sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
domingo, 29 de novembro de 2015
Estudar Karatê-Dô não é confrontar, mas confrontar-se!
Porque existem pessoas querendo
lutar contra outras pessoas?
Lutar sem legitima razão,
simplesmente para derrotar o outro?
Derrotar por quê? Porque uma vida
se coloca perante outra, visando “conflito” por puro prazer?
Esporte provocando e alienando discórdia?
Que benefícios reais justificam tal ato? Em troca de medalhas, troféus, títulos
ou tolices do gênero? Nada provam além de um jogo que exclui!
Que exemplo formativo se obtém
aos leigos aspirantes ao “caos”?
E aos jovens que se espelham na
pura violência conforme o modismo das massas manipuladas pela mídia tendenciosa
e completamente mal informada, apoiando a decadência mascarada de “arte
marcial”?
Milhões se dedicam a salvar,
educar, valorizar, ou simplesmente cuidar, enquanto outros tantos em destruir
ao invés de edificar!
O corpo é um bem "precioso" emprestado para um espírito!
Uma obra prima, divina, composto
por um universo perfeito, singular, insubstituível, inigualável.
Milhões fazem desta “propriedade”
passageira, uma ferramenta construtiva.
Enquanto ferramenta, alguns mantêm
vigiada sua consciência, pois se do corpo a virtude se ocupar, será duradoura a
recompensa.
Mas se a fraqueza do ego for mais
forte que a virtuosa sabedoria, então de nada valerá qualquer tipo de esforço, pois
tudo é vaidade.
Enquanto criança, mantem inocente
a consciência, que logo se corrompe pelos modismos, culturas e os equívocos
humanos de toda sorte.
Pela baixa estima, muitos ocupam
seu corpo com coisas do ego e até se transformam por ele, causando sequelas
irreversíveis, irreparáveis para si e às vezes aos outros.
A verdadeira razão de lutar não
esta na disputa primitiva por uma condição na satisfação do ego, mas para que a
vida se manifeste por inteiro, com dignidade e harmonia, sem absolutamente nada
mais além de uma agradável sensação de paz, que por sua vez somente a
consciência pura consegue decifrar. Sem precisar competir ou comparar!
Tal estado não tem discórdia, nem
inveja, nem temor, nem falsidade, não tem rancor, nem maldade, nem cobiça, nem
ao menos ilusão, mas tem tudo que somente um “coração” é capaz de sentir, a autentica
gratidão sem segundas intenções ou interesses!
Gratidão por compreender que
somos todos iguais e preciosos perante “Deus” e que cada um de nós, como um
todo, tem a responsabilidade de atentar e lutar incansavelmente pela
transformação construtiva do “Ser” humano ao invés de mergulhar na irracionalidade
nociva do ego mundano, tipicamente exposta num clima de confronto de ocasião,
como numa competição de Karatê!
Quando O’Sensei Gichin Funakoshi
acrescentou a palavra “Dô” “Caminho”, a sua Honorável Arte passaria a
transformar valores, princípios e costumes enraizados profundamente no passado
da história, e desta maneira beneficiar milhões de pessoas em todo o mundo, que
se valham ainda hoje dessa ”Via”.
E foi com um coração bondoso e
repleto de responsabilidade pelo futuro das novas gerações é que idealizou e
fundou sua obra nos moldes de um caráter pacifico, mas disciplinado e inspirado
expressamente na retidão de conduta, o caráter!
Em meio às fraquezas do homem em
pleno terceiro milênio, ainda prevalece à vontade de ser mais e melhor do que o
semelhante em confrontos físicos diretos, ainda existe a necessidade de ferir
de alguma forma para satisfação da primitiva condição de poder, onde existe um
vencedor, um perdedor e “aloprados” colaboradores!
Um lamentável retrocesso nas
Artes Marciais do Oriente!
Os antigos mestres fundadores das
escolas no passado de tudo fizeram ao contribuir para apaziguar o instinto de
agressividade e a tendência natural ao caos e o conflito entre as pessoas,
através de métodos e sistemas sabiamente elaborados e criteriosamente
desenvolvidos para serem utilizados como ferramentas virtuosas na promoção da
Paz e da harmonia em sociedade, a favor do homem e em conformidade com a
natureza divina. Jamais por intermédio de qualquer tipo de competição ou entretenimento,
muito pelo contrário!
Como pode o equilíbrio do Oriente
ser tão barbaramente contaminado pelo
Ocidente? Como pode o Ocidente ter tanta necessidade de se autodestruir ao
invés de construir? Com toda certeza não se trata de Oriente e Ocidente, mas
unicamente de "pessoas" que ali se encontram de posse das circunstancias
apropriadas, para então se valerem das oportunidades de se popularizar e
enriquecerem as custas de um legado cultural e histórico! Coisa que naquele
tempo, em 1940 e novamente em 1941, O’Sensei Funakoshi já visionava e sabiamente orientava sobre o
fato, proibindo todo e qualquer ato que assim se caracterizava!
Prof. Sylvio Rechenberg
domingo, 22 de novembro de 2015
A "Orientação"!
O aspecto fundamental mais
importante no que tange o sentido da auto-formação, da consciência espírito
corporal e transcedentalidade, exatamente fatores que O’Sensei Gichin Funakoshi
se preocupou tanto em expor como prioridades básicas para a correta transmissão,
ficaram de lado para a maioria das subsequentes gerações principalmente logo
após e a partir da sua morte em 1957.
O’Sensei Gichin Funakoshi PROIBIU seus alunos de executarem o
Jiyu Kumite (combate livre) em 1940, pois percebia já naquela época a real intenção que estava
por se seguir do desejo de competição para muitos de seus alunos. Em 1941
ratificou esta proibição, até mesmo para dizer a seus alunos que se eles
participassem de campeonatos seriam expulsos do Dojo. Funakoshi’O-Sensei entendia que “a competição”, induz a um
espírito de violência, contrário à essência do Budo e portanto prejudicial na
formação correta do individuo!
Então em 1956 quando O’Sensei terminou
o prefácio da segunda edição do seu mais famoso livro, “Karatê-Dô Kyohan”, entristecido,
escreveu sobre "o quase irreconhecível estado espiritual a que chegou o
mundo do karatê", e fez um apelo para quem possa "compreender os seus
anseios profundos (...) de forma a completar os objetivos do
trabalho", ou seja, a correta
formação integral do “Ser” pelo “Caminho” do Karatê verdadeiro. Assim, neste
mesmo ano, Isao Obata’Sensei, Genshin Hironishi’Sensei, Hiroshi Noguchi’Sensei,
Shigeru Egami’Sensei, e outros homens de
confiança de O’Sensei Gichin Funakoshi, advindos da "linha
tradicional", abandonam a Japan Karatê Association - JKA, apoiados pelo
próprio fundador, formalizando assim a Nihon Karatê-Dô Shotokai.
http://www.cao.nossacultura.org/crono/hist_bio_ka_funakoshi.htm
Obviamente que o que interessa na prática para uma cultura ocidentalizada e contaminada pelo capitalismo formal e a crescente febre pela competição e o aferimento compulsivo entre os indivíduos é a imediata recompensa nos diversos sentidos e seus benefícios afins, considerados como inspiração.
http://www.cao.nossacultura.org/crono/hist_bio_ka_funakoshi.htm
Obviamente que o que interessa na prática para uma cultura ocidentalizada e contaminada pelo capitalismo formal e a crescente febre pela competição e o aferimento compulsivo entre os indivíduos é a imediata recompensa nos diversos sentidos e seus benefícios afins, considerados como inspiração.
Outra característica interessante
é constatar que mesmo sabendo estarem contra as reais recomendações, orientações
e os pensamentos de O’Sensei Gichin Funakoshi com relação a pratica do
Karatê-Dô, agem como fieis seguidores praticantes, mas assumidos como atletas
competitivos.
Infeliz realidade dos nossos dias!
De nada adianta orientar ao
Dojo-kun e fazer reverencia ao seu fundador, se seus princípios e suas
recomendações e determinações feitas ainda em vida já não são mais seguidas e
muito menos atendidas, principalmente com relação a “competição” e suas óbvias
e nocivas consequências inevitavelmente apreciadas na pratica, justamente atitudes
contrarias na devida formação integral da Arte original de O’Sensei
Funakoshi!
Prof. Sylvio Rechenberg
domingo, 15 de novembro de 2015
¿Quien Dará su Vida por el Dô? ( Quem dará sua vida pelo “Dô”? )
Texto extraído de la Enciclopedia
Shotokai de Karate-Do y Artes Marciales Japonesas (http://www.shotokai.cl).
Atenção: Para o seu entendimento leia o texto na íntegra!
Atenção: Para o seu entendimento leia o texto na íntegra!
Shigeru Egami'Sensei (discípulo de Gichin
Funakoshi’O-Sensei) diz em seu livro “The Way of Karate” / “O Caminho do Karatê”:
“ Embora existam alguns grupos nos
Estados Unidos e na Europa com o objetivo de compreender a alma do Oriente como
um método para neutralizar o impasse decorrente da civilização materialista,
colocam ênfase no lado espiritual do Karatê, a triste verdade é que muitas
escolas só ensinam a arte do combate e esquecem os aspectos espirituais. “
No Ocidente somos reflexivos, analíticos, matemáticos, utilitários, pragmáticos, discursivos, lógicos, etc., etc., e de acordo com nossa lógica avaliamos e valorizamos as coisas, como uma consequência muito natural, então, assim, as coisas são conforme as “criamos”. Daí o nosso progresso tecnológico, do qual nos sentimos tão orgulhosos e daí surge também a grande quantidade de "ismos" que existem em nossa cultura. Do mesmo modo, sobre-dimensionamos a entrega de qualificações, certificações, títulos e graus, que destacam nossas conquistas e nossa posição. Assim surgem quase que naturalmente os 8°, 9° e 10° Dan.
No Ocidente somos reflexivos, analíticos, matemáticos, utilitários, pragmáticos, discursivos, lógicos, etc., etc., e de acordo com nossa lógica avaliamos e valorizamos as coisas, como uma consequência muito natural, então, assim, as coisas são conforme as “criamos”. Daí o nosso progresso tecnológico, do qual nos sentimos tão orgulhosos e daí surge também a grande quantidade de "ismos" que existem em nossa cultura. Do mesmo modo, sobre-dimensionamos a entrega de qualificações, certificações, títulos e graus, que destacam nossas conquistas e nossa posição. Assim surgem quase que naturalmente os 8°, 9° e 10° Dan.
Mas esta forma de ser ou de
enfocar o mundo levou-nos a criar uma sociedade que vive em função do progresso
tecnológico criando uma sociedade doente, onde o homem é menos importante do
que a máquina. Neste contexto, então, no que se refere à arte marcial, agimos
de acordo com nossa história cultural e interpretamos o Karatê de acordo com a
nossa visão de mundo.
Assim, então, criaremos nossas
próprias organizações e instituições para melhor projetar nossa visão do
"karate" ou de qualquer outra arte marcial, conforme for o caso e
como nos convier. Criaremos órgãos diretivos e administrativos, conforme um
esquema mais democrático possível como uma forma de dar uma maior
representatividade e autoridade; mas o que estamos fazendo só vai expressar a
nossa visão cultural através do Karatê-Dô.
Seguindo esta lógica, vamos estabelecer
uma nova escala de grau, uma vez que consideraremos que um quinto “Dan”, sendo
grau máximo, não se encaixa na realidade atual e estabelecemos uma nova escala
de graus mais adequados para a nossa mentalidade. Da mesma forma, sobre
dimensionaremos a entrega de qualificações, certificações, títulos e graus, que
destaquem nossas conquistas e nossa posição. Desta forma, surge quase que
naturalmente o 8°, 9° e 10° Dan (que pessoalmente me parece modéstia, pois
ainda não entendo como é que não criaram o 20 ° ou 25 ° Dan) e os títulos como
"Grande Mestre". Que também me leva a pensar que algum dia poderão
vir a existir os "super - extra - arqui - grandes mestres".
De acordo com este tipo de
mentalidade, se faz necessário que a técnica seja a mais utilitária possível,
pois somente deste modo poderá ser compreendida, e assim mais fácil de entender
como "esporte". Qualquer um pode entendê-la, muitos irão querer
aprende-la e assim é mais fácil de vendê-la.
Seguindo essa mesma lógica, se
criarão títulos e mais títulos, troféus e mais troféus, criar-se-á um grande
espetáculo para escolher os melhores e se fará dele a verdadeira razão de ser,
a verdadeira razão para a existência do “karate”.
Como observado acima, para este
tipo de mentalidade, é necessário que formemos um sistema que destaque as
nossas realizações e, ao mesmo tempo nos permita olhar e avaliar o nosso
progresso. Vivemos em uma sociedade onde as pessoas não são apreciadas pelo que
são, mas pelo que conseguiram adquirir. Karatê, então, não pode ser diferente.
... Para a nossa forma de pensar,
o mais fácil de entender será aquilo que mostra o mais simples possível a sua
utilidade, mas, contudo, é muito duvidoso que isto esteja representando o
verdadeiro propósito da Arte.
Onde as pessoas são valorizadas pelo
que têm gera-se um sistema em que todos se esforçam para ter cada dia mais,
como uma forma de ganhar reconhecimento e apreciação dos outros. Por
conseguinte, no que se refere ao "karatê" e a arte marcial
tratar-se-á de ter graduações maiores que o 5º Dan, assim como também títulos e
posições que demonstrem aos outros o que valemos. Penso que a nossa sociedade
criou um sistema muito particular, onde os seus membros carecem de autoestima.
Por outro lado, existem dentro do
"karatê" aqueles que com uma melhor intenção projetam a Arte como um
sistema de defesa pessoal. Então neste processo, se realiza um estudo profundo
e sistemático que projeta a instrução como um sistema de defesa altamente
eficaz.
É verdade que o Karatê pode ser
um sistema altamente eficaz de autodefesa, mas eu acho que é um subproduto
extraído de um todo da Arte. Eu não acredito que esse é o objetivo real da Arte.
Mas, para a nossa forma de pensar, é mais fácil de aceitar aquilo que é
apresentado de forma mais simples e fácil possível, mas é duvidoso que isto
está representando o verdadeiro propósito da Arte.
Egami'Sensei (discípulo de Gichin
Funakoshi’O-Sensei) manifestou a preocupação afirmando que o Karatê-Dô não pode
ser visto como uma arte homicida. E para isso não acontecer, não pode ser
transmitido assim pelos instrutores. No entanto, é uma manifestação típica da
nossa mentalidade pragmática e utilitária que é caracterizada pela falta de
espiritualidade.
Muitos instrutores têm viajado do
Oriente ao Ocidente para ensinar artes marciais, mas o que a grande maioria tem
feito é ensinar uma arte de acordo com a mentalidade Ocidental. Por esta razão
se tem sobre dimensionado os títulos e graduações e por isto a "Arte"
se transformou em esporte, o qual tem assegurado o sucesso de muitas delas.
Devemos presumir então, que estes
instrutores têm feito isso para colher os benefícios do Ocidente, ou seja, os
benefícios materiais que ele oferece. Portanto, podemos deduzir que isto tem
sido motivado precisamente por que estes instrutores mostraram uma mentalidade
fortemente ocidentalizada. Certamente é bem diferente daqueles instrutores que
ensinaram a sua "Arte" estabelecendo uma ponte cultural entre o
Oriente e o Ocidente.
Karatê-Dô é uma "Arte" que visa despertar um nível de
consciência, como todas as manifestações culturais do Oriente, e por esta
razão, coloca-lo em conformidade à superficialidade do Ocidente significa
começar a corroer no fundamento da sua essência. Obviamente, Egami'Sensei
(discípulo de Gichin Funakoshi’O-Sensei) considerava muito importante o aspecto
espiritual da "Arte" e fundamental para entender a alma do Oriente.
Como é o Oriente, então? O
Oriente é ilógico, irracional, irreflexivo, intuitivo, emocional,
não-discursivo, não pragmático, inclusivo, dedutivo, não personalista e,
portanto socialmente orientado ao grupo. Não é filosófico nem especulativo, é
religioso, é profundo, é espiritual. Isto leva, então, a que suas manifestações
culturais sejam consistentes com a espiritualidade. Portanto, as artes marciais
“Budo”e Karatê-Dô são uma parte representativa dessa espiritualidade, que
visa, por meio do treinamento e da prática, o mais profundo do nosso "Ser".
Karatê-Dô é uma "Arte"
que visa despertar um nível de consciência, assim como todas as manifestações
culturais do Oriente, e por esta razão, carregá-lo com a superficialidade do
Ocidente significa começar a corroer nas profundezas de sua essência. Devido a isso, a "Arte" não pode
ser utilitária, nem deve estar cheia de títulos e graus, além daqueles dados
por seus criadores, não é por respeito a uma tradição, mas é por respeito a sua
essência. Se eu precisar enchê-la de distinções, eu estarei carregando-a de
uma superficialidade que não faz parte da sua essência, mas faz parte da lógica
Ocidental e de nenhuma maneira parte do objetivo da "Arte".
A "Arte" do Karatê-Dô
assim como esta apresentado no livro por Egami'Sensei (discípulo de Gichin Funakoshi’O-Sensei) se concentra no desenvolvimento do ser
humano, fortemente baseada na visão Oriental, que leva a um despertar da
espiritualidade do homem e que serve para abordar o avanço avassalador de uma
sociedade insensível e materialista.
Como podemos cumprir este
propósito, então? Acho que só através da prática sincera, realizada com um amor
sincero pela "Arte". Sem buscar sua utilização. A vida não pode ser a
busca do lucro. A vida é sentimento, a vida é integração.
Por que temos que lutar uns
contra os outros? Por que temos de mostrar que somos melhores do que o outro?
Por acaso não podemos nos ajudar mutuamente para sermos a cada dia
melhores? É somente a insegurança que
nos torna tão competitivos, buscamos nossa segurança na confirmação a partir
dos outros. Não é tratando de ser melhor comparado com outros que vamos deixar
de ser o que somos.
Não é um trabalho político, já
que não obterá sucesso, por mais organizações que formemos, não importa o quão
nobre sejam seus objetivos. É um trabalho através de Keiko, é um trabalho que
deve ser feito com keiko-gi.
Creio que Egami'Sensei (discípulo de Gichin Funakoshi’O-Sensei)
deixou claramente assinalado o "Caminho". A competição mesmo que seja
apenas de kata ou somente de kumite é competição da mesma forma, e não tem
lugar num "Caminho" que busca o desenvolvimento espiritual.
A competição é esporte e o
esporte pode ser muito bom para as pessoas, mas não é um método para o
desenvolvimento espiritual. Quero deixar bem claro que eu não sou contra o
esporte, pelo contrário, eu acredito que todos deveriam fazer esportes,
independentemente do sexo, idade ou condição física. Cada pessoa deveria
integrar o esporte mais adequado conforme as suas características pessoais, no
entanto, isso não significa, que em sendo bom para a sociedade, que tudo deve
ser transformado em esporte.
Alguém imaginaria um grupo de sacerdotes
realizando um torneio para ver quem realiza a melhor missa, ou um campeonato de
clérigos para ver quem faz o melhor sermão? Seria simplesmente ridículo, para
dizer o mínimo. Alguém pode imaginar Egami'Sensei (discípulo de Gichin Funakoshi’O-Sensei) fazendo com que seus
alunos participem de competição? Para todas as questões levantadas acima,
parece que houve um confronto entre a mentalidade Ocidental e a mentalidade
Oriental, mas eu creio que não é assim. No entanto, é necessário definir
claramente as características de cada cultura para entender o problema em sua
totalidade, só deste modo se poderá compreender plenamente as palavras de
Egami'Sensei (discípulo de Gichin
Funakoshi’O-Sensei).
Acredito que através do
intercâmbio cultural e ao grande desenvolvimento das comunicações chegará um
dia no futuro, em que não haverá uma dicotomia entre uma cultura e outra e se
falará de uma cultura universal, que terá como objetivo o desenvolvimento
integral do ser humana e, assim, de toda a sociedade. Mas, para que isso
aconteça são necessários grandes líderes. Pessoas que saibam como projetar o
melhor do ser humano e lutem pela causa da humanidade. Será esta a missão dos
homens do terceiro milênio? Esperemos que sim!
No que diz respeito ao Karatê-Dô
e o Budo, necessitamos de líderes que mantenham inalterado o legado de
Egami'Sensei (discípulo de Gichin
Funakoshi’O-Sensei) e se comprometam a esta causa para a humanidade, mas
junto com isso, é necessário muita humildade para assumir esse papel tão
necessário.
Não é um trabalho político,
porque não obterá o sucesso esperado, por mais organizações que formemos, não
importa quão nobres sejam seus objetivos. É um trabalho através de Keiko, é um
trabalho que se deve realizar com keiko-gi. É um trabalho que se deve realizar
em contato com a natureza e não em um escritório e nem em um estádio esportivo,
é um trabalho que se deve realizar no mais profundo de cada "Ser"
humano. Quem será o próximo que dará sua vida para que possamos entender algo
deste "Caminho"?
Umberto Heyden’Sensei
Shotokai Karate Budo.
Chile.
Julio 3,1997
domingo, 8 de novembro de 2015
Formação (forma de ação)!
Honorável é o “Caminho” que
conduz à Paz;
A Paz verdadeira não é a mesma
paz contemplada pelo ego;
A prova se concentra nas atitudes
provindas do caráter;
A formação destas virtudes vai
depender do “Caminho”;
O caminho que orienta ao conflito
não é o seguido pelas virtudes;
Um homem de caráter não segue
dois caminhos;
Não se pode caminhar de "mãos" dadas em direções opostas;
Na unidade dos passos se constrói
a convicção;
A convicção só se alcança na
sabedoria;
Sábio é o “Caminho”!
Prof. Sylvio Rechenberg
sábado, 31 de outubro de 2015
Materialidade e espiritualidade.
Para estudar e praticar a Honorável Arte de O’Sensei Gichin Funakoshi
deve-se mudar o pensamento materialista ocidental caracterizado pela vontade de
se sobressair aos outros.
Grande parte das pessoas que começam a trilhar o “Caminho”
tropeçam nas pedras do ego e logo desistem. Se o propósito esta equivocado a desistência
é uma questão de tempo!
Querem aprender tudo que podem num curto espaço de tempo,
porem é justamente o tempo que lhes irá ensinar tudo o que necessitam saber, desde
que com ele amadureça a humildade e a interminável disposição de “lutar consigo
mesmo”!
Prof. Sylvio Rechenberg
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
O Zen-budismo e o Karatê-Dô.
O Karatê-Dô tem clara relação com
o Zen-budismo e com o Taoismo, pode-se considerá-lo como o "zen em movimento", imbuído
por um espírito de busca pela iluminação através da sua prática vivencial herdado pelo referido conceito. Tal prática começa e termina com períodos de meditação
(黙想
Mokusō). Seu lema de conduta moral o (道场 训
Dōjō kun) está fundamentado na (formação do caráter, na fidelidade com a razão
verdadeira, com o intuito de esforço pessoal, o respeito com tudo e a todos, e
a conter o espirito de agressão, ou seja, a não violência).
Ouça o vídeo com atenção e
reflexão!
Meisho Genshô'Sensei (Monge zen budista)