domingo, 30 de julho de 2017

“Origens” (Curiosidade)

Shorinji Kempo "O Caminho do punho do templo de Shaolin" foi desenvolvido durante milênios; suas origens podem ser encontrados na Índia, em algum ponto que se perde na história ainda não escrita e muito antes mesmo de ser estabelecido especificamente no mosteiro de Shaolin na província de Henan na China, no século VI, pelo monge budista indiano Bodhidharma.
Desenvolvido como  um método de treinamento que inclui os ensinamentos de Buda, não foi criado para lutar e derrotar os outros, mas como um método para alcançar o autocontrole, o equilíbrio físico, mental e espiritual, o crescimento mútuo através da prática, melhorar a saúde, e consequentemente a autodefesa mas não apenas para se defender contra um agressor, mas e principalmente para se defender contra os desafios que a vida oferece.
O Budo não significa lutar para derrotar, ferir ou matar o inimigo, mas para “parar a luta entre as pessoas”; lhes permite trabalhar juntos e em  constante harmonia, criando uma cultura de paz!

O vídeo a seguir demonstra em parte sua prática, sua ideologia e filosofia; honrando em alta conta os ensinamentos dos tempos antigos.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Ferramenta!

Através da prática do Karatê-Dô de O-Sensei  lapida-se a mente em esvaziar-se do ego, contempla-se em plenitude o presente divino que é a vida e luta-se para mantê-la segura e em paz permanente!

Prof. Sylvio Rechenberg

terça-feira, 18 de julho de 2017

Dicotomia e “o oportunista”!

Li em algum lugar alguém afirmando e já se vangloriando que é “campeão de Karatê” de tal e qual, mas que não pratica Karatê para competir.  Que HIPOCRISIA, a típica “falsa” modéstia; e como tem disso por aí, cresce a cada dia!

A questão, o cerne do problema é justamente a participação em “campeonatos”! O fundador do Karatê-Dô proibiu terminantemente esta pratica e em 1941 determinou a expulsão daqueles que transgredissem este preceito!

http://shotokan-ortodoxo.blogspot.com.br/2015/11/a-orientacao.html )

O Karatê-Dô de O-Sensei não foi criado com tal propósito! Então, o que leva alguém a competir se não a “irresistível” tentação ao conflito? Justamente agindo na contra mão do “Caminho” do Karatê!

Dirão os entusiastas esportistas que é só para testar suas habilidades atléticas. Ok, então se for assim, vamos excluir as medalhas, os troféus, as decisões da arbitragem, o público, a mídia, excluir também a ideia da disputa, da competição por premiações, em fim, excluir tudo que envolve “o ego”!

Certamente que isso vai contra o real interesse de uma enorme maioria de pseudo-praticantes, a tal motivação se enfraquece e o ensejo deixa de ser atrativo, pois para estes, quando o “jogo” termina não existe mais o porquê lutar, agora não é mais um “show”, não existem mais derrotados nem quem ostentava vitórias, “prevalece” a prática pela prática é o ego reprimido e vencido, exatamente o verdadeiro “kumite” que O-Sensei idealizara através do “Dô” do Karatê!

O Karatê-Dô é para todos, mas nem todos são para o Karatê-Dô! O simples fato de participar de uma competição, seja de qualquer tipo, por si só já demonstra claramente qual a exata intenção por de trás disso; é óbvio e notório! Mas na Honorável Arte de O-Sensei a humildade é o princípio de tudo; e que se finda quando começa a disputa!

E não é o fato de cumprimentar o outro antes e depois de cada luta que se demonstra a humildade a qual me refiro, pois o cumprimento caracteriza sua educação, típica entre os povos orientais, mas é uma mera formalidade entre as partes! A educação se demonstra, mas a humildade é uma virtude e irá disciplinar a educação, a “humildade vem de dentro” e rejeita o conflito!

O problema está em sentir-se mais, ou melhor, que o outro, em se prevalecer em detrimento do outro, em alimentar o ego com a derrota do seu semelhante, em se satisfazer do conflito simplesmente pelo prazer e não por uma necessidade real de perigo da própria vida.

A busca no Karatê-Dô de O-Sensei Funakoshi se concentra única e tão somente em aquietar o espírito, utilizando-se do corpo como ferramenta, da mente como norteadora e do espírito como a causa inspiradora o elo entre a sabedoria e a razão verdadeira! Trabalha o auto aperfeiçoamento, se empenhando na formação de um caráter virtuoso, pacifico e justo, em conter sob toda a lei sua agressividade, sendo respeitoso não somente nas aparências, mas sentindo um profundo estado de benevolência, harmonia e paz para com seu semelhante sem jamais competir com ele, seja em quaisquer circunstancias, simplesmente por que é disso que trata o “Dô”(Caminho); em precisamente conter o conflito e buscar a “Paz”!

Mas a “humildade inrustida” pela soberba, pela prepotência, pela tentativa dissimulada de ser o que não se é, mancha, corrói e mascara o que é o maior de todos os desafios no Karatê-Dô de O-Sensei, confrontar-se a não lutar antes de mais nada!

Prof. Sylvio Rechenberg

sábado, 8 de julho de 2017

"Têmpera!"

O verdadeiro Karatê-Dô não esta fora, mas dentro de cada um de nós!
Com o tempo através da prática correta e da atitude inabalável, manifesta-se o seu poder!
Sua força não é a física, é invisível, reside no “coração”!
Não se trata da vontade, mas do espírito forjador!
É cultivado por muito poucos!

Prof. Sylvio Rechenberg


quarta-feira, 28 de junho de 2017

"Karateka" ≠ atleta!

Ser educado, respeitoso, esforçado, controlado, qualquer um em qualquer esporte pode se tornar uma pessoa melhor, pode realmente ser um cidadão honesto e bem comportado na sociedade, trabalhador e ser um bom pai de família, pode até ser um exemplo para muitas pessoas. Qualquer um pode e deve procurar melhorar seus hábitos, atitudes e explorar suas virtudes ao máximo.

Contudo, infelizmente uma das grandes fraquezas humanas é “o ego”, e quando falo em “ego”, me refiro quando este “comanda a vontade e se sobrepõem a razão”, contrariando a fundamentação das virtudes essenciais do homem, e que o faz regredir em suas ações como ser humano em detrimento dos demais, se alegrando, se vangloriando, se envaidecendo com a derrota dos outros. Logo, caracterizando aí uma contradição, uma hipocrisia enrustida em muitos “ditos esportes ou desportos de competição”, assim como lamentavelmente o “dito karate esportivo” que hoje infesta e corrompe a sua verdadeira doutrina.

Na Honorável Arte do Karatê-Dô de O-Sensei’Funakoshi temos o Dojo-Kun (lema) e o Niju-Kun (princípios) para orientar e nortear seus membros-praticantes de que forma devem agir e se comportar em todos os momentos em sua vida, bem como a forma correta que a prática deve ser conduzida, desenvolvida e considerada. Devendo assim segui-la em plena conformidade com as determinações e conforme a linha ideológica e filosófica do seu fundador.

E é aqui que se observa muito claramente que nesses dois “rígidos códigos de conduta” sabiamente elaborados e afirmados como “lei” num tradicional Dojo de Karatê-Dô, tanto no lema, nos seus cinco apontamentos aclamados antes e logo após cada sessão de treinamento, quanto nos vinte princípios fundamentais do Karatê-Dô de O-Sensei, que a formação de um membro-praticante deve ser acondicionada diretamente e objetivamente a sua forma de agir tanto dentro como fora do recinto de um Dojo.

E é ali que o “Caminho” se divide completamente! De um lado a busca pelo conflito (a competição); do outro a Paz, a contenção do conflito! Dois opostos, nos quais a grande maioria caminha de um lado para o outro, sem absolutamente nenhuma definição real, muito menos fidelidade incondicional, onde justamente deveria ser o “norte” do “Dô” do Karatê de O-Sensei!

Não se pode trilhar com lealdade, legitimidade e comprometimento irrestrito por caminhos opostos! Hora em um, hora em outro, isso demonstra uma forma de “ser e de agir” contraditória, hipócrita, um comportamento que não tem nada em haver com o “Caráter” que se professa e se espera no Dojo-kun de O-Sensei! Quem cultiva um espírito de Paz busca a Paz, jamais o conflito, sem exceções!

Outro exemplo bem oportuno é a prática do “Taikyoku Shodan”, ao mesmo tempo eu posso executar o “Taikyoku Shodan” e encara-lo como parte do meu processo de estudo ou como uma simples forma de aperfeiçoamento técnico nos meus treinos diários, ou mesmo como uma formalidade eventual.

Porem, se eu realmente compreender o seu significado e me prontificar em assumir o seu propósito, me doando inteiramente, isto é, sem questionar, sem interferência pessoal, mas simplesmente executá-lo, com sinceridade e me comprometer com o seu “ideal” e então considera-lo e senti-lo simplesmente da forma original, como a legitima “criação de O-Sensei” a cada vez que eu o reproduzo e dou vida a ele, e, portanto torná-lo único por excelência, então estarei firme nesse ”Caminho”. Onde posso sentir-me parte dele quando me encontro executando-o, não importando o lugar, nem o ritmo, nem mesmo a condição ou de qual inspiração, simplesmente o faço porque nele me sinto mais próximo do fundador e do que ele(O-Sensei) queria que atentássemos de verdade, conforme a sua doutrina de pacificação!

E que assim, vivenciássemos a sua Honorável Arte, bem menos destrutiva, mas muito mais construtiva, de reencontros e descobertas interiores e por uma profunda gratidão pela misteriosa e apaixonante razão de viver em harmonia com a gente mesmo e com os outros, e que na prática diária isso se tornasse cada vez mais e mais forte, com uma razão definitiva e determinada com um sentimento de realização interior inigualavelmente autossuficiente em todos os aspectos que regem a nossa vida!

Logo o ideal é que um “Yudansha” de Karatê-Dô de O-Sensei’Funakoshi seja um exemplo de unificação, de compreensão, de responsabilidade e comprometimento com a origem da qual se gerou a intenção de sua existência e do que motivou o seu fundador a dedicar toda a sua vida a esta tão nobre missão!

Compreender como “principio” que um “Tsuki” antes  de mais nada é uma extensão de uma sensação interior que ultrapassa a razão da matéria, esta muito além, muito mais adiante, tanto dentro como fora da alma, se funde com o passado e se volta para o presente com as mesmas emoções que um dia inspiraram os genuínos sábios dos tempos antigos à revela-lo ao mundo, justamente o que O-Sensei afirmou ter compreendido só no final de sua vida!

E assim dentro desta ótica, abraçar a doutrina e se esforçar dia após dia para honrar as palavras que estão gravadas no tumulo de O-Sensei ( “No Karatê-Dô não existe “agressão”!” ) e que lamentavelmente volta e meia são anunciadas em muitos sites, blogs, redes sociais, mas quase ninguém atenta, só comenta, mas não seguem ou cumprem em nada tal conceito, é mera bajulação da hipocrisia popular em voga na “nossa” sociedade! É o retrato do equivoco a que se transformou a interpretação da prática do Karatê-Dô de O-Sensei mundo a fora!

Um “Yudansha” é “a essência”, e como essência deve se comportar em qualquer lugar e em qualquer tempo da sua vida, deve se ater aos “princípios e aos designíos” da Honorável Arte, assim como O-Sensei queria que fosse, e que para bem poucos, mas para bem poucos mesmo ainda o é e sempre o será!

Prof. Sylvio Rechenberg

domingo, 18 de junho de 2017

Bonsai-Dô e o "Karatê-Dô de O-Sensei".

Bonsai é uma palavra japonesa que em português significa “plantando em uma bandeja”.
A sua longevidade depende do cuidado dispensado por seu “cultivador”.
O Bonsai teve sua origem na China em torno do século VIII. Onde no Japão durante esse mesmo período houve uma grande influência da cultura chinesa, com a expansão do Budismo, difundindo-se ainda mais a partir do século XIII com o Zen-budismo.
Pela sistematização da Arte do Bonsai por povos orientais, ela traz consigo conotações das filosofias religiosas praticadas há muito tempo naquelas regiões.

Assim, surge, por exemplo, o conceito "Bonsai-Dô" . Significa "Caminho" para o interior do "EU", pela Arte do Bonsai, ou seja, circunspecção através da concentração mental ao se trabalhar um Bonsai. (...) podemos dizer que "Bonsai-Dô" é uma terapia mental que praticamos através da Arte.
Durante muito tempo, a Arte do Bonsai era praticada pelos Samurais, para amenizar o lado guerreiro, feroz, do seu ofício. Hoje, no Japão, o currículo dos policiais inclui alguma prática de Jardinagem, também por esse motivo. A concentração exigida pelo trabalho consciente com um Bonsai afasta, por um tempo, suas preocupações com outros problemas, que, muitas das vezes, se resolverão naturalmente com o seu trabalho e seu cuidado, sem angústia, porém. Inúmeras vezes, ao final de uma sessão de trabalho com Bonsais, afloraram à minha mente soluções para outros problemas, geradas pelo meu subconsciente, enquanto o consciente estava ocupado.

A Arte do Bonsai, como a Arte da Marcenaria (novamente as árvores), que exigem concentração no que vai ser feito, medição repetida do que pretendemos fazer e o uso das mãos conjugadas a um planejamento cerebral, pode se constituir uma alternativa de terapia ocupacional.
Outro termo ligado à Arte do Bonsai é "Chizen ou Shizen". Significa harmonioso, natural.
As artes orientais transmitem harmonia e naturalidade. (...) Para tratarmos nossas arvoretas visando tal harmonia, temos que estar harmônicos conosco. Antes de iniciar algum trabalho de Bonsai, procure a tranquilidade, respire pausadamente e afaste outros pensamentos. Concentre-se no que vai fazer, a busca da harmonia interna é outro aspecto desta Arte Milenar.

Lembre-se que depende dos teus cuidados e do teu carinho. O respeito pela Vida, à paciência em esperar que responda aos teus cuidados, a concentração ao lidar, a busca da harmonia interna através do cultivo, trará paz interior, consigo mesmo e com seus semelhantes!


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Culturas e expectativas!

Ao comparar a Honorável Arte com qualquer outra do gênero, deve-se considerar primeiramente a real intenção daquele que a fundou, que a criou, que a fundamentou, e com qual finalidade e lógica que isto se concretizou, juntamente com a sua ideologia e a linha filosófica sustentada em função da pratica. Vale lembrar sempre que todas as artes marciais clássicas tem um histórico milenar no qual se observa a premissa de salvaguardar a vida, proteger a família, seus entes queridos e o país. Uma intenção original básica pretendida e que gerou uma alternativa de se defender dos possíveis agressores marginais e de toda a espécie de indivíduos nocivos para a sociedade.

Dito isso vale lembrar que em 1935 O-Sensei’Funakoshi propõe oficialmente a modificação do caractere chinês "To"(antigo), para o caractere "Kara" (vazio) e acrescentando o caractere “Dô”(Caminho-Via espiritual).  O Karatê deixa então de significar "a mão antiga" ou "mão chinesa" e passa a ser conhecido e desenvolvido como (Karatê-Dô) “Caminho das mãos vazias”!   Sua conotação passa a indicar uma prática muito mais abrangente e profunda com relação à contenção dos conflitos. Sua formação transcende a expectativa física e passa a valer-se de uma atuação doutrinária que visa à formação do “Ser” humano como um todo, capacitando-o não apenas no sentido mecânico corporal, mas, e principalmente centrado como diretriz norteadora o envolvimento tridimensional, o tripé, espírito, mente e corpo como unidade inseparável, indissolúvel na vivenciação da Honorável Arte, por uma busca interior conforme as “leis do universo” e que visa a grande paz consigo mesmo e com o mundo.

Num trecho do texto no livro de O-Sensei  (Karatê-Dô - O meu modo de vida - pag.31) ele escreve:
“...O kara que significa “vazio” é definitivamente o mais apropriado! Em primeiro lugar, ele simboliza o fato evidente de que essa Arte de autodefesa não usa armas, somente pés desguarnecidos e mãos vazias. Além disso, os estudantes de Karatê-Dô têm como meta não só aperfeiçoar a Arte de sua escolha, mas também esvaziar o coração e a mente de todo o desejo e vaidade terrenos. Lendo as escrituras budistas, encontramos afirmações como “Shiki-soku-zeku” e “Ku-soku-zeshiki” , que literalmente significam “matéria é vazio” e “tudo é vaidade”.”
“...Acreditando com os budistas que é a vacuidade, o “vazio” que jaz no coração de toda matéria e na verdade de “toda criação”, persisti  resolutamente no uso daquele caractere particular para indicar a arte marcial a que dediquei minha vida!”

Portanto O-Sensei’Funakoshi demonstra nestas poucas palavras o sentido real que envolve o propósito da sua Honorável Arte! O seu Karatê-Dô é definitivamente e acima de tudo um auto aperfeiçoamento doutrinário que visa à pacificação interior e a eliminação definitiva do ego pela contenção dos conflitos e assim alcançando a Grande Paz!

Logo, comparar a Honorável Arte de O-Sensei’Funakoshi com práticas competitivas é um lamentável desrespeito, uma total falta de informação sobre o assunto, ou mesmo nenhuma importância aos fatos, típico da cultura ocidental que reforça e cultua a triste dependência do “ego”! Enquanto que contrariando a tais expectativas, o Karatê-Dô real de O-Sensei’Funakoshi não busca o confronto contra outrem, nem a hegemonia do “ego”, mas sustenta uma auto conscientização e um sentimento de bem estar interior para uma vida longa, segura e pacifica. Se basta por si só na superação de conflitos, tanto externamente como internamente, busca tão somente uma constante harmonia com a natureza, com disciplina acentuada e uma legítima capacidade de confrontar-se, unicamente a si próprio invariavelmente ao longo da vida!

Prof. Sylvio Rechenberg