quinta-feira, 29 de novembro de 2018

"Competição?"

Estudar Karatê-Dō não é confrontar, mas confrontar-se!

Porque existem pessoas querendo lutar contra outras pessoas?
Lutar sem legitima razão, simplesmente para derrotar o outro?
Derrotar por quê? Porque uma vida se coloca perante outra, visando “conflito” por puro prazer?
Esporte provocando e alienando discórdia? Que benefícios reais justificam tal ato? Em troca de medalhas, troféus, títulos ou tolices do gênero? Nada provam além de um jogo que exclui!
Que exemplo formativo se obtém aos leigos aspirantes ao “caos”?
E aos jovens que se espelham na pura violência conforme o modismo das massas manipuladas pela mídia tendenciosa e completamente mal informada, apoiando a decadência mascarada de “arte marcial”?
Milhões se dedicam a salvar, educar, valorizar, ou simplesmente cuidar, enquanto outros tantos em destruir ao invés de edificar!
O corpo é um bem "precioso" emprestado para um espírito!
Uma obra prima, divina, composto por um universo perfeito, singular, insubstituível, inigualável.
Milhões fazem desta “propriedade” passageira, uma ferramenta construtiva.
Enquanto ferramenta, alguns mantêm vigiada sua consciência, pois se do corpo a virtude se ocupar, será duradoura a recompensa.
Mas se a fraqueza do ego for mais forte que a virtuosa sabedoria, então de nada valerá qualquer tipo de esforço, pois tudo é vaidade.
Enquanto criança, mantem inocente a consciência, que logo se corrompe pelos modismos, culturas e os equívocos humanos de toda sorte.
Pela baixa estima, muitos ocupam seu corpo com coisas do ego e até se transformam por ele, causando sequelas irreversíveis, irreparáveis para si e às vezes aos outros.
A verdadeira razão de lutar não esta na disputa primitiva por uma condição na satisfação do ego, mas para que a vida se manifeste por inteiro, com dignidade e harmonia, sem absolutamente nada mais além de uma agradável sensação de paz, que por sua vez somente a consciência pura consegue decifrar. Sem precisar competir ou comparar!
Tal estado não tem discórdia, nem inveja, nem temor, nem falsidade, não tem rancor, nem maldade, nem cobiça, nem ao menos ilusão, mas tem tudo que somente um “coração” é capaz de sentir, a autentica gratidão sem segundas intenções ou interesses!
Gratidão por compreender que somos todos iguais e preciosos perante “Deus” e que cada um de nós, como um todo, tem a responsabilidade de atentar e lutar incansavelmente pela transformação construtiva do “Ser” humano ao invés de mergulhar na irracionalidade nociva do ego mundano, tipicamente exposta num clima de confronto de ocasião, como numa competição de Karatê!  
Quando O’Sensei Gichin Funakoshi acrescentou a palavra “Dō” “Caminho”, a sua Honorável Arte passaria a transformar valores, princípios e costumes enraizados profundamente no passado da história, e desta maneira beneficiar milhões de pessoas em todo o mundo, que se valham ainda hoje dessa ”Via”.
E foi com um coração bondoso e repleto de responsabilidade pelo futuro das novas gerações é que idealizou e fundou sua obra nos moldes de um caráter pacifico, mas disciplinado e inspirado expressamente na retidão de conduta, o caráter!  
Em meio às fraquezas do homem em pleno terceiro milênio, ainda prevalece à vontade de ser mais e melhor do que o semelhante em confrontos físicos diretos, ainda existe a necessidade de ferir de alguma forma para satisfação da primitiva condição de poder, onde existe um vencedor, um perdedor e “aloprados” colaboradores!
Um lamentável retrocesso nas Artes Marciais do Oriente!
Os antigos mestres fundadores das escolas no passado de tudo fizeram ao contribuir para apaziguar o instinto de agressividade e a tendência natural ao caos e o conflito entre as pessoas, através de métodos e sistemas sabiamente elaborados e criteriosamente desenvolvidos para serem utilizados como ferramentas virtuosas na promoção da Paz e da harmonia em sociedade, a favor do homem e em conformidade com a natureza divina. Jamais por intermédio de qualquer tipo de competição ou entretenimento, muito pelo contrário!
Como pode o equilíbrio do Oriente ser  tão barbaramente contaminado pelo Ocidente? Como pode o Ocidente ter tanta necessidade de se autodestruir ao invés de construir? Com toda certeza não se trata de Oriente e Ocidente, mas unicamente de "pessoas" que ali se encontram de posse das circunstancias apropriadas, para então se valerem das oportunidades de se popularizar e enriquecerem as custas de um legado cultural e histórico! Coisa que naquele tempo, em 1940 e novamente em 1941, O’Sensei Funakoshi  já visionava e sabiamente orientava sobre o fato, proibindo todo e qualquer ato que assim se caracterizava!

Prof. Sylvio Rechenberg

Texto publicado neste blog em 29/11/2015
http://shotokan-ortodoxo.blogspot.com/2015/11/estudar-karate-do-nao-e-confrontar-mas.html

domingo, 18 de novembro de 2018

Relatos fundamentais de alguns renomados professores de outras escolas. (Parte II-B)

Kiichi Nakamoto’Sensei (Goju-Ryu)

domingo, 11 de novembro de 2018

Karatê-Dō não é esporte!

Se O-Sensei’Funakoshi estivesse presente no mundo atual, com toda a certeza estaria profundamente desolado e com grande amargura no coração!
Sua intenção ao apresentar o seu amado Karatê-Dō ao mundo jamais foi de torná-lo um jogo, uma forma de competirem uns com os outros. Isso ficou bem claro já em 1940, quando O-Sensei’Funakoshi “proíbe os seus alunos de executarem o"Jiyu Kumite" pelo desejo de competição, por essa prática induzir a um espírito de violência e assim contrária à essência do Budō (contenção dos conflitos)!
Sua vida toda foi dedicada ao desenvolvimento de uma Arte que proporcione ao ser humano uma forma de conduta moral que promova a contenção dos conflitos o (Budō)! Onde através da disciplina desprovida do ego, se consiga alcançar em plenitude a gratidão pela vida em toda a sua graça e mistério, se tornando uno com a natureza divina. E isso não tem nada em haver com competição, com lutas pelo “pódio”, não tem nada em haver com lutar para “ganhar”!
“Ganhar” uma luta (jogo) significa que houve a intenção de lutar (jogar) e quando a intenção de lutar (jogar) se justifica pelo ego se criou um conflito. Portanto não é Budō (contenção do conflito)!
Não existe competição no Karatê-Dō de O-Sensei’Funakoshi, razão pela qual em 1956 abandonou a organização que ele mesmo ajudou a fundar.
E para aqueles que afirmam que “competir” é um meio para desenvolver suas habilidades é preciso dizer que quanto mais praticam para “competir”, mais se tornam “competidores” e quanto mais se tornam competidores mais se distanciam do objetivo real do Budō (contenção dos conflitos). E quanto mais se distanciam do Budō (contenção dos conflitos) mais difícil se torna compreender e assimilar corretamente sua doutrina, mais complicado fica abandonar o ego!
Não se luta (jogo) com alguém para "ganhar", e se “lutar” for preciso, se “luta” para preservar a vida, única e tão somente; esta é a doutrina de O-Sensei!

Prof.Sylvio Rechenberg 

O-Sensei'Funakoshi

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Relatos fundamentais de alguns renomados professores de outras escolas. (Parte II-A).

Kiichi Nakamoto’Sensei (Goju-Ryu)

 

domingo, 28 de outubro de 2018

Oriente e ocidente!

O respeito e a dignidade das pessoas bem como a disciplina e a hierarquia são quesitos básicos, pontos fundamentais para que o homem civilizado possa viver em paz e em harmonia! A civilidade do homem vai depender da cultura na qual ele está inserido, de onde formará seus valores e da qual mostrará suas virtudes! Assim também na Honorável Arte de O-Sensei, a conduta, a forma de agir, de se comportar, de se manifestar, de praticar e de vivenciar o seu “Caminho” dentro e fora de um Dōjo vai depender da compreensão que o estudante já tem que por sua vez depende do tipo de informação que este mesmo estudante teve a respeito, irá depender da sua formação, do seu caráter e em que se fundamenta o verdadeiro propósito da sua busca ao praticar o Karatê-Dō de O-Sensei’Funakoshi.

Prof. Sylvio Rechenberg

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Indico a leitura!


Atualmente, as escolas de “artes marciais” se espalham por todo o mundo. No Brasil são inúmeras as linhas e correntes dessas artes orientais a se multiplicarem sem par, quer sejam de origem chinesa, coreana ou japonesa, enfim, o consumo pela população tem aumentado assustadoramente. Quando se pergunta a um aluno o porque de ele treinar “artes marciais”, logo vem aquela mesma resposta: “Bem, eu treino para me defender, a violência tem crescido tanto nos últimos tempos!”  Tal aluno encontra um ambiente propício, em muitas escolas, para extravasar sua ira interna e preparar seu corpo para a luta. As pessoas desde cedo são encorajadas e dirigidas para a competitividade! Nos discípulos mais jovens facilmente percebe-se as rivalidades brotarem, treinam muito para serem os melhores, para conseguirem uma faixa e então exibi-la como grau de capacidade e superioridade, enrijecem o corpo treinando seus músculos com a intenção de tornarem-se mais fortes, chutam cada vez mais alto, quebram o máximo de tijolos possíveis. Dessa maneira os discípulos mostram ao público e as pessoas em geral, como sua arte é boa e melhor que da outra escola. Desenvolvem técnicas e estilos e comparam com outros numa competitividade para saberem qual é o melhor. Torneios são organizados para que os alunos dessa ou daquela escola, desse ou daquele estilo, provem suas eficácias e vençam mostrando a superioridade de suas técnicas e de suas academias. Anos a fio venho observando, nas “artes marciais” em geral, comportamentos de alunos e “mestres”. O universo da maioria das pessoas é muito restrito, a sociedade em geral possui uma doutrina filosófico-social baseada no materialismo bruto e grosseiro, em todos os níveis de relações ocorrem às competições. As pessoas competem no trabalho, competem nas escolas, nos vestibulares, nos esportes, na religião, nas ciências, os países competem economicamente e sócio filosoficamente. O que importa as pessoas é encontrarem um “status” de soberania e poder social, não importando os caminhos e as lutas travadas para se conseguir tal feito. Em nosso mundo é necessário estar por cima e para estar por cima é preciso vencer, pois, quando se esta por cima se é o vencedor e existirá sempre alguém por baixo e muitos perdedores. No mundo materializado e bruto em que vivemos, pouco resta para o espírito e a alma, contudo, as antigas Artes da Mestria Oriental, caíram em total esquecimento por parte da maioria dos praticantes atuais. Antigamente os modelos dos discípulos eram seus líderes espirituais que sabiamente os conduziam à iluminação espiritual da alma. Hoje os jovens praticantes têm como modelos e guias filmes medíocres onde, só aparecem as lutas nuas e cruas dos tiranos do ódio, contra o aparente estado do bem e do amor. Os filmes com respeito a “Shaolin” são indescritíveis, usa-se o nome de “Shaolin” em títulos de quase todos os filmes. O consumismo de filmes de “artes marciais” é como o consumismo de filmes pornográficos ou de títulos sem aparente seriedade, fúteis. Nessas circunstâncias o jovem discípulo entra na academia para treinar Kung-Fu, com esses modelos em mente, sua meta é ser tão bom, forte e hábil quanto o astro do cinema, manejar armas brancas como ninguém. Poucos são os instrutores e mestres com capacidades e conhecimentos suficientes para introduzir e encaminhar o discípulo em outras direções, a maioria dos instrutores não possuem uma formação espiritual e filosófica à altura, sendo assim, sua escola será conduzida dentro dos padrões atuais da sociedade. Existem muitas escolas com intuito altamente comercial onde os instrutores estão na maioria do tempo preocupados com o número de alunos, para saber se o retorno será lucrativo ou não. Desta maneira o nível de aprendizado tende a decair. O que fazer diante de uma situação assim?

Texto na íntegra no link abaixo:


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Relatos fundamentais de alguns renomados professores de outras escolas. (Parte I)

Meitatsu Yagi’Sensei (Goju-Ryu):