segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

A menina chinesa e sua inspiração transcendental:

Nesta viagem no tempo, aprenda como uma luta entre dois grous, em 1650 na província de Fujian (China), resultou na criação dos fundamentos do Kata Kanku-Dai .

Há 370 anos, em uma pequena vila no condado de Yongchun, na província de Fujian (China), as águas azuis de um lago banhavam suavemente as margens gramadas. A cena incluía dois grandes grous brancos lutando ferozmente entre si. Movendo-se agilmente com suas longas pernas, eles trocavam bicadas entre si. Completamente brancos em sua plumagem, concentrados em sua luta, ignoravam o mundo ao seu redor.

Perto dali, observando a luta atentamente, a jovem Fang Qiniang não resistiu à tentação. Como o grou é um símbolo de felicidade e eterna juventude em toda a Ásia, ela pegou um graveto do chão e decidiu apartar a briga. Os grandes pássaros brancos não desistiram da luta, mas o que era um conflito entre dois, transformou-se em uma luta envolvendo três. Eles se esquivaram dos golpes de bastão com movimentos corporais graciosos e atacaram a jovem com bicadas entre as asas abertas. Surpresa e derrotada, Fang foi forçada a abandonar a luta e meditou profundamente sobre o que havia acontecido.

Fang estava sendo treinada em artes marciais por seu pai, mestre de Chuan Fa, uma luta chinesa ocidentalizada e generalizada como Kung Fu. Seu pai, zeloso e preocupado com a segurança e a saúde mental e física da filha, a submetia a um rigoroso treinamento diário.

A jovem, cativada pelos movimentos dos grous brancos, inspirou-se neles para criar ataques e contra-ataques de combate, logo incorporados ao seu treinamento diário. Assim nasceu o estilo de Kung Fu conhecido como Grou Branco de Fujian , ou luta do Grou Branco, praticado no sudoeste da China. Seus movimentos são leves e graciosos, porém poderosos e vigorosos, criados pela jovem Fang Qiniang, e logo encantaram o povo de Fujian.

A técnica se espalhou pela China e Ásia, chegou às ilhas de Okinawa, transcendeu as brumas do tempo, existe e é praticada até hoje.

Kanga Sakugawa'Sensei


Kwang Shan Fu (Kusanku), militar, monge e embaixador em 1750.

Em 1750 a última dinastia imperial chinesa reinava há mais de cem anos. E foi o rei Qing (Qingé Tchin) que deu nome à China moderna.

Em busca de aproximação política e comercial com as ilhas de Ryukyu (Okinawa), o imperador Qing enviou para a cidade de Shuri, capital das ilhas, o militar e embaixador Kwang Shan Fu (Kusanku) natural da província de Fujian, onde estudara e aprendera a arte marcial do Grou Branco criada pela menina Fang Qiniang.

Ao chegar a Shuri como representante oficial do imperador chinês, foi recebido com grande respeito, tanto pelas autoridades quanto pela população local.

Dada a dificuldade notória dos japoneses em adaptar-se aos sons de línguas estrangeiras, o embaixador logo passou a ser chamado Kusanku, uma corruptela fonética de Kwang Shan Fu.


Shuri-te, a fusão do (Te)=(Mão) de Ryukyu com o (Fujian White Crane).

Em sua nova moradia na cidade de Shuri, Kusanku'Sensei logo estabeleceu forte relação de amizade com um dos maiores mestres de (Te) das ilhas Ryukyu, Peichin Takahara'Sensei (1683 – 1760)

Takahara'Sensei era também de casta militar, estudioso de astronomia e cartografia. Consta que ele desenhou os primeiros mapas das ilhas de Okinawa.

Naquela época, Takahara'Sensei, já com idade de 68 anos, mantinha o ensino e prática da luta marcial das ilhas, conhecida como (Te). Entre seus alunos, destacava-se um jovem de 18 anos, Kanga Sakugawa (1733 – 1815)

Reconhecendo o potencial do aluno nas artes marciais, ele o recomendou a seu amigo Kusanku'Sensei para treinamento. Assim, Sakugawa, o aluno de (Te), tornou-se discípulo de Kusanku'Sensei.

Virou uma lenda em Shuri pelas suas habilidades marciais. Ficou conhecido como Tode Sakugawa (Sakugawa Mão Chinesa). O aluno viajou com o mestre em mais de uma oportunidade para a China, onde permanecia por longos períodos de tempo, a treinar no Templo Shaolin de Fujian.

Tode Sakugawa resolveu consolidar as técnicas e práticas aprendidas ao longo de sua vida, unindo o (Te), aprendido em Okinawa, com os ensinamentos do mestre chinês Kusanku'Sensei. 

Então criou um Kata como forma de treinamento de combate, que denominou Kata Kusanku. Conseguiu assim, além de homenagear, imortalizar o nome do mestre que tanto lhe ensinou.

Nunca conseguiu formar um discípulo, apesar de uma promessa a seus mestres de que o faria. Até que, em 1812, com a idade de 79 anos, para honrar sua promessa, aceitou um aluno, filho de um amigo, adolescente encrenqueiro e problemático: o jovem Sokon Matsumura (1809 – 1899).

Gichin Funakoshi'O-Sensei


Sokon Matsumura'Sensei, fundador da escola Shorin-ryu

Destaca-se um dos rigorosos treinamentos onde o jovem Matsumura era amarrado a um tronco de árvore, de modo a não poder se esquivar ou recuar frente a um ataque. Recebia uma sequência de socos e chutes, e assim logo adquiriu perícia e fama.

Conheceu uma jovem, Yonamine Chiru, também reconhecida por suas habilidades em lutas e artes marciais. Yonamine, que vinha de uma família famosa nas ilhas pelas características guerreiras, propalava que jamais se casaria com um homem que fosse menos habilidoso que ela.

Então, Sokon Matsumura demonstrando a sua habilidade a encantou; tomou-a para o que seria o casamento da sua vida. Tornou-se o principal oficial militar a servir o rei Sho Tai, o último rei de Okinawa, antes da anexação final das ilhas ao Império Japonês em 1879.

Matsumura'Sensei manteve o ensino e assim disseminou o Kata Kusanku. O Kata é praticado até os dias de hoje, em escala mundial, como um dos principais da escola Shorin-ryu.


Gichin Funakoshi'O-Sensei  (1868 – 1957)

Yasutsune Itosu'Sensei, secretário do rei Sho Tai, e Yasutsune Asato'Sensei, conselheiro real e senhor da vila de Asato, foram os principais discípulos de Sokon Matsumura'Sensei.

Ambos foram os mestres de Gichin Funakoshi'O-Sensei. Mesmo assim, O-Sensei'Funakoshi também teve oportunidade de treinar diretamente  com Matsumura'Sensei , apesar da grande diferença de idade.  

E assim, mais tarde, O-Sensei'Funakoshi, para conseguir a aceitação e inclusão do Karatê-Dō na cultura japonesa, fez pequenas alterações da forma, sem alterar a estrutura do Kata Kusanku, e o renomeou, chamando-o Kanku-Dai.

Expressa a união do céu, da terra e do seu praticante, enfrentando inimigos imaginários atacando de todas as direções. O grande movimento circular inicial, visto por um praticante de Fujian White Crane, simboliza as asas do grou.

Era o Kata preferido de O-Sensei'Funakoshi!

Até hoje, passados 370 anos, em nossos treinamentos rotineiros de Kanku-Dai, estamos a repetir os movimentos circulares das asas do grou, e assim, tornamos perene a inspiração e a criatividade da menina chinesa Fang Qiniang.

Por Luiz Alberto Küster

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Karatê-Dō Shotokan Ortodoxo: (publicado neste blog em 2015)

Seguimos os preceitos tradicionais do legado através da prática séria no estudo vivencial da Honorável Arte do Karatê-Dō original criado pelo fundador Gichin Funakoshi’O-Sensei!


O Karatê-Dō “Shotokan Ortodoxo” não é esporte, visa o auto aperfeiçoamento construtivo através do Budō (conter o conflito) e segue seus princípios considerando a essência, a estrutura e o alicerce da sua Arte original.

Gichin Funakoshi’O-Sensei jamais criou sua Honorável Arte com intuito de formar atletas, competidores, esportistas ou qualquer relação com tal gênero. Muito menos idealizou isto para o futuro das novas gerações!
 
Seu objetivo é mostrar o “Caminho” e tornar-se um modo de vida para cada um e consequentemente um ideal a ser atingido. O próprio “Caminho” colocar-lhes-á suas próprias dificuldades; estas darão a compreensão; a compreensão dará o conhecimento das leis da natureza e finalmente, com o conhecimento das leis da natureza, o conhecimento de si mesmo.

Atualmente existem no mundo diversas organizações relacionadas ao “Shotokan” porem já com varias ramificações e de múltiplas entidades regendo sobre o mesmo nome, infelizmente gerando distorções e interpretações variadas com relação a sua arte marcial original, principalmente enfatizando a competição desportiva como meta.

O sentido filosófico ideológico do Karatê-Dō de O-Sensei Funakoshi refere-se aos aspectos da sabedoria de vida ou modo de viver, de sua conduta para consigo e assim para com os outros e neste sentido conduzir-nos a uma vida com sabedoria, segurança, equilíbrio e Paz, buscando e priorizando unicamente o desenvolvimento no domínio sobre nós mesmos.

Como o próprio nome já diz, no Karatê-Dō “Shotokan Ortodoxo” não existe competição desportiva de nenhum tipo, em vez disso, mantém-se fiel aos ensinamentos originais do Karatê-Dō como O-Sensei desejava!

Provavelmente aquilo que o leitor conhece ou ouviu sobre " Karatê-Dō" se refere a esporte de competição, uma definição infelizmente contraria ao seu real conceito e finalidade. Lamentavelmente o nome " Karate " não constitui hoje um símbolo de qualidade.

Muita coisa aconteceu desde que, em Abril de 1922, Gichin Funakoshi’O-Sensei foi incumbido pelos seus mestres em Okinawa de apresentá-lo publicamente no Japão.

Infelizmente como o próprio Fundador escreveu em 1956, nem todos os caminhos desde então abertos, foram para si motivo de orgulho. Particularmente, o caminho da competição desportiva no "Karate", foi claramente recusado pelo mestre!

Hoje só no Brasil mais de 90% das associações de "Karate" se dedicam à competição desportiva.

Certamente o “Caminho” do Karatê-Dō de O-Sensei é o oposto!

Prof. Sylvio Rechenberg


terça-feira, 18 de novembro de 2025

Ser ou não ser, eis a razão!

Todos,  somos fracos ou fortes com relação a um número inimaginável de "coisas" que vivenciamos ao longo do tempo. Enquanto alguns são "fortes", outros já são "fracos" nas incontáveis situações. Alguns têm a capacidade de "construir", sendo "fortes", enquanto outros têm a capacidade de "destruir", sendo "fracos", às  vezes a si próprios. A questão é com o "ego e os outros". Contudo, tais particularidades podem mudar com o tempo e com as circunstâncias encontradas no “caminho”. Por vezes, nós mesmos as causamos, outras vezes, as tais circunstâncias, aparecem de uma hora para outra e quando menos esperamos, estamos diante delas, que até então eram desconhecidas, ou mesmo ignoradas e até desprezadas por serem desafiadoras. E assim, na estrada da vida amadurecemos, para então aprendermos a conhecer um pouco mais sobre nós mesmos e assim  sobre os outros. Esse é o "caminho" do Karatê-Dō  de O-Sensei’Funakoshi, onde ser "forte" ou "fraco" a vida manifestará!

Prof.Sylvio Rechenberg

sábado, 8 de novembro de 2025

Cultivar é preciso, precioso é o cultivo!

YUCHOKU HIGA'Sensei (1910-1994) (Shorin-ryu Kyudokan de Okinawa), costumava dizer: – “ Kata ya Kasadame, waza ya waza sadameta " (Kata deve ser feito com as técnicas estabelecidas e as técnicas devem ser aplicadas de acordo com seus princípios). Nada deve ser mudado!


Um Kata nunca muda, quem deve mudar é quem o pratica! 

Prof.Sylvio Rechenberg

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Muitas Armas (escrito por O-Sensei'Funakoshi)

Página 91 do livro de O-Sensei (Karatê-Dō - O meu modo de vida) 


Muitas Armas (Texto resumido):

Muitas pessoas têm a impressão equivocada de que as armas do Karatê-Dō são apenas as mãos (fechadas ou abertas), os braços, os pés e as pernas. Entretanto, não é exagero afirmar que todas as partes do corpo, desde o topo da cabeça até a ponta dos dedos dos pés, podem ser usadas como arma. Quase não há partes do corpo que não possam ser utilizadas dessa forma.
Gostaria de descrever rapidamente as partes mais frequentemente usadas, bem como a maneira mais eficaz de empregá-las.
Certamente, devemos começar com o SEIKEN, o punho normal, pois esta é a arma mais básica do Karatê-Dō, além de ser a mais utilizada. Ele é formado apertando os quatro dedos contra a palma e posicionando o polegar entre os dedos indicador e médio. Se o polegar for inserido mais profundamente, há risco de machucá-lo ao desferir um golpe; portanto, deve-se ter extremo cuidado para que ele não ultrapasse o dedo médio.
As juntas formam um ângulo mais agudo do que reto. No início, será difícil formar o punho corretamente, e o praticante se cansará rapidamente, mas com prática contínua, acostumar-se-á e conseguirá fechá-lo com firmeza. Além disso, os nós dos dedos ficarão bem desenvolvidos e formarão uma saliência semelhante a um calo, enquanto as bases dos dedos formarão pelo menos ângulos retos. Em praticantes experientes, o ângulo se torna agudo.
Um momento propício para praticar a conformação do SEIKEN é durante o banho. Recubra as mãos com sabonete, de modo que os dedos fiquem escorregadios; em seguida, abra e feche os punhos da maneira descrita, o maior número de vezes possível.
O novato perceberá que, ao liberar o golpe com o SEIKEN, a mão tende a dobrar no punho. Um golpe desferido com o punho dobrado nunca é eficaz e há sempre o risco de torcer o pulso.
Quando usado corretamente, a junta do dedo médio atinge o oponente em um golpe direto, com toda a força do braço que o acompanha. O SEIKEN pode ser apropriadamente chamado de "coração do Karatê-Dō" e deve ser praticado diariamente e com extrema meticulosidade. Se não for totalmente eficaz, todos os Katas e Kumite tornam-se inúteis.
A maneira mais popular de treinar o SEIKEN é utilizando o makiwara...
Além disso, o makiwara também fortalece a mão em espada (SHUTO), os cotovelos e os joelhos. Não é exagero afirmar que a prática com o makiwara é a base para a formação de armas vigorosas.
No início, o principiante sentirá dor considerável nos punhos ao golpear o makiwara; por isso, recomenda-se recobrir a palha com uma toalha. Após preparar o makiwara, o praticante assume a posição meio-frontal (hanmi) diante dele, garantindo que a distância entre ele e a coluna seja suficiente para que o punho alcance o alvo. Dobra os joelhos completamente e baixa os quadris. A mão esquerda permanece fechada à frente, a cerca de quinze centímetros do makiwara; a mão direita, também fechada, fica junto ao quadril, palma voltada para cima. Os olhos ficam fixos no makiwara, e a força concentra-se no abdome inferior (Tanden).
O ponto mais importante é a posição: as pernas devem estar firmemente plantadas no chão. Em seguida, vem o golpe em si: o punho direito, fechado e próximo ao corpo, é lançado contra o alvo; simultaneamente, o quadril direito gira na direção do alvo com toda a força possível, enquanto o punho esquerdo, fechado e a quinze centímetros do makiwara, é projetado para trás, no lado esquerdo. Ao atingir o alvo, o punho direito deve girar rapidamente, em um movimento de saca-rolha, tornando o golpe mortal. Essa ação é difícil de controlar e deve ser praticada indefinidamente.
Sugere-se que o principiante golpeie o makiwara com força leve no início, aumentando gradualmente até se acostumar com um golpe mais vigoroso. Ao final, será possível desferir golpes com toda a força. Mesmo um novato que golpeie suavemente pode sentir dor na mão ou apenas tocar levemente o alvo, o que pode causar contusões ou inchaço. O inchaço pode ser aliviado mergulhando a mão em água gelada, mas contusões exigem que o treino seja interrompido até a recuperação.
Reforço dois ou três pontos fundamentais sobre o SEIKEN: a posição deve ser baixa, os quadris devem girar rápida e vigorosamente, e o punho deve aplicar toda a força do corpo. Uma observação adicional: um praticante que se vangloria de formar calos nas juntas dos dedos ainda não compreendeu o verdadeiro significado do Karatê-Dō. Quem pratica Karatê-Dō apenas como calistenia não precisa usar o makiwara; é possível executar todos os movimentos necessários sem desferir golpes.
Outro golpe importante além do SEIKEN é o URAKEN, desferido pelo dorso do punho, em que a parte que atinge o adversário corresponde principalmente às juntas do primeiro e segundo dedos. Ao treinar com o makiwara, deve-se garantir que as juntas dos quatro dedos atinjam o alvo. O URAKEN é eficaz para atingir o rosto, as axilas e os lados do tronco, especialmente em ataques laterais do oponente.
O TETSUI, ou punho-martelo, é formado com o polegar entre os dedos, como no SEIKEN, mas a parte que golpeia é a palma localizada sob o dedo mínimo. Embora alguns considerem este golpe menos eficaz, quando bem treinado com o makiwara, o TETSUI é extremamente poderoso. Apesar de a área que atinge o alvo ser macia, ela não sofre danos significativos, tornando o TETSUI ideal para golpear punhos ou outras juntas do adversário.
A mão em lança (NUKITE) penetra o oponente com a ponta dos dedos, mantendo o polegar dobrado na palma e os dedos unidos e estendidos. Inicialmente, pode-se imaginar que os dedos sofrerão ferimentos, mas com prática, o NUKITE é eficaz contra o rosto e o plexo solar.
O SHUTO, ou mão em espada, é semelhante ao YOHON NUKITE, mas o golpe é desferido pela parte macia da palma sob o dedo mínimo. O makiwara é útil para fortalecer essa arma, que é especialmente eficaz contra pescoço, lados, braços e pernas do adversário.
EMPI, os cotovelos, são usados frequentemente de forma ofensiva e defensiva — seja quando o adversário tenta agarrá-lo, ataca pela frente ou lateralmente, ou ao realizar movimentos de defesa ou aproximação. Os cotovelos atingem rosto, cabeça, peito, lados e costas, além de protegerem o praticante e permitirem golpear as pernas do oponente em quedas. Por sua resistência, também podem ser usados eficazmente por mulheres e crianças, desde que haja prática adequada.
Movimentos de perna e pé são armas essenciais do Karatê-Dō, muitas vezes surpreendendo o adversário. Principalmente usados para chutar, também podem servir para bloqueios. Apesar de mais fortes que os braços, as pernas exigem muito treino para uso eficaz. Há também risco de perder o equilíbrio ao errar um chute, expondo o praticante a ataques.
KOSHI refere-se à sola do pé usada para golpear o adversário frontalmente, semelhante ao SEIKEN, mas exigindo que o pé esteja suficientemente retesado e a força concentrada no tornozelo; caso contrário, torna-se perigoso para quem o utiliza. O calcanhar (ENJU-KAKATO) é útil contra adversários que atacam pelas costas, tentando agarrar o corpo.

Gichin Funakoshi'O-Sensei

sábado, 18 de outubro de 2025

Caráter! (Publicado em 2012 nesse Blog Educativo)

Quando o entusiasta vem até junto de uma fonte, crê que a fonte seja sua "luz". Logo, o entusiasta já é parte da fonte e dela se vale para a vida. Adiante vão meses, anos de prática intensa, sacrifícios e luta sem fim. Cada dia é uma vitória e cada vitória é uma soma na trajetória do "caminho" almejado. Passos lentos, firmes, decisivos, construtivos, fundamentados com o suor na fronte, criam raízes e se mantêm.

Até que o exterior começa a falar mais alto que o interior, geralmente nas fraquezas. Muitas vezes envolto por familiares próximos e amizades duvidosas, aos poucos se desvia e corrompe a jornada.

Muitas barreiras, tropeços e fracassos são oriundos das influências paralelas. Influências que distorcem a continuada e aguerrida busca interior genuína. Não raro se vê pessoas manipuladas por falsas expectativas, ansiedades, objetivos vazios, pretensões infantis, ilusões materiais e inversão de valores.

Contudo, aqueles que ultrapassam o limite do ego e de tudo que dele provém, se incorporam na vasta casta do legado superior, desbravado pelos homens de aço que se forjaram na imutável e inabalável manifestação de um "caráter samurai"!

Prof. Sylvio Rechenberg

quarta-feira, 8 de outubro de 2025