domingo, 18 de março de 2018

Agradeça!


Agradeça a Deus pela graça de poder respirar e se movimentar livremente;
Agradeça por receber a inspiração em praticar com dignidade e virtude;
Agradeça pela capacidade de compreender e de vivenciar o “Caminho” a cada dia;
Agradeça o estar presente de tudo que te rodeia e que te move em seguir adiante;
Agradeça ao adentrar e agradeça ao sair da tua casa e do teu Dōjo;
Agradeça no inicio e no final de todas as coisas;
Agradeça na presença e na ausência dos demais;
Agradeça teus acertos e os teus erros em cada lição;
Agradeça o sentimento de gratidão que te torna mais humilde e te faz aquietar;
Agradeça pela paz que se manifesta em ti!

Prof. Sylvio Rechenberg

quinta-feira, 8 de março de 2018

Como você pratica seu Karatê-Dō?

Relembrando uma antiga lição de Matsumura’Sensei:

" É essencial compreender o verdadeiro significado do treinamento de uma arte marcial. Eu especifico essa atitude abaixo e você irá compreendê-la melhor.

Em primeiro lugar, os caminhos do “estudo” e da “arte marcial” são baseados num mesmo princípio; e cada “Caminho” tem três espécies.

As três espécies no “Caminho do estudo” são: (estudo da literatura; exegese, estudo analítico detalhado e cuidadoso; e o estudo do confucionismo).

O estudo da literatura: consiste em dedicar-se, concentrando-se nos belos escritos e é válido para obter uma melhor situação social e uma boa renda.

O estudo "exegese" (analítico detalhado e cuidadoso): visa compreender melhor o significado dos textos confucionistas e ensinar aos outros. É um estudo para um melhor conhecimento, mas através dele não se pode aprofundar no “Caminho”.

Estes dois estudos só permitem obter honras nas letras e não os chamo de estudo real!

O estudo do confucionismo: consiste em conhecer o essencial de tudo no “Caminho”, transformar a própria vontade, corrigir a mente e, desse modo, administrar a família, governar o país e manter a paz. Este é o estudo verdadeiro, o estudo que se adéqua a um confucionista.

As três espécies no “Caminho da arte marcial” são: (a arte marcial do intelectual, a arte marcial do pretensioso e a arte marcial do Budō).

Na arte marcial do intelectual: pensa-se nos diferentes modos de treinamento e que se muda com frequência sem se aprofundar em nenhum. Muitas técnicas são praticadas, mas a prática é como uma dança e não podemos aplicá-las em combate. São bastante superficiais.

Na arte marcial do pretensioso: movimenta-se muito sem realmente treinar, mas muitas vezes fala de suas façanhas gloriosas. Subjugando e confrontando os outros. Dependendo das circunstâncias, arrisca a se destruir ou desonrar a sua família.

Na arte marcial do Budō: alcançamos coisas por uma elaboração permanente e constante, permanecemos calmos mesmo quando os outros estão agitados e ganhamos amansando o espírito do oponente. Ao se amadurecer na arte, se consegue manifestar as habilidades superiores e sutis de uma pessoa, estar tranquilo e sereno em qualquer situação, não estar descontrolado. E se é leal, lealdade ao seu senhor e a seus pais, capaz de se tornar um tigre feroz ou uma águia virtuosa; com a velocidade de visão de um pássaro, você pode derrotar qualquer inimigo.

O objetivo da arte marcial é conter a violência, tornar os soldados pacíficos, proteger as pessoas, desenvolver a qualidade do individuo, assegurar a tranquilidade das pessoas, criar uma harmonia entre todos e depois beneficiar a sociedade.

Estas são as sete virtudes da arte marcial de que Confúcio exalta. Assim, o princípio é único para o “estudo” e para a “arte marcial”. Inútil são as artes marciais do intelectual e dos pretensiosos!
Eu quero que você continue, no sentido da “arte marcial do Budō”, e seja capaz de reagir adequadamente às situações conflitantes e dominá-las.
Eu escrevi acima sem qualquer hesitação, porque é com esse espírito que você deve continuar a aprofundar seu treinamento! "

Obs.: Texto sintetizado!
Matsumura Sōkon (松村 宗棍)

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Budō (Uma arte para a vida!)

"Segundo Gichin Funakoshi’O-Sensei, situando-se o combate de Karatê entre a vida e a morte, não podemos treinar seriamente senão através das formas de combate convencionais, através das quais cada um se esforça por ultrapassar os seus limites."

Admitindo que a vida é luta, duas perspectivas se pode colocar:

Podemos pensar nela como uma luta pelo pódio onde é preciso subir, custe o que custar, vencendo para isso os nossos semelhantes vistos como competidores.

Ou podemos vê-la como uma luta pela “Vida” que se pode percorrer em harmonia e respeito pelos outros, parando o conflito (Budō) e sabendo usar a nossa força e a do nosso semelhante com benefícios mútuos!

José Patrão’Sensei

domingo, 18 de fevereiro de 2018

O coração do Karatê-Dō!

" O mestre’Funakoshi era solicitado frequentemente pelos exemplos descritos na sua requintada caligrafia, e uma das expressões que costumava escrever e apresentar aos outros era: "Não vá contra a natureza". Essas palavras, que têm um significado profundo, transmitem uma máxima para ser estritamente observada.

É difícil definir a natureza em palavras. O sol, a lua e as estrelas são parte da natureza, assim como o homem, a própria existência e o movimento de todas as coisas. As flores que florescem na primavera e as folhas que caem no outono são fenômenos naturais, assim como o nascimento de um homem, seu crescimento e envelhecimento, e sua morte. Terra, água, fogo, vento, neve e chuva são partes da natureza, da qual temos muito a aprender. Mas não importa o quanto o homem se opõe a natureza, ele não tem a menor chance de ganhar.

Em nossos movimentos físicos, existem aqueles que são naturais e outros que não são. Através da prática, podemos aprender a diferenciar entre os dois e também aprender a adquirir movimentos naturais. Nós também devemos aprender o poder que a natureza nos dotou e como usá-lo, pois um homem tem uma grande força oculta de que ele não conhece. O exemplo das proezas prodigiosas de força e resistência exibidas durante períodos de estresse, como nos incêndios e inundações, vem à mente. Esses são às vezes descritos como "super-humanos", mas será isso realmente o caso? Embora a pessoa que realizou tal façanha não tenha consciência de que ela possuía tal poder, acredito que tais poderes são a doação da natureza e podem ser desenvolvidos por alguém que treina com seriedade e com perseverança.

Gostaria de colocar uma questão muito crucial: se em vez de se opor aos movimentos do seu oponente, você se harmonizar com ele de forma natural, o que aconteceria? Você descobrirá que você e ele se tornaram como um, e que, quando ele se move para atacar, seu corpo se moverá naturalmente para evitar o golpe. E quando você se tornar capaz disso, você descobrirá um mundo completamente diferente que você não sabia que existia. Quando você é como “um” com seu oponente e se move naturalmente com ele sem oposição, então não existe como um atacar primeiro. O significado de “Karate ni sente nashi” (* "Não existe primeiro ataque no Karatê") não pode ser entendido até que você alcance esse estado. (*sobre o espírito de agressão!)

Através da cortesia, você terá uma atitude humilde com relação ao seu oponente em treinamento e irá agradecê-lo. Sem essa atitude, não pode haver treinamento no sentido verdadeiro. Mas se o seu objetivo é bater seu oponente sem sentido, você não pode atingir esse estado. No treinamento e na prática reais, a raiva, o ódio e o medo estão completamente ausentes. É importante saber que não se pode abrigar intenção homicida, nem inimizade, nem oposição, nem resistência, contra o oponente. Quando você alcança este estado, você se tornará “um” com seu oponente e você poderá se mover naturalmente de acordo com seus movimentos. Isto, então, é o objetivo, fisicamente e espiritualmente de treinar e praticar o Karatê. Mas é um estado que apenas pode ser alcançado através de uma prática extenuante. "

Shigeru Egami’Sensei

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O "Vazio" dentro do Taoismo.


Resumo do texto original:

A cultura chinesa é uma das mais antigas da Terra e a única das grandes civilizações da antiguidade que possui história contínua, desde 7.000 a.C. Descobertas arqueológicas como o "homem de Pequim" mostram que a área onde se iniciou a civilização da China é habitada já há 800.000 anos.

Infelizmente as maneiras como eles expressam esse conhecimento são diferentes das nossas, o que levou diversos especialistas ocidentais a menosprezarem este tesouro.

O Taoismo, não apenas é uma filosofia autóctone da China como tornou-se posteriormente a única religião nascida em solo chinês, já que o Budismo é indiano e o Confucionismo não é religião.

Dentro dos conceitos mais importantes da filosofia chinesa e do Taoismo em particular, um que se destaca é o “Vazio”. A importância do “Vazio” nunca foi subestimada pelos chineses, que afirmavam que tudo o que existe só possui essa realidade porque um espaço "Vazio" permitiu que existisse. O filósofo grego Demócrito (460 a.C.-370 a.C.) foi o primeiro ocidental a chamar a atenção para o “Vazio” ao afirmar que no Universo "há apenas átomos e "Vazio"". Os chineses foram além ao afirmarem que a própria existência do universo dependeu da existência de um "Vazio" original, chamado de “Vazio Primordial”.

Para nosso universo existir foi necessário que houvesse um "Vazio" que o pudesse conter, pois nada poderia existir sem um espaço para que existisse. Esse “Vazio primordial” é chamado em chinês de "Wuji" (無極, “Vazio supremo”), e faz parte dos conceitos cosmológicos chineses principais. É um termo muitas vezes utilizado para se definir o infinito, o que não tem limites, e também um estado de vacuidade absoluta, não representado apenas pela ausência de tudo, mas uma vacuidade que tende à transcendência já que é a matriz de tudo o que existe.

A existência depende inteiramente da não-existência que a precede.

Na vida cotidiana, em nossa escala normal, também o "Vazio" possui grande importância.
Assim, da existência vem o valor e da não-existência, a utilidade!

Lao-Tze nos mostra que um vaso pode ser feito de diversos materiais e possuir muitas decorações, mas é o "Vazio" em seu interior que o torna útil. Um vaso de ouro é muito mais valioso que um feito de barro, mas a utilidade dos dois é a mesma e depende inteiramente do "Vazio" interno.
Nos seres humanos também o "Vazio" é imprescindível. Não existiríamos sem o espaço "Vazio" que há na mulher, que chamamos “útero”. É ele que permite ao embrião crescer e tornar-se uma nova pessoa.

É comum que o "Vazio" é que dê substância e vida à pintura chinesa, podendo se tornar um rio, um lago, a névoa, dependendo da visão do artista, que se utiliza deste espaço em branco para expressar sua sensibilidade. Apesar de ser uma não-existência, o "Vazio" surge como algo quase tangível em um processo de cognição espacial sem igual.

Nas Artes Marciais e técnicas terapêuticas chinesas como o “Qi gong”, o movimento começa a partir de uma postura em pé, com os braços pendendo naturalmente ao lado do corpo, relaxada, com a mente livre de pensamentos e o olhar focado no infinito. É o estado de “Wuji”, do qual partem os movimentos.

Devemos procurar nos familiarizar com o "Vazio" em nossas vidas! O Vazio de ruído, o Vazio de pessoas em volta, o Vazio de pensamentos tumultuados, o Vazio de celulares e redes sociais. Somente a partir do “Vazio” podemos começar a ouvir o “Tao”.

Texto original:
http://taoismo.org/modules/smartsection/item.php?itemid=55

domingo, 28 de janeiro de 2018

"O Livro do Caminho e da Virtude".

Trinta raios convergem para o meio de uma roda
Mas é o "espaço vazio" em que vai entrar o eixo que a torna útil.

Molda-se o barro para fazer um vaso;
É o "vazio" dentro dele que o torna útil.

Fazem-se portas e janelas para um quarto;
É o "vazio" que os torna útil.

Por isso, a vantagem do que está lá
Assenta exclusivamente na utilidade do que lá não está.

Tao Te Ching (道德經), Cap. 11

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

O "Caminho" - Dō 道 (japonês) / Tao 道 (chines)

Para os estudantes sérios de artes marciais clássicas este seriado é um tesouro que vale a pena rever e atentar com bastante reflexão.
Kung Fu foi um seriado de televisão estrelado por David Carradine na década de 70.
Em cada um dos 63 episódios da série tem várias passagens onde o monge “Kwai Chang Caine” recebe orientações e os ensinamentos no lendário templo Shaolin, famoso mosteiro budista localizado na província de Henan, na China.
Como muitos já sabem, nele viveu, no século VI, o 28º patriarca budista Bodhidharma, onde criou o estilo Chan (Zen) do Budismo, bem como o desenvolvimento do Wushu de Shaolin.
Historicamente fundamentado a ideologia e a filosofia do Karatê-Dō de O-Sensei'Funakoshi preservam profundamente enraizados estes princípios milenares de sabedoria e vivenciamento de sua arte ancestral. Seguem abaixo algumas das passagens do filme piloto da série.