principalmente em cada uma das nossas intenções!

Feliz Natal!

Prof.Sylvio Rechenberg

OSS!!!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Cuidado com a "liberdade"!

Buscar o "ideal virtuoso" é seguir por um "caminho" estreito! 

O "caminho" original, que conduz ao "ideal virtuoso", certamente um dia já foi vivenciado e ensinado como ser trilhado, desbravado, conquistado, com um caráter inquebrantável, incorruptível, inviolável, imutável! Fruto de um esforço indômito, movido por uma fé genuína tão presente e natural quanto o ar que respiramos! 

Enquanto os "atalhos" conduzem os aloprados, o "caminho" segue o "ideal virtuoso"! No Karatê-Dō, assim como na vida, quanto mais largo o "caminho" maior o "descaminho"!

Prof.Sylvio Rechenberg

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

A menina chinesa e sua inspiração transcendental:

Nesta viagem no tempo, aprenda como uma luta entre dois grous, em 1650 na província de Fujian (China), resultou na criação dos fundamentos do Kata Kanku-Dai .

Há 370 anos, em uma pequena vila no condado de Yongchun, na província de Fujian (China), as águas azuis de um lago banhavam suavemente as margens gramadas. A cena incluía dois grandes grous brancos lutando ferozmente entre si. Movendo-se agilmente com suas longas pernas, eles trocavam bicadas entre si. Completamente brancos em sua plumagem, concentrados em sua luta, ignoravam o mundo ao seu redor.

Perto dali, observando a luta atentamente, a jovem Fang Qiniang não resistiu à tentação. Como o grou é um símbolo de felicidade e eterna juventude em toda a Ásia, ela pegou um graveto do chão e decidiu apartar a briga. Os grandes pássaros brancos não desistiram da luta, mas o que era um conflito entre dois, transformou-se em uma luta envolvendo três. Eles se esquivaram dos golpes de bastão com movimentos corporais graciosos e atacaram a jovem com bicadas entre as asas abertas. Surpresa e derrotada, Fang foi forçada a abandonar a luta e meditou profundamente sobre o que havia acontecido.

Fang estava sendo treinada em artes marciais por seu pai, mestre de Chuan Fa, uma luta chinesa ocidentalizada e generalizada como Kung Fu. Seu pai, zeloso e preocupado com a segurança e a saúde mental e física da filha, a submetia a um rigoroso treinamento diário.

A jovem, cativada pelos movimentos dos grous brancos, inspirou-se neles para criar ataques e contra-ataques de combate, logo incorporados ao seu treinamento diário. Assim nasceu o estilo de Kung Fu conhecido como Grou Branco de Fujian , ou luta do Grou Branco, praticado no sudoeste da China. Seus movimentos são leves e graciosos, porém poderosos e vigorosos, criados pela jovem Fang Qiniang, e logo encantaram o povo de Fujian.

A técnica se espalhou pela China e Ásia, chegou às ilhas de Okinawa, transcendeu as brumas do tempo, existe e é praticada até hoje.

Kanga Sakugawa'Sensei


Kwang Shan Fu (Kusanku), militar, monge e embaixador em 1750.

Em 1750 a última dinastia imperial chinesa reinava há mais de cem anos. E foi o rei Qing (Qingé Tchin) que deu nome à China moderna.

Em busca de aproximação política e comercial com as ilhas de Ryukyu (Okinawa), o imperador Qing enviou para a cidade de Shuri, capital das ilhas, o militar e embaixador Kwang Shan Fu (Kusanku) natural da província de Fujian, onde estudara e aprendera a arte marcial do Grou Branco criada pela menina Fang Qiniang.

Ao chegar a Shuri como representante oficial do imperador chinês, foi recebido com grande respeito, tanto pelas autoridades quanto pela população local.

Dada a dificuldade notória dos japoneses em adaptar-se aos sons de línguas estrangeiras, o embaixador logo passou a ser chamado Kusanku, uma corruptela fonética de Kwang Shan Fu.


Shuri-te, a fusão do (Te)=(Mão) de Ryukyu com o (Fujian White Crane).

Em sua nova moradia na cidade de Shuri, Kusanku'Sensei logo estabeleceu forte relação de amizade com um dos maiores mestres de (Te) das ilhas Ryukyu, Peichin Takahara'Sensei (1683 – 1760)

Takahara'Sensei era também de casta militar, estudioso de astronomia e cartografia. Consta que ele desenhou os primeiros mapas das ilhas de Okinawa.

Naquela época, Takahara'Sensei, já com idade de 68 anos, mantinha o ensino e prática da luta marcial das ilhas, conhecida como (Te). Entre seus alunos, destacava-se um jovem de 18 anos, Kanga Sakugawa (1733 – 1815)

Reconhecendo o potencial do aluno nas artes marciais, ele o recomendou a seu amigo Kusanku'Sensei para treinamento. Assim, Sakugawa, o aluno de (Te), tornou-se discípulo de Kusanku'Sensei.

Virou uma lenda em Shuri pelas suas habilidades marciais. Ficou conhecido como Tode Sakugawa (Sakugawa Mão Chinesa). O aluno viajou com o mestre em mais de uma oportunidade para a China, onde permanecia por longos períodos de tempo, a treinar no Templo Shaolin de Fujian.

Tode Sakugawa resolveu consolidar as técnicas e práticas aprendidas ao longo de sua vida, unindo o (Te), aprendido em Okinawa, com os ensinamentos do mestre chinês Kusanku'Sensei. 

Então criou um Kata como forma de treinamento de combate, que denominou Kata Kusanku. Conseguiu assim, além de homenagear, imortalizar o nome do mestre que tanto lhe ensinou.

Nunca conseguiu formar um discípulo, apesar de uma promessa a seus mestres de que o faria. Até que, em 1812, com a idade de 79 anos, para honrar sua promessa, aceitou um aluno, filho de um amigo, adolescente encrenqueiro e problemático: o jovem Sokon Matsumura (1809 – 1899).

Gichin Funakoshi'O-Sensei


Sokon Matsumura'Sensei, fundador da escola Shorin-ryu

Destaca-se um dos rigorosos treinamentos onde o jovem Matsumura era amarrado a um tronco de árvore, de modo a não poder se esquivar ou recuar frente a um ataque. Recebia uma sequência de socos e chutes, e assim logo adquiriu perícia e fama.

Conheceu uma jovem, Yonamine Chiru, também reconhecida por suas habilidades em lutas e artes marciais. Yonamine, que vinha de uma família famosa nas ilhas pelas características guerreiras, propalava que jamais se casaria com um homem que fosse menos habilidoso que ela.

Então, Sokon Matsumura demonstrando a sua habilidade a encantou; tomou-a para o que seria o casamento da sua vida. Tornou-se o principal oficial militar a servir o rei Sho Tai, o último rei de Okinawa, antes da anexação final das ilhas ao Império Japonês em 1879.

Matsumura'Sensei manteve o ensino e assim disseminou o Kata Kusanku. O Kata é praticado até os dias de hoje, em escala mundial, como um dos principais da escola Shorin-ryu.


Gichin Funakoshi'O-Sensei  (1868 – 1957)

Yasutsune Itosu'Sensei, secretário do rei Sho Tai, e Yasutsune Asato'Sensei, conselheiro real e senhor da vila de Asato, foram os principais discípulos de Sokon Matsumura'Sensei.

Ambos foram os mestres de Gichin Funakoshi'O-Sensei. Mesmo assim, O-Sensei'Funakoshi também teve oportunidade de treinar diretamente  com Matsumura'Sensei , apesar da grande diferença de idade.  

E assim, mais tarde, O-Sensei'Funakoshi, para conseguir a aceitação e inclusão do Karatê-Dō na cultura japonesa, fez pequenas alterações da forma, sem alterar a estrutura do Kata Kusanku, e o renomeou, chamando-o Kanku-Dai.

Expressa a união do céu, da terra e do seu praticante, enfrentando inimigos imaginários atacando de todas as direções. O grande movimento circular inicial, visto por um praticante de Fujian White Crane, simboliza as asas do grou.

Era o Kata preferido de O-Sensei'Funakoshi!

Até hoje, passados 370 anos, em nossos treinamentos rotineiros de Kanku-Dai, estamos a repetir os movimentos circulares das asas do grou, e assim, tornamos perene a inspiração e a criatividade da menina chinesa Fang Qiniang.

Por Luiz Alberto Küster