sexta-feira, 20 de maio de 2016

Gichin Funakoshi'O-Sensei (1956)

"Estudar Karatê-Dô não é competir com os outros!"

Conceito formador:

Fico imaginando como seria a reação de O’Sensei Funakoshi ao ser indagado sobre competir com os outros, seria simplesmente uma afronta supor que sua Honorável Arte tenha sido criada por ele para esta finalidade tão tola. No entanto, mesmo sem sua devida autorização e consentimento, o enfoque pela competição é o que se seguiu logo após a sua morte em 1957. É muito triste constatar que a atual popularidade do “Karatê” se deve a sua equivocada divulgação e distorcida transmissão, orientando e incentivando praticamente exclusivamente ao “esporte” com objetivos lúdicos com títulos, medalhas e troféus. Constatando uma absoluta e lastimável “involução” ao seu nobre e legítimo propósito! Infelizmente o mundo moderno caminha nesta direção, estimulando e gerando mais e mais conflitos motivados pela ânsia de “poder” em detrimento dos demais, seja em que nível for. Mas o fato é que o Karatê-Dô de O’Sensei Funakoshi tem sua fundamentada raiz delineada para a superação e a contenção de conflitos, para o auto aperfeiçoamento construtivo e para a obtenção de hábitos salutares que visem a pacificação e assim a calmaria, o equilíbrio e a harmonia entre mente, corpo e espírito. A origem de todas as Artes Marciais se reporta a necessidade básica da sobrevivência humana na solução de conflitos onde a vida e morte estão em questão e não para beneficiar ao ego. Nos dias atuais da vida moderna os conflitos são outros, talvez bem mais articulados, invisíveis, mas atuantes e presentes ao nosso redor. É preciso atentar para as astucias, as armadilhas e artimanhas da vida moderna que por si só atormentam e influenciam a todos nós, então de maneira genial e com incrível sabedoria o Karatê-Dô de O’Sensei supre de maneira excepcional a nossa realidade presente e aponta em direção ao supremo exercício da pacificação de si mesmo para assim compreender que estudar a “Honorável Arte” não é competir com os outros, mas através da pratica verdadeira conter também este conflito!

Prof. Sylvio Rechenberg             

domingo, 8 de maio de 2016

“Essência imutável”!

Seria muito mais simples e agradável escrever textos atraentes, com palavras suavemente desenhadas para induzir o leitor a ter uma visão otimista sobre a realidade atual do “Karatê” e assim acordando ao descontrolado modismo da “competição” presente no dia a dia nestes tempos de “conflitos” da “vida moderna”. Conflitos causados principalmente pela falta de importância e desatenção aos aspectos morais na formação da conduta das pessoas e da insignificância e o quase esquecimento que se concede a história, aos seus antepassados e a sua consagrada sabedoria. Infelizmente é o que se constata de forma crescente e desenfreada em nosso meio. Discordo veementemente das facilitações de atitude que se constata quanto à responsabilidade e da crescente obstinação pela vantagem sobre os demais simplesmente para a própria satisfação do “ego” mundano, característica incansavelmente condenada pelas “artes marciais” tradicionais. Como professor a mais de trinta anos, optei pelo que foi “concretizado”, estabelecido em lei proferida e firmada ainda em vida aos seus discípulos pelo próprio fundador do Karatê-Dô, de cuja longa linhagem me estabeleci e constitui disciplina e, sobretudo a ética, valores fundamentais para a preservação da sua essência imutável e reta. Lamentavelmente a realidade atual nos mostra a conturbada e total miscelânea de organizações cujo papel principal é incentivar e apoiar a competição e a insignificante disputa entre pessoas em nome de um “esporte” que em verdade deveria se chamar de qualquer outra coisa, menos de “Karatê”, justamente pela completa discordância de atuação quanto ao real objetivo, bem como no que diz respeito à prática correta e do que é orientado por aí, contrariando aos ensinamentos de O’Sensei Funakoshi seu fundador. Como em tudo na vida, conforme o tempo passa se aprende muito sobre algo e também se aprende muito “sobre alguns” em especial sobre o caráter, tal fato faz com que a grandiosidade da obra se torne cada vez mais necessária e imperativa. Pouco importa se o populismo é mascarado pelo ego inflamado dos verdes anos de muitos aloprados de carteirinha, porem a causa maior da verdadeira finalidade do “Caminhar da Honorável Arte” esta na certeza do seu conceito derradeiro e na consequente constatação da consciência tranquila em fazer o que deve ser feito, sem questionar, sem bajular, sem corromper e sem jamais parar de lutar honrando ao “Caminho”!

Prof. Sylvio Rechenberg       

segunda-feira, 2 de maio de 2016

"Estudar Karatê-Dô não é exibir-se ostentando capacidades!"

Conceito formador:

No caso de um praticante de Karatê-Dô gabar-se pelos seus feitos, gostar de se exibir, e querer passar uma certa impressão de falsa “superioridade” aos demais, demonstra um sentimento de soberba, arrogância, ostentação, seja dentro ou fora do Dojo, seja em qualquer lugar e ocasião, não importa onde nem porque, e nem de que forma isso acontece, mas o fato é, que é absolutamente desrespeitoso e revela uma ação de indisciplina pois viola o princípio da humildade e da contenção de conflitos. Em seu livro “Meu modo de vida” de O-Sensei’Funakoshi, está repleto de exemplos de como um praticante de Karatê-Dô deve se comportar e como deve agir no seu dia a dia, portanto querer se exibir, se vangloriar, se esnobar seja de que forma for, está na contra mão da correta evolução do “Caminho” na Honorável Arte de O-Sensei’Funakoshi!  Esse comportamento é típico da baixa estima, típico da má formação de conduta e da falta de responsabilidade e comprometimento com a Arte! É um comportamento de quem ainda não compreendeu nada sobre o Karatê-Dô de O’Sensei Funakoshi! Nada justifica a prepotência! Vale lembrar que o objetivo primordial é conter o espírito de agressão e amansar o conflito interior, esforçando-se para manter um caráter virtuoso, sendo fiel ao verdadeiro caminho da razão, respeitando aos outros e observando a si mesmo, abstendo-se de qualquer espírito de agressão e violência! Logo, estudar Karatê-Dô não é exibir-se ostentando capacidades, mas tornar-se humilde, sereno, pacífico, em paz consigo mesmo, e com o mundo ao redor!


Prof. Sylvio Rechenberg

terça-feira, 26 de abril de 2016

Vigília de Shoto ( 26-04-2016 )

Estamos no quinquagésimo nono ano do desaparecimento de Gichin Funakoshi’O-Sensei desta terra, ele dedicou quase oito décadas da vida a sua Honorável Arte acreditando na capacidade de transformar pessoas rompendo as barreiras do ego. Refletir sobre seu legado reporta ao fato de manter-se fiel ao “Caminho” verdadeiro e agir de acordo com os princípios que o regem conforme era o desejo de O’Sensei!

Prof. Sylvio Rechenberg

domingo, 10 de abril de 2016

A "vulgarização"!

Muita gente mal informada confunde a pratica do Karatê-Dô vulgarmente com luta, enquanto que luta se resume a um conflito pessoal onde à ideia neste caso é resolvê-lo com mera violência, exatamente o que Gichin Funakoshi’O-Sensei  não queria que acontecesse. Sua Honorável Arte jamais se pode comparar a um tipo de marginalização popular. Ao contrário do que se rotula o “Caminho das Mãos Vazias” o “Karatê-Dô” expressa à libertação de qualquer tipo de amarra pessoal, principalmente no que tange ao conflito entre pessoas, estuda para transpor a barreira do ego, se “esforça” não para sobrepujar ao semelhante, mas para com ele vivenciar a harmonia, aperfeiçoar as virtudes e fortalecer a Paz dignificando seus princípios continuamente!

Prof. Sylvio Rechenberg 

sábado, 2 de abril de 2016

"Estudar Karatê-Dô não é satisfazer a vaidade!"

Conceito formador:

Tudo é vaidade quando o ego se manifesta! Logo, o que esperar quando o que voga é a  ” fachada de estima”, a “vitrine” bem mais do que o “produto”? Infelizmente esta é a realidade, a banalização e a inversão dos valores nestes tempos ditos “modernos”! E na Honorável Arte não é diferente, percebe-se claramente quando o interesse pela “estudo” é pelo ganho de faixas, pelos elogios, por “estímulos e recompensas”. Levando a uma prática equivocada e de ocasião. Então lamentavelmente muitos quando chegam à faixa preta não querem mais se submeter aos treinos exaustivos, repetitivos, penosos e que exigem capacitação e “vivenciamento” real daquilo que supostamente aprenderam e deveriam saber e praticar. Incomodam-se com correções, com chamadas de atenção e com as observações mais básicas. Visivelmente relutantes com a disciplina e com a hierarquia; e o que é pior, com a humildade. E isso está relacionado diretamente com o a formação do caráter de cada um. Porem muitos recebem suas “classificações” para incentivo, por puro comercio ou por uma politicagem de conveniência. Pouquíssimos permanecem fiéis, devotados na busca correta e atuantes nos princípios fundamentais da Honorável Arte. Raríssimos são aqueles que se submetem “à lição” e seguem à risca os ensinamentos a eles atribuídos e confiados. Mas o que se vê por aí é uma completa distorção de méritos, onde se utilizam recursos para agradar e satisfazer a vaidade. Enquanto que a verdadeira prática, embasada e sustentada por princípios fundamentados e determinados pelo próprio fundador do Karatê-Dô, são completamente ignorados e esquecidos. Onde nos tempos antigos era isso que pesava contra, ou pesava a favor na formação, era de “ilibado valor”; onde a moral e os bons costumes atuavam relevantes no dia a dia das pessoas, atitudes medidas por valores dos quais a faculdade do bom caráter ditava os méritos e a lei! Tais moldes constituíram as Artes Marciais no antigo Oriente e junto a elas suas normas de conduta, a hierarquia, a humildade e a rigorosa disciplina como fontes de sabedoria e na incessante busca em apaziguar o espírito e alcançar a “quietude” interior, tão necessária no passado distante como nos dias atuais. Portanto ao se deparar com esse vastíssimo conhecimento que fundamenta a construção de um karateka nos seus três aspectos de formação, compreende-se claramente que estudar o Karatê-Dô de O’Sensei Funakoshi não é de modo algum satisfazer a vaidade fantasiando algum “poder” sobre os demais!


Prof. Sylvio Rechenberg