Takashi Kyooka’Sensei
quarta-feira, 16 de maio de 2012
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Uma data para reflexão! (26-04-1957)
Hoje dia 26 de abril, a 55 anos atrás, a escola Shotokan perdeu seu grande líder, um “Norte”, tornando órfão um legado, um “tesouro”, um “Caminho”!
Vivemos num mundo cada vez mais marcado pela violência urbana, pela trapaça, pela cobiça, pela vaidade, pela inversão dos valores, pela falsa sinceridade, pela falsa amizade, pela falsa “identidade”, e com as pessoas mais preocupadas com a satisfação pessoal do que com a compaixão alheia!
Onde curiosamente o sangue derramado em pancadarias absurdas não é em função de uma luta pela sobrevivência e legitima defesa pessoal, mas por fama e fortuna, colocando em evidencia a maldade humana e a pobreza de espírito! Impulsionados por mercenários, como “lobos em pele de cordeiros”, apoiados por uma mídia sensacionalista, oportunista, despreocupada e omissa com o reflexo deste tipo de aberração, na formação e na educação do seu povo, influenciando as novas gerações, contaminando o entendimento e corrompendo uma cultura milenar extraordinária, incentivando a estupidez e ao descaminho do verdadeiro papel das artes marciais na sociedade!
Contudo, felizmente a “nobre Arte” do oriente, fundamentada como genuína arte marcial, ponto de partida de um exemplo de humildade, sacrifício, responsabilidade, honradez e virtudes construtivas, onde as atitudes em sua história definiram seu perfil, ainda tem guarida na eterna missão da continuidade absoluta, na vocação da ética , na manutenção dos princípios e na fidelidade incorruptível de alguns poucos “samurais” comprometidos na missão maior de conter o conflito, “Budô”, e apaziguar o espírito através do estudo e da prática correta do Verdadeiro Karate-Dô de Gichin Funakoshi - O’Sensei!
Professor Sylvio Rechenberg
quinta-feira, 19 de abril de 2012
A ordem de O'Sensei!

" Para difundir o Karate-Dô se estudou um tipo de kumite livre que só se realizava nas demonstrações. Com o passar do tempo este tipo de kumite começou a ter outro caráter, que se desviava do caráter do espírito Budô. Em 1940, Mestre Funakoshi o “proibiu ” e em 1941 ratificou esta proibição, advertindo aos estudantes, que eles seriam expulsos caso participassem de campeonatos. Entre companheiros de classe e como método de estudo era permitido, porem jamais foi permitido com o objetivo de ganhar campeonatos! "
Mestre Motonobu Hironishi (discípulo direto de Gichin Funakoshi )
sábado, 17 de março de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
MEDALHAS PARA ARTES MARCIAIS??? III
“ A arte do Caminho das Mãos Vazias foi criada para o auto-aperfeiçoamento e conseqüente defesa pessoal, física, mental e espiritual; possui um caráter formativo e de amadurecimento construtivo, buscando conter o conflito sob todos os aspectos (Budô). Conforme a orientação do seu fundador mestre Gichin Funakoshi O-Sensei “ No Karatê não existe atitude ofensiva “, portanto a partir deste principio fundamental, as ações e manifestações de uma conduta favorável ao ego, predominante nas competições esportivas de todo tipo é inadmissível aqui; onde, além de gerar sentimentos de soberba, estabelece conceitos e valores distorcidos com a realidade, desvirtuando o Caminho e promovendo o conflito, considerando alguns poucos em detrimento da maioria, mas enfatizando contextos lúdicos e do agrado da mídia, porém, absolutamente nada tendo em haver com o Karatê-Dô de O-Sensei Funakoshi!
A má interpretação e a pratica equivocada de sua arte era o que mais preocupava O-Sensei Funakoshi; o fato de que viesse a ser corrompida, utilizada em "disputas vãs", despertaria nos praticantes um perigoso e nocivo sentimento de vaidade e prepotência, não contribuindo em nada nos aspectos formativos, danoso para o real objetivo do Karatê-Dô. No ano de 1940 Gichin Funakoshi O’Sensei proíbe os seus alunos de executarem Jiyu Kumite ("combate livre") por verificar o desejo de competição, pois esta prática induz a um espírito de violência, contrário à essência do Budô. Obviamente O’Sensei já sabia antecipadamente o que a simples prática comum da luta, pode causar se mau empregada, priorizada como um simples esporte.
Considerando a fraqueza humana e a sutil capacidade de vangloriar-se aleatoriamente em contenda contra outrem, mesmo sem a justa atribuição em defesa da própria vida, desperta no estudante a falsa ilusão de vitória e o perigo da influencia negativa sobre o foco verdadeiro.
Infelizmente após a sua morte em 1957, este tipo de prática iniciou e cresce a cada ano. Lamentável verificar-se no dias atuais, que a grande maioria dos “professores” atuam como simples “técnicos desportivos", sem a mínima responsabilidade na formação do caráter, muito menos na correta instrução no estudo do Karatê-Dô na vida destes estudantes, entusiasmados, iludidos com o “comum”, com o “lúdico” na sociedade moderna. Até mesmo crianças sendo instigadas a lutar contra outras crianças, em troca da "premiação material" e da "satisfação do derrotismo do seu semelhante"! "
Me pergunto: Aonde chegaremos lá adiante ? Que virtudes se verão? Que valores existirão?
KARATÊ NI SENTE NASHI 空手に先手無し
Prof. Sylvio Rechenberg
Me pergunto: Aonde chegaremos lá adiante ? Que virtudes se verão? Que valores existirão?
KARATÊ NI SENTE NASHI 空手に先手無し
Prof. Sylvio Rechenberg
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
MEDALHAS PARA ARTES MARCIAIS??? II
" No mundo desportivo a competição é técnica, pode-se progredir através da luta entre pessoas. Mas que lugar ocupa ela na vida humana? Conceber o Karatê como Budô volta a situá-lo entre a vida e a morte. Não se trata apenas de uma competição técnica. Trata-se da maneira de se comportar e de enfrentar o adversário em situações em que a vida entra em jogo. Devemos construir a via do karate, a via da verdade, a via que nos leva aos mais altos cumes. Para tal é preciso retornar ao ponto de partida, ao ensinamento de mestre Funakoshi. Interrogar-se sobre o que o passado nos transmitiu, estudar nas outras disciplinas do Budô, procurar uma técnica superior e estabelecer o Karatê como uma arte marcial de valor, procurar, enfim, o aperfeiçoamento da via do Karatê, é esse o nosso dever face ao mestre. A nossa vocação é de fazer avançar um passo, ou mesmo um meio-passo, o trabalho que nos deixou mestre Funakoshi..."
Shigeru Egami
sábado, 28 de janeiro de 2012
MEDALHAS PARA ARTES MARCIAIS??? I
Taizen Deshimaru o grande mestre Zen dizia que atualmente muitas pessoas praticavam artes marciais na Europa, nos Estados Unidos e em todos os países do Ocidente, e até mesmo no Japão sem realmente estarem no caminho do Budô. E o sentimento geral era que os princípios e a filosofia do Budô não tinham nada a ver com a prática das artes marciais , mas como esportes. Parece que isto continua até hoje ao se ver o entusiasmo da mídia ao Brasil conseguir uma medalha de ouro no "Karatê" esportivo. Muitos praticantes de artes marciais não estão seguindo os ensinamentos de uma transformação interior para se viver de forma mais lúcida e consciente o que é a a verdadeira base do Bushidô.
Será porque não querem ou porque estão mal informados?
A resposta correta é muito importante. Para alguns as artes marciais estão sendo simplesmente usadas como diversão ou profissão e são esportes como quaisquer outros. Mas as pessoas que querem viver suas vidas em uma dimensão mais elevada precisam compreender que as artes marciais tradicionais são “Caminhos de Vida” ( DÔ ). Evidentemente que ninguém deve ser obrigado a fazer nada nem tampouco receber criticas por gostar disto ou daquilo mas desde que saiba realmente o que está fazendo e tenha noção da diferença entre uma coisa e outra. Alguns agem sem ter consciência de que são como crianças brincando com carros de brinquedo, enquanto outros dirigem carros de verdade. È bom brincar, mas confundir brincadeira com assunto sério é irresponsabilidade. Eu não tenho nada contra esportes; eles treinam o corpo e desenvolvem a energia e a resistência e o espírito de equipe e até pratiquei alguns deles. Mas o espírito de competição e a energia que cerca atualmente a prática dos esportes, isso não é uma boa coisa, pois reflete uma visão distorcida da vida. A raiz das artes marciais não está nisto.
Alguns professores de artes marciais e certas entidades que os organizam , creio, são parcialmente responsáveis por essa situação. Eles treinam o corpo e ensinam as técnicas das artes marciais, mas não fazem nada pela consciência dos praticantes. E o resultado disso é que seus alunos lutam nas artes marciais mal interpretadas focados apenas em vencer, como crianças brincando de guerra. Não existe desenvolvimento de sabedoria neste tipo de abordagem e ele é completamente inútil para a organização de suas vidas sendo que as técnicas aprendidas nos Dôjos acabam não tendo nenhuma utilidade para que vivam melhor o dia a dia.
Os esportes competitivos acabam sendo apenas diversão e no final, devido ao espírito de competição, eles desgastam o corpo e prejudicam a saúde que será cobrada quando tiverem idade mais avançada. É por isso que as artes marciais tradicionais orientais , deveriam lutar para recapturar sua dimensão original de “Caminho de Vida”.
No espírito do Budô a vida diária é já naturalmente submetida a uma disputa.
Devem existir prêmios a cada momento, ao se levantar pela manhã, ao trabalhar, ao comer, ao ir para a cama ao receber nosso salário ou averiguar o resultado do balanço de nossa empresa. O nosso dia a dia, deveria ser nossa quadra, o nosso lugar de praticas, para a maestria sobre si mesmo.
A ideia de se ficar realizando campeonatos a todo tempo, acabando um e começa outra acaba gerando o que Deshimaru chamava de "Campeonite" que acaba se tornando uma doença mental. Basta ver como certas pessoas se fanatizam e concentram grande parte de suas vidas usando seu tempo para saber quem ganhou, quem perdeu, quem vai vencer, quem é o primeiro etc. Que beneficio real tem com isto. È claro salvo muitos na mídia que acabam vivendo bem se envolvendo com a “campeonite”. Evidentemente que esta atitude é uma visão estreita da vida!
Não quero dizer que uma pessoa nunca deva ser um campeão, porque não? É uma experiência como qualquer outra. Mas não se deve tornar isso uma obsessão, um fanatismo, a todo tempo e motivo para discussão e até brigas e desentendimentos. Há gente que é espancada e até morta nos estádios com certa frequência. Arte da espada, a lança, arco e flecha, ou simplesmente a luta com os punhos elas são quase tão antigas quanto a própria humanidade, porque o ser humano sempre precisou se defender de ataques e caçar para alimentar a si e a sua tribo. Uma forma de luta sem armas foi desenvolvida inicialmente na China, na época de Bodhidharma, que depois acabaram se tornando os atuais , Aikidô, Karatê, Judô, Tai-chi, etc., e assim estes monges puderam se defender em qualquer ocasião e que deram aos monges a capacidade de tirarem vantagem de meios naturais de defesa, adaptados em cada caso para a energia da pessoa e eram provavelmente uma coleção de movimentos, golpes, fintas e truques, passadas de um homem para outro no curso de suas jornadas, assim como eles trocavam suas poções e receitas - plantas, massagens especiais, etc.- ou suas técnicas de meditação. Eles também compartilharam as experiências que lhes ensinaram lições, morais ou de natureza prática, relevantes para suas vidas e tudo isto foi incorporado nos ensinamentos das artes marciais tradicionais. Os monges viajantes carregaram todos os seus conhecimentos da China para o Japão, aonde, se espalhando a partir da região de Okinawa, eles tiveram um sucesso espetacular.
È preciso se ter em mente as razões reais aos se buscar uma academia de artes marciais e aqui lanço este alerta aos interessados em Budô, para evitar que acabem praticando apenas esportes como o futebol, uma dança, ou um tipo de ginástica sem o verdadeiro espírito do Budô, ou seja, da busca do conhecimento interior e harmonia com o Universo para viver melhor.
Está bem se praticar esportes, desde que quem assim o faz saiba o que está fazendo no entanto dar medalhas para artes marciais, campeonatos? Não me parece algo coerente com o propósito inicial para o qual foram criadas. Talvez fosse o caso das artes marciais que se tornaram esportes mudarem de nome e assumirem esta nova faceta. Me preocupa este destaque de medalhas para praticantes de artes marciais tradicionais, pois a população acaba sendo mal informada distorcendo a possibilidade do publico em ver nas mesmas um verdadeiro tesouro para transformar suas vidas em troca do orgulho passageiro em se sentir , “Campeão” por um tempo até que um novo campeonato acabe com este privilégio ilusório.! E assim preferem o futebol, é claro pois está mais de acordo com nossa cultura e muitas mentes deixam de ser iluminadas, e muitas personalidades reprimidas deixam de expressar sua essência por falta de correto treinamento disponível nos Dôjos.
Prof. Wagner Bull