domingo, 16 de junho de 2013

“Faixa Preta”, todos almejam, pouquíssimos o são!

Não basta querer é preciso buscar, se empenhar, sacrificar-se, submeter-se, ter por norma, estar disposto a transformar-se, polir o caráter, disciplinar e sacrificar o ego, superar as fraquezas e confrontar-se exaustivamente, aperfeiçoando-se construtivamente, amadurecer para a vida, honrar as virtudes, os ensinamentos recebidos ao longo dos anos!

Adquirir destreza é comum nos esportes, em qualquer atividade física, qualquer academia no mundo capitalista proporciona a ênfase material, o culto ao corpo, pela força, pela estética, pela competição, o que no ocidente tem o lamentável sentido e a interpretação distorcida da “valorização” pessoal e um equivocado “status” na sociedade.

Ultimamente tem se notado o modismo das lutas, do crescente gosto pelo conflito, pela violência acirrada, descontrolada, pela ascendente desvalorização do “ser” humano, pela disputa injustificável, bestial, por simples prazer de agredir a outrem sem razão, mas por mera emoção, diversão para as massas e o estopim para uma decadência cultural e social irreparável, influenciando e denegrindo as novas gerações.

As Artes Marciais tem sua ideologia histórica embasada na nobre valorização do “Ser”, na contenção da agressividade, no respeito acima de tudo, na formação dos valores morais, na importância do espirito e na manifestação da humildade como premissa para paz e da harmonia universal. Nada tendo em haver com esporte ou modismos deturpados enaltecendo o ego.  Apontamentos citados exaustivamente na história dos seus grandes “ fundadores e mentores originais ” .

A utilização das “vias de fato” tem a sua real função, unicamente, para salvaguardar a vida da morte eminente, tão somente para a necessidade única e primária da sobrevivência pessoal exclusiva. Sem tal necessidade extrema e inevitável, qualquer sentimento que promova discórdia, prepotência ou soberba é prejudicial no desenvolvimento das qualidades e virtudes humanas, conforme a doutrinação milenar destas Artes Marciais tradicionais incomparáveis e incontestáveis na sua nobre e honorável missão.

Infelizmente os que se espelham na triste realidade dos nossos dias, empunhando as bandeiras da inovação distorcida e desenfreada, desencadeando ganancia e vaidade, desvalorizando as raízes, desprezando as sábias lições, conspiram para o caos, estão fadados ao derrotismo pessoal, à conduta depressiva e a constante aflição do ego imaturo.

O tempo se encarregará de provar o lamentável equivoco, estes atos irresponsáveis, irreparáveis, se refletem na sociedade e já demonstram suas manchas, só não vê quem não quer ver!

“Faixa Preta”, todos almejam, pouquíssimos o são!

Prof. Sylvio Rechenberg

quinta-feira, 6 de junho de 2013


O vídeo a seguir mostra técnicas de aplicação prática em situações de risco, juntamente com Tameshiwari ( quebramento ), com o foco principal não no rompimento dos objetos mas em por a prova os conhecimentos adquiridos, condicionamento corporal, controle mental e confiança. As demonstrações são executadas por vários Karatekas de diferentes escolas.    -   Vale a pena conferir!

sábado, 25 de maio de 2013

Escola para a vida!

Nos “tempos de ouro”, por volta dos idos dos anos '70, quando comecei a trilhar e vivenciar o “Caminho”, imperava a vontade sublime, voraz, indômita, indescritível, insaciável de aprender, estudar e praticar a honorável Arte maior do Karatê-Dô!
Praticava-se com “alma”, sangue, suor e lagrimas, com agonia sem fim, tamanha a disciplina!
Onde os olhos eram espelho da alma e se percebia o fascínio do despertar pela Arte!
Longe vai o dia em que se sentia no ar a energia, o invisível, o sobrenatural obsessivo da força interior, que vem das entranhas, do mais profundo do “Ser”, do incomparável querer saber aprender sobre o “Caminho”!
Lá não tinha tempo, nem lugar, nem condição, nem coisa alguma que impedia os sacrifícios!
Havia a certeza imutável da vontade infinita e única do “aprender por aprender” para saber!
Empenhados de corpo, mente e espírito, orgulhosos, leais a nossa “segunda família”, o Karatê-Dô!
A obediência, a hierarquia, o respeito inquestionável, a honra ilibada, a imaculada conduta!
Não havia cansaço, nem desanimo, nem dor alguma capaz de afastar-nos dos “castigos” da lição, a lição para a vida!
Lições vivenciadas com tanta emoção, que o próprio cheiro do couro cru, da corda de sisal, da lona surrada, do quimono encharcado, do assoalho gasto da madeira maciça, temperava nossos sonhos e se enraizava na eternidade da nossa busca incessante, inquietante!
Sonhos movidos por um ideal, um ideal apenas, um nobre ideal, sem precisar de estímulos, nem de elogios, nem de motivações externas, mas “unicamente para ser um Karateka”, muito mais que vencedores, mas Karatekas de verdade!!!
Prof. Sylvio Rechenberg

sábado, 11 de maio de 2013

Aprender Karatê-Dô é se dar uma chance para conhecer a si mesmo!

 
Nos dias de hoje, ainda, a maioria das pessoas não tem ideia do que é Karatê-Dô. A mídia infelizmente prega e enfatiza o sensacionalismo, distorcendo o seu "conceito real".
Grande parte dos responsáveis pela sua difusão, não tem o menor interesse em orientar sobre sua real finalidade, muito menos em aprender sobre o verdadeiro Karatê-Dô.
 
Nesses tempos, o que vale é a competição, a esportivisação, a facilitação e o descomprometimento com o futuro desta Arte Marcial extraordinária.
 
A real Arte Marcial milenar, não foi criada com propósitos lúdicos como campeonatos, torneios e afins, mas foi constituída com a nobre finalidade de salvaguardar a própria vida através da prática rigorosa e constante do auto-aperfeiçoamento construtivo, superando as fraquezas humanas nos três aspectos, “físico, mental e espiritual”, mantendo-se assim incorruptível, inviolável, exclusiva, e de acordo com os seus sábios e legítimos criadores, “para a vida toda”!
 
Porem com as recentes distorções, interpretações equivocadas e total “falta de controle das grandes organizações”, o dito "Karatê" por aí, se tornou um jogo, uma "brincadeira de luta", atiçada pelo ego inflamado, desiquilibrado, valendo-se da fraqueza humana pelo conflito, pela disputa pela “pseudo” vitória sobre o outro, nada mais do que marionetes animadas!
 
"Aprender Karatê-Dô é se dar uma chance para conhecer a si mesmo"!
 
Esteja disposto a confrontar-te para melhorar algo em ti; esteja consciente para descobrir-te e entender mais de ti; esteja preparado para superar-te a ti mesmo!
 
Saiba que o universo ao teu redor esta ao redor de todos os demais; que a energia que brota de ti conspira para o mundo, e que o mundo no qual respiras te permite "vivenciá-lo em harmonia"!
 
De nada adianta lutar contra os outros se o verdadeiro conflito se manifesta em ti!
 
Prof. Sylvio Rechenberg

sábado, 4 de maio de 2013

Para o entendimento da génese do Karatê-Dô.

Profundamente religioso, Gichin Funakoshi'O-Sensei era Taoísta, enquanto vivia em Okinawa, ensinava os clássicos Chineses, como o Tao Te Ching de Lao Tzu. Quando O'Sensei Gichin Funakoshi adicionou a palavra Dô (caminho, via espiritual), ao termo "Mãos  Vazias", estabeleceu uma filosofia de vida, (o espírito do Karatê), que é esvaziar o corpo de todos os desejos e vaidades terrenos. Um método de se auto aperfeiçoar continuamente durante toda a vida, muito além de um simples método de defesa sem armas, (Caminho das Mãos Vazias).

" Ele (o Karatê-Dô) se enraizou e é amplamente praticado em toda a Ásia, entre povos que professam credos tão distintos como o Budismo, o Islamismo, o Hinduísmo, o Bramanismo e o Taoísmo. No transcurso da história humana, artes de autodefesa específicas atraíram seus próprios seguidores em várias regiões da Ásia, mas existe uma semelhança subjacente básica entre todas elas.

O Karatê-Dô teve um desenvolvimento maior devido ao incentivo do Budismo, visto que os monges o utilizavam como um meio de percorrer o “Caminho” rumo à auto-iluminação. Nos séculos sétimo (VII) e oitavo (VIII), budistas japoneses viajaram para as cortes de (Sui e T’ang), onde aprenderam a versão chinesa da arte, trazendo para o Japão alguns de seus aperfeiçoamentos.

Durante muitos anos, aqui no Japão, o Karatê-Dô continuou confinado nos largos muros dos templos, de modo particular dos do budismo zen; aparentemente, não era praticado por outras pessoas, até que os samurais começaram a treinar no recinto dos templos e assim ficaram sabendo da existência da arte. Como o conhecemos atualmente, o Karatê-Dô foi aperfeiçoado por Gichin Funakoshi'O-Sensei. "

Genshin Hironishi’Sensei  (discípulo direto de O'Sensei Funakoshi)


Confucionismo:
 
Azato'Sensei fora um estudioso do confucionismo!

O Confucionismo não se trata de uma religião. Não possui um credo estabelecido, mas apenas determinações rituais de caráter social, que permitem a um adepto do Confucionismo a liberdade de crença em qualquer tipo de sistema metafísico ou religioso que não vá contra as regras de respeito mútuo e etiqueta pessoal.

Surge no séc. VI a.C. na China com Confúcio, que funda no pequeno estado de “Lou” a primeira “escola de educação”. O Confucionismo acabaria por tornar-se o conjunto de regras e convenções morais, jurídicas e linguísticas oficiais de toda a China.

O Confucionismo atingiu um pleno sucesso, tornando-se uma filosofia moral de profundo impacto na estrutura social e cotidiana da sociedade. O valor ao estudo, à disciplina, à ordem, à consciência política e ao trabalho são lemas que o Confucionismo introduziu de maneira definitiva na vida da civilização chinesa da antiguidade aos dias de hoje.

Regra de Ouro do Confucionismo: " não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem a ti ".


Taoísmo:
 
“Nasce” com Lao-Tsé (n. 571, m. 479 a.C.). Coexiste desde o seu início com o Confucionismo sendo, em muitos aspectos, complementar-antagónico deste. Trata do Tao (= Dô) conceito sem tradução perfeita. É o “Dô” do Kendô, do Iai-Dô, do Judô, do Karatê-Dô. É também, em muitos aspectos, a fonte do Budismo-Zen.

Tao não é um conceito que possamos captar ou compreender intelectualmente, mas é uma realidade que podemos presenciar, vivenciar e praticar. Por exemplo, a prática do Kata Taikyoku-Shodan, ao longo de anos e anos, permite-nos conviver com o Tao, embrenharmo-nos no seu fluxo sem que, no entanto, o possamos definir ou explicar.

O Taoísmo é uma maneira de estar no mundo de acordo com o Tao, de acordo com o fluxo natural do mundo e da vida. Trata-se de “não remar contra a maré”, de aceitar o seu ímpeto, de fluir com ele. “O que é contrário ao Tao, cedo desaparece”.

O Taoísmo está na raiz da medicina, da culinária, da construção de edifícios, da pintura, da caligrafia ou das Artes Marciais orientais... “

" Nunca vás contra a Natureza ” afirmava o Funakoshi'O-Sensei!


Budismo:
 
O Budismo surgiu no séc. VI a.C. com Siddhartha Gautama - o Buda ( O que despertou, o iluminado ) (n 622? a.C. e m. 543? a.C. no sopé do Himalaia, hoje chamado Nepal ). Buda não deixou ensinamento escrito, mas os monges budistas espalharam a sua religião por todo o extremo oriente. O Budismo dá entrada no Japão no séc. VI d.C., fundindo-se com a tradição religiosa nativa (O Shintoísmo). Importa-lhe determinar as causas do sofrimento humano e modificar a atitude do indivíduo perante o mundo, de forma a eliminar esse sofrimento. Buda identifica, nas suas (4 Nobres Verdades essenciais), a causa da doença da humanidade, a seguir passa à afirmação de que a doença pode ser curada, finalmente prescreve o método de cura:

- A 1ª Verdade Nobre identifica o (sofrimento ou a frustração) como “doença” básica fundamental do homem.
 
- A 2ª Verdade Nobre revela-nos a causa desse sofrimento, (o apego ou a avidez). É o apego a determinadas ideias, ou fatos, ou pessoas, ou objetos (que encaramos ilusoriamente como coisas individuais e nossas), que nos leva a esquecer que tudo é mutável e transitório, que tudo o que tem um princípio tem um fim, inclusive o nosso ilusório “eu”.

- A 3ª Verdade Nobre afirma que o sofrimento e a frustração podem chegar a um fim. “É possível transcender o círculo vicioso de "samsara", livrar-se do jugo do karma (Lei de causa e efeito) e alcançar um estado de libertação total: o Nirvana (Paz no estado de Buda). Neste estado, as noções falsas de um “eu” separado desaparecem para sempre e a unidade da vida torna-se numa sensação constante”.

- A 4ª Verdade Nobre é a prescrição da cura - o Caminho óctuplo do auto-desenvolvimento que nos leva ao Estado de Buda.


Budismo Zen
 
Raiz filosófica do Bushi-Dô (o código dos samurais) e, por consequência, do Budo (as Artes Marciais). A pior maneira de o revelar seria dar dele qualquer definição. O Zen pratica-se e confunde-se com a própria prática. Lembremo-nos de Zen-kutsu-dachi.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Raízes ( estruturação ideológica, filosófica, doutrinária ).

( Como sabemos, havia em Okinawa, nos tempos antigos, duas escolas, Nahate e Shurite, e considerava-se que tinham ligação com as duas escolas do boxe chinês chamadas Wutang e Shorinji Kempo que floresceram durante as dinastias Yuan, Ming e Chin. Atribui-se a fundação da escola Wutang a um certo Chang Sanfeng e a da escola Shorinji ao próprio Daruma (Bodhidharma), o fundador do zen-budismo. De acordo com os relatos, ambas as escolas eram extremamente populares, e seus seguidores davam frequentes demonstrações públicas.  A lenda nos conta que a escola Wutang recebeu seu nome a partir da montanha chinesa onde o Karatê teria sido praticado pela primeira vez, enquanto Shorinji é a pronúncia japonesa para o Templo Shaolin na Província de Hunan, onde Daruma pregou o caminho do Buda. Segundo uma versão da história, seus seguidores eram fisicamente despreparados para os rigores do treinamento que ele exigia; assim, depois de muitos caírem de exaustão, ele lhes ordenava que começassem, já na manhã seguinte, a treinar seus corpos de modo que suas mentes e corações se dispusessem a aceitar e seguir o caminho do Buda. Seu método de treinamento era uma forma de boxe que veio a ser conhecido como Shorinji Kempo. Por menos que se aceitem as lendas como fato histórico, penso que quase não há dúvida de que o boxe chinês realmente cruzou o mar na direção de Okinawa, onde se misturou com um estilo de luta de punho originária de Okinawa para formar a base do que hoje conhecemos como Karatê. )...

( O texto acima foi extraído do livro de O'Sensei Gichin Funakoshi - "Karatê-Dô - O Meu Modo de Vida" )

O mosteiro de Shaolin na China, ficou muito famoso no ocidente a partir da década de 70 com um seriado da TV intitulado "Kung Fu". Onde se retratava muito bem o espirito Zen, o espirito esotérico, místico, transcendental da vida de um monge do Templo de Shaolin por volta do século XIX. Neste antigo mosteiro os monges estudavam o Budismo, o Taoísmo, medicina natural, estudando com toda profundidade o "Caminho" da vida, da "iluminação". Este mosteiro tem seu registro por volta do século VI d.C., sendo que o mais conhecido destes templos localiza-se na província de "Honan", próximo a Pequim no norte da China (mosteiro do norte). Mais tarde é inaugurado um mosteiro na província de "Canton" no sul da China, que praticamente hoje já não existe mais. Houveram mais alguns mas que permaneceram bem menos tempo em evidência. Na década de 40 quando o comunismo se instalou na China, na revolução cultural chinesa, todo tipo de religiosidade foi banida, tudo o que não fosse a ( pregação materialista comunista ) seria proibido. Nos dias de hoje este templo é meramente uma escola de fachada, onde se ensina e pratica o lado físico marcial, principalmente para atrair o turismo, fazendo apresentações ao público, promovendo cursos entre outros, com meros interesses comerciais, porem nada que vise realmente a "iluminação", nada que vise a busca interior como na sua forma histórica original, impedidos, vetados pelo sistema de se manifestarem através daquela ideologia doutrinaria milenar.

Com a fundação do mosteiro de Shaolin, no processo da expansão do Budismo na Ásia, da Índia migrando para a China, 1000 anos depois da morte de Buda que por sua vez viveu no século VI a.c., defrontando-se com a filosofia Chinesa de três mil anos, o Taoísmo de (Lao Tzu). O budismo que por sua vez é extremamente objetivo e não tem nada de misticismo em sua doutrina, por outro lado o Taoísmo tem o lado místico, espiritual, exotérico muito profundo. Então a forte cultura chinesa funde-se com a Indiana surgindo assim uma nova forma de praticar sua espiritualidade, o Budismo com o Taoísmo gerando o Budismo Ch'an, derivando em japonês com o nome de Zen (Zen-Budismo). E tudo isso aconteceu justamente dentro do mosteiro de Shaolin ( nome da floresta onde o templo foi construído durante a dinastia Ming ), onde seriam introduzidas as Artes Marciais utilizadas como uma ferramenta para o aprimoramento dos discípulos. Tal método foi o único no mundo.

O grande patriarca budista indiano chamado Bodhidharma (Daruma), veio da Índia para a China, atravessando o Himalaia, chegando ao mosteiro de Shaolin. Porém antes de ser um monge "iluminado", Bodhidharma era um guerreiro, um general de exército indiano, que largou toda sua vida, entrando num monastério budista onde seguiu até a sua "iluminação".

No Templo Shaolin por sua vez, Bodhidharma percebeu certa fraqueza e debilidade que impedia aos monges locais atingirem seus ideais nos rigores da meditação e atividades afins que lhes eram impostas diariamente. Assim, Daruma implantou um sistema de treinamento físico aos monges, com exercícios de ginástica trazidos da Índia, juntamente com técnicas de respiração e de consciência corporal, iniciando-se então os fundamentos de uma Arte Marcial como base sólida para ajudar na busca do ideal das práticas espirituais. Começando daí a tradição na disciplina rigorosa de se incorporar estes exercícios de Artes Marciais (Wu-Su) na complementação do estudo dos monges do templo "Shaolin" nas gerações seguintes. Então, com o passar do tempo e com a característica do Budismo e do Taoísmo serem muito contemplativos, e de criar uma harmonia com a natureza, os próprios monges locais, observando a maneira de agir dos animais quando atacados e como se defendiam. Começaram a perceber que poderiam aprender com os mesmos e incorporar tal método aos exercícios regulares, surgindo daí e com o passar de muito tempo, ao longo de 1200 anos aproximadamente, os vários estilos e suas variações.

A prática da leitura e o estudo dos sutras budistas, dos sutras taoístas, da humildade através do trabalho diário da manutenção do templo, varrendo, limpando, plantando e colhendo, convivendo com os mestres diariamente, de um treinamento interior real, além do estudo na leitura e na escrita como qualquer estudante as diversas disciplinas inerentes a doutrina, conjuntamente com a prática do (Wu-Shu) Artes Marciais, no sentido do aprimoramento técnico, do auto aperfeiçoamento, visando o domínio do corpo, da mente e do espírito, tudo isso junto e incorporado era denominado de "Kung Fu".

Obviamente na mesma época na China existia o exército chinês, bem como várias escolas de Wu-Shu (Arte Marcial), porém nada tendo em haver com o "Kung Fu", denominação dada ao conjunto de ensinamentos adquiridos ao longo de muitos anos no vivenciamento e no amadurecimento daqueles monges do Templo Shaolin.

Houve uma faze no final da dinastia Ming por volta de 1650 d.C., uma grande guerra numa revolução com a Manchúria, com os Manchus que vinham do norte com o imperador Ching, destituindo a dinastia Ming e implantando a dinastia Ching. Proibindo a partir daí a pratica de Artes Marciais na China, mas os rebeldes que não aceitavam este novo governo planejavam uma contra revolução para tentar derrubar o Imperador Ching para novamente restituir a dinastia Ming. E como não tinham um local seguro para a pratica das Artes Marciais, estes se candidatavam a monges no templo de Shaolin, se caso conseguissem, passavam três ou quatro anos aprendendo o básico naquele mosteiro, desertando depois de algum tempo, pulando os muros e voltando para suas aldeias para treinarem o maior número de pessoas naqueles novos ensinamentos para poderem guerrear contra o governo. Percebendo tais atitudes constantes, os militares da dinastia Ching detectaram a origem daqueles revolucionários e chegaram ao Mosteiro Shaolin. Logo o imperador Ching enviou 10.000 homens para destruir o templo, queimando o mosteiro e matando a maioria dos monges lá encontrados. Alguns conseguiram escapar e que mais tarde perpetuaram a tradição em uma outra fase. Mas o mosteiro ficou mais de 70 anos destruído. A dinastia Ching permaneceu intocada até a revolução cultural chinesa com a implantação do comunismo.
 
Segue seriado da TV intitulado "Kung Fu" na década de 70, vale assistir e atentar ao genuíno espírito "Budô", da vida de um monge do mosteiro Shaolin por volta do século XIX. Um filme sério, educativo e esclarecedor !
 
 
 
 

sábado, 20 de abril de 2013

O foco!

Procure esforçar-se mais e mais a cada dia no estudo do Karatê-Dô; você pode!
O aprendizado é para toda tua vida, portanto não o encare como um esporte!
É uma doutrina milenar, esta fundamentado num modo de vida; em como você pode agir para ter uma vida mais saudável, duradoura e segura!
Seja paciente, não tenha pressa, concentre-se, persista constantemente, estude-o e pratique diariamente, torne-o parte do seu dia a dia!
As dificuldades sempre lhe serão apresentadas, são elas que lhe farão sábio(a), diligente e capaz diante das intempéries da vida, é por isso que praticamos o Karatê-Dô!
Estudar Karatê-Dô não é para alguns, mas para todos, porem, não existem atalhos!
O maior adversário esta dentro de cada um de nós!
Prof. Sylvio Rechenberg