terça-feira, 18 de julho de 2017

Dicotomia e “o oportunista”!

Li em algum lugar alguém afirmando e já se vangloriando que é “campeão de Karatê” de tal e qual, mas que não pratica Karatê para competir.  Que HIPOCRISIA, a típica “falsa” modéstia; e como tem disso por aí, cresce a cada dia!

A questão, o cerne do problema é justamente a participação em “campeonatos”! O fundador do Karatê-Dô proibiu terminantemente esta pratica e em 1941 determinou a expulsão daqueles que transgredissem este preceito!

http://shotokan-ortodoxo.blogspot.com.br/2015/11/a-orientacao.html )

O Karatê-Dô de O-Sensei não foi criado com tal propósito! Então, o que leva alguém a competir se não a “irresistível” tentação ao conflito? Justamente agindo na contra mão do “Caminho” do Karatê!

Dirão os entusiastas esportistas que é só para testar suas habilidades atléticas. Ok, então se for assim, vamos excluir as medalhas, os troféus, as decisões da arbitragem, o público, a mídia, excluir também a ideia da disputa, da competição por premiações, em fim, excluir tudo que envolve “o ego”!

Certamente que isso vai contra o real interesse de uma enorme maioria de pseudo-praticantes, a tal motivação se enfraquece e o ensejo deixa de ser atrativo, pois para estes, quando o “jogo” termina não existe mais o porquê lutar, agora não é mais um “show”, não existem mais derrotados nem quem ostentava vitórias, “prevalece” a prática pela prática é o ego reprimido e vencido, exatamente o verdadeiro “kumite” que O-Sensei idealizara através do “Dô” do Karatê!

O Karatê-Dô é para todos, mas nem todos são para o Karatê-Dô! O simples fato de participar de uma competição, seja de qualquer tipo, por si só já demonstra claramente qual a exata intenção por de trás disso; é óbvio e notório! Mas na Honorável Arte de O-Sensei a humildade é o princípio de tudo; e que se finda quando começa a disputa!

E não é o fato de cumprimentar o outro antes e depois de cada luta que se demonstra a humildade a qual me refiro, pois o cumprimento caracteriza sua educação, típica entre os povos orientais, mas é uma mera formalidade entre as partes! A educação se demonstra, mas a humildade é uma virtude e irá disciplinar a educação, a “humildade vem de dentro” e rejeita o conflito!

O problema está em sentir-se mais, ou melhor, que o outro, em se prevalecer em detrimento do outro, em alimentar o ego com a derrota do seu semelhante, em se satisfazer do conflito simplesmente pelo prazer e não por uma necessidade real de perigo da própria vida.

A busca no Karatê-Dô de O-Sensei Funakoshi se concentra única e tão somente em aquietar o espírito, utilizando-se do corpo como ferramenta, da mente como norteadora e do espírito como a causa inspiradora o elo entre a sabedoria e a razão verdadeira! Trabalha o auto aperfeiçoamento, se empenhando na formação de um caráter virtuoso, pacifico e justo, em conter sob toda a lei sua agressividade, sendo respeitoso não somente nas aparências, mas sentindo um profundo estado de benevolência, harmonia e paz para com seu semelhante sem jamais competir com ele, seja em quaisquer circunstancias, simplesmente por que é disso que trata o “Dô”(Caminho); em precisamente conter o conflito e buscar a “Paz”!

Mas a “humildade inrustida” pela soberba, pela prepotência, pela tentativa dissimulada de ser o que não se é, mancha, corrói e mascara o que é o maior de todos os desafios no Karatê-Dô de O-Sensei, confrontar-se a não lutar antes de mais nada!

Prof. Sylvio Rechenberg

sábado, 8 de julho de 2017

"Têmpera!"

O verdadeiro Karatê-Dô não esta fora, mas dentro de cada um de nós!
Com o tempo através da prática correta e da atitude inabalável, manifesta-se o seu poder!
Sua força não é a física, é invisível, reside no “coração”!
Não se trata da vontade, mas do espírito forjador!
É cultivado por muito poucos!

Prof. Sylvio Rechenberg


quarta-feira, 28 de junho de 2017

"Karateka" ≠ atleta!

Ser educado, respeitoso, esforçado, controlado, qualquer um em qualquer esporte pode se tornar uma pessoa melhor, pode realmente ser um cidadão honesto e bem comportado na sociedade, trabalhador e ser um bom pai de família, pode até ser um exemplo para muitas pessoas. Qualquer um pode e deve procurar melhorar seus hábitos, atitudes e explorar suas virtudes ao máximo.

Contudo, infelizmente uma das grandes fraquezas humanas é “o ego”, e quando falo em “ego”, me refiro quando este “comanda a vontade e se sobrepõem a razão”, contrariando a fundamentação das virtudes essenciais do homem, e que o faz regredir em suas ações como ser humano em detrimento dos demais, se alegrando, se vangloriando, se envaidecendo com a derrota dos outros. Logo, caracterizando aí uma contradição, uma hipocrisia enrustida em muitos “ditos esportes ou desportos de competição”, assim como lamentavelmente o “dito karate esportivo” que hoje infesta e corrompe a sua verdadeira doutrina.

Na Honorável Arte do Karatê-Dô de O-Sensei’Funakoshi temos o Dojo-Kun (lema) e o Niju-Kun (princípios) para orientar e nortear seus membros-praticantes de que forma devem agir e se comportar em todos os momentos em sua vida, bem como a forma correta que a prática deve ser conduzida, desenvolvida e considerada. Devendo assim segui-la em plena conformidade com as determinações e conforme a linha ideológica e filosófica do seu fundador.

E é aqui que se observa muito claramente que nesses dois “rígidos códigos de conduta” sabiamente elaborados e afirmados como “lei” num tradicional Dojo de Karatê-Dô, tanto no lema, nos seus cinco apontamentos aclamados antes e logo após cada sessão de treinamento, quanto nos vinte princípios fundamentais do Karatê-Dô de O-Sensei, que a formação de um membro-praticante deve ser acondicionada diretamente e objetivamente a sua forma de agir tanto dentro como fora do recinto de um Dojo.

E é ali que o “Caminho” se divide completamente! De um lado a busca pelo conflito (a competição); do outro a Paz, a contenção do conflito! Dois opostos, nos quais a grande maioria caminha de um lado para o outro, sem absolutamente nenhuma definição real, muito menos fidelidade incondicional, onde justamente deveria ser o “norte” do “Dô” do Karatê de O-Sensei!

Não se pode trilhar com lealdade, legitimidade e comprometimento irrestrito por caminhos opostos! Hora em um, hora em outro, isso demonstra uma forma de “ser e de agir” contraditória, hipócrita, um comportamento que não tem nada em haver com o “Caráter” que se professa e se espera no Dojo-kun de O-Sensei! Quem cultiva um espírito de Paz busca a Paz, jamais o conflito, sem exceções!

Outro exemplo bem oportuno é a prática do “Taikyoku Shodan”, ao mesmo tempo eu posso executar o “Taikyoku Shodan” e encara-lo como parte do meu processo de estudo ou como uma simples forma de aperfeiçoamento técnico nos meus treinos diários, ou mesmo como uma formalidade eventual.

Porem, se eu realmente compreender o seu significado e me prontificar em assumir o seu propósito, me doando inteiramente, isto é, sem questionar, sem interferência pessoal, mas simplesmente executá-lo, com sinceridade e me comprometer com o seu “ideal” e então considera-lo e senti-lo simplesmente da forma original, como a legitima “criação de O-Sensei” a cada vez que eu o reproduzo e dou vida a ele, e, portanto torná-lo único por excelência, então estarei firme nesse ”Caminho”. Onde posso sentir-me parte dele quando me encontro executando-o, não importando o lugar, nem o ritmo, nem mesmo a condição ou de qual inspiração, simplesmente o faço porque nele me sinto mais próximo do fundador e do que ele(O-Sensei) queria que atentássemos de verdade, conforme a sua doutrina de pacificação!

E que assim, vivenciássemos a sua Honorável Arte, bem menos destrutiva, mas muito mais construtiva, de reencontros e descobertas interiores e por uma profunda gratidão pela misteriosa e apaixonante razão de viver em harmonia com a gente mesmo e com os outros, e que na prática diária isso se tornasse cada vez mais e mais forte, com uma razão definitiva e determinada com um sentimento de realização interior inigualavelmente autossuficiente em todos os aspectos que regem a nossa vida!

Logo o ideal é que um “Yudansha” de Karatê-Dô de O-Sensei’Funakoshi seja um exemplo de unificação, de compreensão, de responsabilidade e comprometimento com a origem da qual se gerou a intenção de sua existência e do que motivou o seu fundador a dedicar toda a sua vida a esta tão nobre missão!

Compreender como “principio” que um “Tsuki” antes  de mais nada é uma extensão de uma sensação interior que ultrapassa a razão da matéria, esta muito além, muito mais adiante, tanto dentro como fora da alma, se funde com o passado e se volta para o presente com as mesmas emoções que um dia inspiraram os genuínos sábios dos tempos antigos à revela-lo ao mundo, justamente o que O-Sensei afirmou ter compreendido só no final de sua vida!

E assim dentro desta ótica, abraçar a doutrina e se esforçar dia após dia para honrar as palavras que estão gravadas no tumulo de O-Sensei ( “No Karatê-Dô não existe “agressão”!” ) e que lamentavelmente volta e meia são anunciadas em muitos sites, blogs, redes sociais, mas quase ninguém atenta, só comenta, mas não seguem ou cumprem em nada tal conceito, é mera bajulação da hipocrisia popular em voga na “nossa” sociedade! É o retrato do equivoco a que se transformou a interpretação da prática do Karatê-Dô de O-Sensei mundo a fora!

Um “Yudansha” é “a essência”, e como essência deve se comportar em qualquer lugar e em qualquer tempo da sua vida, deve se ater aos “princípios e aos designíos” da Honorável Arte, assim como O-Sensei queria que fosse, e que para bem poucos, mas para bem poucos mesmo ainda o é e sempre o será!

Prof. Sylvio Rechenberg

domingo, 18 de junho de 2017

Bonsai-Dô e o "Karatê-Dô de O-Sensei".

Bonsai é uma palavra japonesa que em português significa “plantando em uma bandeja”.
A sua longevidade depende do cuidado dispensado por seu “cultivador”.
O Bonsai teve sua origem na China em torno do século VIII. Onde no Japão durante esse mesmo período houve uma grande influência da cultura chinesa, com a expansão do Budismo, difundindo-se ainda mais a partir do século XIII com o Zen-budismo.
Pela sistematização da Arte do Bonsai por povos orientais, ela traz consigo conotações das filosofias religiosas praticadas há muito tempo naquelas regiões.

Assim, surge, por exemplo, o conceito "Bonsai-Dô" . Significa "Caminho" para o interior do "EU", pela Arte do Bonsai, ou seja, circunspecção através da concentração mental ao se trabalhar um Bonsai. (...) podemos dizer que "Bonsai-Dô" é uma terapia mental que praticamos através da Arte.
Durante muito tempo, a Arte do Bonsai era praticada pelos Samurais, para amenizar o lado guerreiro, feroz, do seu ofício. Hoje, no Japão, o currículo dos policiais inclui alguma prática de Jardinagem, também por esse motivo. A concentração exigida pelo trabalho consciente com um Bonsai afasta, por um tempo, suas preocupações com outros problemas, que, muitas das vezes, se resolverão naturalmente com o seu trabalho e seu cuidado, sem angústia, porém. Inúmeras vezes, ao final de uma sessão de trabalho com Bonsais, afloraram à minha mente soluções para outros problemas, geradas pelo meu subconsciente, enquanto o consciente estava ocupado.

A Arte do Bonsai, como a Arte da Marcenaria (novamente as árvores), que exigem concentração no que vai ser feito, medição repetida do que pretendemos fazer e o uso das mãos conjugadas a um planejamento cerebral, pode se constituir uma alternativa de terapia ocupacional.
Outro termo ligado à Arte do Bonsai é "Chizen ou Shizen". Significa harmonioso, natural.
As artes orientais transmitem harmonia e naturalidade. (...) Para tratarmos nossas arvoretas visando tal harmonia, temos que estar harmônicos conosco. Antes de iniciar algum trabalho de Bonsai, procure a tranquilidade, respire pausadamente e afaste outros pensamentos. Concentre-se no que vai fazer, a busca da harmonia interna é outro aspecto desta Arte Milenar.

Lembre-se que depende dos teus cuidados e do teu carinho. O respeito pela Vida, à paciência em esperar que responda aos teus cuidados, a concentração ao lidar, a busca da harmonia interna através do cultivo, trará paz interior, consigo mesmo e com seus semelhantes!


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Culturas e expectativas!

Ao comparar a Honorável Arte com qualquer outra do gênero, deve-se considerar primeiramente a real intenção daquele que a fundou, que a criou, que a fundamentou, e com qual finalidade e lógica que isto se concretizou, juntamente com a sua ideologia e a linha filosófica sustentada em função da pratica. Vale lembrar sempre que todas as artes marciais clássicas tem um histórico milenar no qual se observa a premissa de salvaguardar a vida, proteger a família, seus entes queridos e o país. Uma intenção original básica pretendida e que gerou uma alternativa de se defender dos possíveis agressores marginais e de toda a espécie de indivíduos nocivos para a sociedade.

Dito isso vale lembrar que em 1935 O-Sensei’Funakoshi propõe oficialmente a modificação do caractere chinês "To"(antigo), para o caractere "Kara" (vazio) e acrescentando o caractere “Dô”(Caminho-Via espiritual).  O Karatê deixa então de significar "a mão antiga" ou "mão chinesa" e passa a ser conhecido e desenvolvido como (Karatê-Dô) “Caminho das mãos vazias”!   Sua conotação passa a indicar uma prática muito mais abrangente e profunda com relação à contenção dos conflitos. Sua formação transcende a expectativa física e passa a valer-se de uma atuação doutrinária que visa à formação do “Ser” humano como um todo, capacitando-o não apenas no sentido mecânico corporal, mas, e principalmente centrado como diretriz norteadora o envolvimento tridimensional, o tripé, espírito, mente e corpo como unidade inseparável, indissolúvel na vivenciação da Honorável Arte, por uma busca interior conforme as “leis do universo” e que visa a grande paz consigo mesmo e com o mundo.

Num trecho do texto no livro de O-Sensei  (Karatê-Dô - O meu modo de vida - pag.31) ele escreve:
“...O kara que significa “vazio” é definitivamente o mais apropriado! Em primeiro lugar, ele simboliza o fato evidente de que essa Arte de autodefesa não usa armas, somente pés desguarnecidos e mãos vazias. Além disso, os estudantes de Karatê-Dô têm como meta não só aperfeiçoar a Arte de sua escolha, mas também esvaziar o coração e a mente de todo o desejo e vaidade terrenos. Lendo as escrituras budistas, encontramos afirmações como “Shiki-soku-zeku” e “Ku-soku-zeshiki” , que literalmente significam “matéria é vazio” e “tudo é vaidade”.”
“...Acreditando com os budistas que é a vacuidade, o “vazio” que jaz no coração de toda matéria e na verdade de “toda criação”, persisti  resolutamente no uso daquele caractere particular para indicar a arte marcial a que dediquei minha vida!”

Portanto O-Sensei’Funakoshi demonstra nestas poucas palavras o sentido real que envolve o propósito da sua Honorável Arte! O seu Karatê-Dô é definitivamente e acima de tudo um auto aperfeiçoamento doutrinário que visa à pacificação interior e a eliminação definitiva do ego pela contenção dos conflitos e assim alcançando a Grande Paz!

Logo, comparar a Honorável Arte de O-Sensei’Funakoshi com práticas competitivas é um lamentável desrespeito, uma total falta de informação sobre o assunto, ou mesmo nenhuma importância aos fatos, típico da cultura ocidental que reforça e cultua a triste dependência do “ego”! Enquanto que contrariando a tais expectativas, o Karatê-Dô real de O-Sensei’Funakoshi não busca o confronto contra outrem, nem a hegemonia do “ego”, mas sustenta uma auto conscientização e um sentimento de bem estar interior para uma vida longa, segura e pacifica. Se basta por si só na superação de conflitos, tanto externamente como internamente, busca tão somente uma constante harmonia com a natureza, com disciplina acentuada e uma legítima capacidade de confrontar-se, unicamente a si próprio invariavelmente ao longo da vida!

Prof. Sylvio Rechenberg 


domingo, 28 de maio de 2017

Os alunos de O-Sensei!

Genshin ‘Motonobu’ Hironishi’Sensei, Isao Obata’Sensei, Shigeru Egami’Sensei, Tsutomu Ohshima’Sensei e Mitsusuke Harada’Sensei, foram alunos diretos de O-Sensei'Funakoshi. Masatoshi Nakayama’Sensei, Hidetaka Nishiyama’Sensei e Hirokazu Kanazawa’Sensei, também foram alunos de O-Sensei durante algum tempo em suas vidas. Portanto todos conheceram muito bem como era e como deveria ser ensinado e praticado o Karatê-Dô de O’Sensei de acordo e conforme a sua doutrina. Do mesmo modo que todos também estavam a par dos problemas que O’Sensei enfrentara para a sua correta transmissão e a devida compreensão do seu verdadeiro legado principalmente nos anos 40 em diante. Todos admitem a dificuldade política e a complexidade de aceitação de sua ideologia e do seu sistema doutrinário para a devida formação de seus alunos, em especial aos mais jovens, já naquele tempo, imaginem hoje em dia. Bem como do movimento paralelo, mesmo que a contragosto e sem autorização de O-Sensei, para os tais confrontos competitivos.

Para compreender isso melhor, dois períodos devem ser assim considerados, um antes e o outro após a segunda grande guerra mundial, juntamente com o pensamento de um homem entusiasta,  idealizador, formador e educador de pessoas, bem como do estado de espírito que se encontrava o Japão antes e depois da guerra. Tudo isso influenciou profundamente alguns acontecimentos que sucederam na história da Honorável Arte de O-Sensei’Funakoshi. Contudo, mesmo diante das grandes tribulações que aquele povo vivenciara tão intensamente, seu caráter, sua ética, seus princípios, sua dignidade e o amor incondicional pelo ser humano sempre será o mesmo, não importa a época e nem os fatos da história, pois suas virtudes são eternas! É a raiz da sua cultura, fundamentada na espiritualidade, na dignidade e na benevolência universal, tão importante e tão sagrada como a própria vida!

O que destaco aqui em alguns textos escolhidos a dedo por mim, não são as conquistas, nem os méritos de alguns dos Sensei’s de renome mundial, pois isso grande parte das pessoas já tem conhecimento, contudo, o que poucos sabem, ou talvez deixassem de atentar, é que todos que conviveram com O-Sensei’Funakoshi reconhecem unanimes que o desejo de O-Sensei, nunca, jamais foi torná-lo competitivo em qualquer aspecto ou condição! E que a ideia de expô-lo ao mundo como atualmente se observa e se propaga pela mídia sensacionalista e pelos aproveitadores inescrupulosos, pelos pseudo-professores e hipócritas de “campanha”, é totalmente diferente dos desígnios que a Honorável Arte sustenta e mantém intocável até hoje, para as futuras gerações de karatekas, mas que por ventura e se com muita "sorte" buscarem e compreenderem devidamente a “lição”!

Prof. Sylvio Rechenberg

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Shigeru Egami'Sensei

Resumos e compilação:

“...Em 1935 os alunos de O-Sensei’Funakoshi estabeleceram uma associação com a missão de ajudar seu professor, nomeada de Shotokai (Shoto = pseudônimo de Gichin Funakoshi’O-Sensei, Kai = associação). Depois da morte de O-Sensei, a presidência da Shotokai é assumida por Genshin Hironishi’Sensei, e Shigeru Egami’Sensei se torna o Instrutor Chefe, tudo isto é feito com a plena autorização da família Funakoshi.”

Texto acima na integra:

“...A prática, eu digo sempre, é pensar, imaginar e expressar os ensinamentos de nossos anciãos.
“...A verdadeira prática não está em fazer exercícios no Dojo. No Extremo Oriente (incluindo o Japão), há um ditado: "Soku Ze-Dojo", que significa "onde quer que se esteja e em qualquer momento, cada momento é de um ano e cada lugar é um Dojo".”
“...Quanto aos detalhes da técnica, é completamente normal que não seja perfeita ainda, mas a técnica pode melhorar com o tempo e bons conselhos; este não é um problema fundamental. A chave é o espírito, a atitude!”
“...A mais de meio século atrás, o "Karatê" de O-Sensei’Funakoshi passou de "Karatê-Jutsu", para o "Karatê-Dô", “...Pense e volte naquele tempo novamente e reflita sobre as palavras do nosso mestre: ”Não existe competição no Karatê-Dô!.”
“...Para alcançar a verdade absoluta, precisamos caminhar juntos para formar um mundo acima da “luta”(conflito), com uma prática sincera e ardente que irá abrir o “Caminho” do Karatê-Dô não como uma arma de morte, mas como uma arma de vida.”

Shigeru Egami’Sensei

Texto acima na integra:

“A situação é tal agora, que a maioria daqueles que praticam Karatê em diferentes países treinam  Karatê por causa das suas técnicas de combate, e temos de admitir que a propensão a se envolver em uma briga não é menos comum em humanos do que em animais. É extremamente duvidoso que os “entusiastas” tenham descoberto a real compreensão do que consiste o Karatê-Dô.
Devemos também destacar a influência negativa do cinema e da televisão sobre a imagem pública do Karatê...
“Ao descrever o misterioso Karatê como uma forma de combate que pode matar ou ferir com um golpe ou chute e assim instigando ao instinto de luta do homem, os meios de comunicação têm o Karatê como uma “pseudo arte” ignorando o que ela realmente é.”.
Gichin Funakoshi’O-Sensei era um defensor dos aspectos espirituais do Karatê-Dô e insistiu muito mais sobre eles do que sobre técnicas de luta. Além disso, ele sempre praticava o que ensinava. Se ele estivesse vivo hoje e visse o que aconteceu com o Karatê-Dô, o que ele pensaria?
“Aqueles que são seguidores rigorosos do Karatê ortodoxo como uma arte de defesa, devem fazer de tudo ao seu alcance para garantir que o Karatê possa ser praticado na direção certa e que o seu lado espiritual seja compreendido em toda a sua dimensão.”
“...No Karatê-Dô, não existem homens fortes ou fracos. A essência desta arte é uma cooperação mútua. Este é o propósito do Karatê-Dô!

Shigeru Egami'Sensei

Texto acima na integra:
http://www.mushinkai.net/pages/french/HistoireDuKarateFrenchSite/ShigeruEgami03French.htm

Dois antigos textos chineses foram descritos com a ideia de que a mente pode ser purificada pela disciplina física. Estes dois textos, segundo a tradição, eram parte do ensino de Bodhidharma no Templo Shaolin...”
“Nós proporcionamos através da prática, as soluções para estas preocupações: a energia vital desta geração está se deteriorando, relações endurecendo e se tornando difíceis. Em nossos pensamentos, em nossas conversas abordamos as mesmas perguntas: "o que é a vida..etc.?". Olhando através de todo o meu “Ser” (corpo e mente), para entender a relação entre um ser humano e outro ser humano, entre um ser humano e a natureza; concentro a minha prática nesta direção, neste sentido, esse é o meu desejo!”
“É natural que o homem busque se tornar forte fisicamente e espiritualmente, é também natural que o homem pode tornar-se forte treinando sozinho, mas, na nossa prática não devemos ser obstinados somente nesse objetivo. Por sua natureza, o homem não pode viver sozinho, assim, ele deve desejar a paz para si e para os outros. Ser capaz de cuidar dos outros, pensar e agir com os outros como se fosse para si próprio, formar um ser humano neste sentido: esta é a prática!
Mantendo os olhos sobre o elemento fundamental da existência, forja-se uma visão da vida e do homem compreendendo a sua origem. Desejo que a nossa maneira de praticar nos leve nessa direção.
“Os dias que nós vivenciamos, e aqueles que vamos vivenciar se fundem no momento presente. Em cada momento somos a centelha de nossas vidas!”
“Que este seja o nosso “Caminho!”.”

Shigeru Egami'Sensei

Texto acima na integra:

A prática é o conhecimento de si mesmo através de um relacionamento com o outro, é um autoconhecimento real, mas também um instrumento de desenvolvimento do conhecimento do seu potencial, uma maneira de enriquecer a sua existência. Eu acredito que a vida no Karatê é verdadeiramente excepcional.
Seu conteúdo inesgotável é profundo e misterioso e cada um de nós tem a tarefa de desvendá-lo e agarrá-lo. Nunca parar, excluir o desleixo. Como se costuma dizer:  "Você nunca deve perder a mente de principiante". Eu gostaria que você encontra-se na prática o comprometimento de uma vida em sempre confrontar-se com seriedade, paixão, humildade, honestidade e paciência.”

Shigeru Egami'Sensei

Texto acima na integra:
http://www.mushinkai.net/pages/french/HistoireDuKarateFrenchSite/ShigeruEgami05French.htm

A “prática”, em outras palavras, é a vida. A vida, em outras palavras, é a “prática”.”
A prática consiste em conhecer realmente as dificuldades inerentes na experiência da vida como ela é vivida por cada um de nós.
A prática é a oposição mais extrema entre nós e os outros, é dependente de um soco ou chute como ponto de partida de uma luta arriscada, a concentração de todas as energias para o limite da resistência física. E em testar os limites da capacidade do nosso oponente,  é o desenvolvimento de um grau quase incalculável de habilidades e em aprender ao mesmo tempo que existem limites!
“O que devemos fazer para superar essas limitações”?
Precisamos limpar o nosso ego, ter um profundo conhecimento da existência do nosso verdadeiro “Eu”!
Devemos tornar-nos um com o universo, um com as outras entidades independentes.
Devemos saber que não devemos olhar para justificativas e argumentos, mas agir completamente com o corpo e a mente.
Devemos sacrificar nosso ego!
Temos de perceber que a vida é eterna (inextinguível!
Devemos amar os outros!
Temos de aprender todas essas coisas através do corpo e da mente. Essa é a prática!

Shigeru Egami'Sensei

Texto acima na integra:

Shigeru Egami'Sensei e Genshin Hironishi'Sensei