domingo, 12 de junho de 2016

A Omissão!

Atualmente existe a tendência no interesse principal com a formação de "atletas" sem se importar com o “caráter” destes praticantes. Até que ponto pode-se ensinar habilidades de luta para uma pessoa com natureza violenta, incentivando e orientando assim sua capacidade destrutiva contra outras pessoas sem considerar a possibilidade de que tais ações podem vir a ser utilizados para o crime? Certamente que não se pode saber da educação ou da formação anterior desde a tenra infância, adolescência ou da fase adulta de uma pessoa, porem a demonstração sutil de alguns vestígios comportamentais de alguém quando começa a estudar e aprender sobre a Honorável Arte já se pode perceber nos primeiros passos do aprendizado. Cabe ao bom professor (sensei) conduzir e orientar de forma ética, responsável e qualificada a devida trajetória no desenvolvimento rigoroso e gradativo a se seguir conforme os desígnios tradicionais e as determinações normativas da Honorável Arte de O’Sensei Funakoshi. Contudo vale lembrar, o Karatê-Dô é para todos, mas nem todos são para o Karatê-Dô!

Prof. Sylvio Rechenberg  

domingo, 5 de junho de 2016

"Estudar Karatê-Dô não é confrontar, mas confrontar-se!"

Conceito formador:

Certamente confrontar é muito mais fácil do que conter o espírito de agressão, até mesmo bem mais interessante, mais empolgante, mais tentador, porem aquele que estuda e pratica corretamente a Honorável Arte de O’Sensei Funakoshi sabe muito bem o que significa expressar um sentimento onde é possível destruir ao invés de construir. A fraqueza humana se expressa constantemente em torno de nós, todos os dias somos surpreendidos com determinadas circunstancias que nos levam a refletir e consequentemente reagir conforme acreditamos ser o certo. É muito comum agirmos por impulso e logo depois nos arrependermos internamente por termos agido errado sentindo angustia e nos culpamos pelo ato. Em verdade cada um de nós precisa controlar tais impulsos negativos, destrutivos, que certamente levarão a ruína e então com aflição seremos guiados. Com a pratica aprendemos que devemos focar nos princípios que regem a ideologia e a filosofia de um “Caminho” virtuoso e como tal desprovidos de atitudes vãs, inconsequentes, insensatas, que deturpam valores, conceitos e virtudes que dignificam o “caminhar(agir,ser)” conforme o pensamento de O’Sensei Funakoshi em seus relatos de vida e sábias orientações dadas aos seus alunos enquanto ainda se encontrava entre os mesmos. Ao confrontar alguém não importa em quais aspectos, revelamos a natureza frágil e conflitante na qual vivemos e da qual somos guiados e até então incapazes de conter. Portanto estudar e praticar o Karatê-Dô de O’Sensei Funakoshi não é confrontar, mas confrontar-se constantemente!

Prof. Sylvio Rechenberg   

sábado, 28 de maio de 2016

O'Caminho!

Aquele que sente a responsabilidade sobre a continuidade da verdadeira obra da Honorável Arte de O’Sensei Funakoshi compreende que antes de mais nada é preciso optar entre dois "opostos" fundamentalmente distintos na razão, pois enquanto um segue a cabeça o outro segue o coração!

Prof. Sylvio Rechenberg

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Gichin Funakoshi'O-Sensei (1956)

"Estudar Karatê-Dô não é competir com os outros!"

Conceito formador:

Fico imaginando como seria a reação de O’Sensei Funakoshi ao ser indagado sobre competir com os outros, seria simplesmente uma afronta supor que sua Honorável Arte tenha sido criada por ele para esta finalidade tão tola. No entanto, mesmo sem sua devida autorização e consentimento, o enfoque pela competição é o que se seguiu logo após a sua morte em 1957. É muito triste constatar que a atual popularidade do “Karatê” se deve a sua equivocada divulgação e distorcida transmissão, orientando e incentivando praticamente exclusivamente ao “esporte” com objetivos lúdicos com títulos, medalhas e troféus. Constatando uma absoluta e lastimável “involução” ao seu nobre e legítimo propósito! Infelizmente o mundo moderno caminha nesta direção, estimulando e gerando mais e mais conflitos motivados pela ânsia de “poder” em detrimento dos demais, seja em que nível for. Mas o fato é que o Karatê-Dô de O’Sensei Funakoshi tem sua fundamentada raiz delineada para a superação e a contenção de conflitos, para o auto aperfeiçoamento construtivo e para a obtenção de hábitos salutares que visem a pacificação e assim a calmaria, o equilíbrio e a harmonia entre mente, corpo e espírito. A origem de todas as Artes Marciais se reporta a necessidade básica da sobrevivência humana na solução de conflitos onde a vida e morte estão em questão e não para beneficiar ao ego. Nos dias atuais da vida moderna os conflitos são outros, talvez bem mais articulados, invisíveis, mas atuantes e presentes ao nosso redor. É preciso atentar para as astucias, as armadilhas e artimanhas da vida moderna que por si só atormentam e influenciam a todos nós, então de maneira genial e com incrível sabedoria o Karatê-Dô de O’Sensei supre de maneira excepcional a nossa realidade presente e aponta em direção ao supremo exercício da pacificação de si mesmo para assim compreender que estudar a “Honorável Arte” não é competir com os outros, mas através da pratica verdadeira conter também este conflito!

Prof. Sylvio Rechenberg             

domingo, 8 de maio de 2016

“Essência imutável”!

Seria muito mais simples e agradável escrever textos atraentes, com palavras suavemente desenhadas para induzir o leitor a ter uma visão otimista sobre a realidade atual do “Karatê” e assim acordando ao descontrolado modismo da “competição” presente no dia a dia nestes tempos de “conflitos” da “vida moderna”. Conflitos causados principalmente pela falta de importância e desatenção aos aspectos morais na formação da conduta das pessoas e da insignificância e o quase esquecimento que se concede a história, aos seus antepassados e a sua consagrada sabedoria. Infelizmente é o que se constata de forma crescente e desenfreada em nosso meio. Discordo veementemente das facilitações de atitude que se constata quanto à responsabilidade e da crescente obstinação pela vantagem sobre os demais simplesmente para a própria satisfação do “ego” mundano, característica incansavelmente condenada pelas “artes marciais” tradicionais. Como professor a mais de trinta anos, optei pelo que foi “concretizado”, estabelecido em lei proferida e firmada ainda em vida aos seus discípulos pelo próprio fundador do Karatê-Dô, de cuja longa linhagem me estabeleci e constitui disciplina e, sobretudo a ética, valores fundamentais para a preservação da sua essência imutável e reta. Lamentavelmente a realidade atual nos mostra a conturbada e total miscelânea de organizações cujo papel principal é incentivar e apoiar a competição e a insignificante disputa entre pessoas em nome de um “esporte” que em verdade deveria se chamar de qualquer outra coisa, menos de “Karatê”, justamente pela completa discordância de atuação quanto ao real objetivo, bem como no que diz respeito à prática correta e do que é orientado por aí, contrariando aos ensinamentos de O’Sensei Funakoshi seu fundador. Como em tudo na vida, conforme o tempo passa se aprende muito sobre algo e também se aprende muito “sobre alguns” em especial sobre o caráter, tal fato faz com que a grandiosidade da obra se torne cada vez mais necessária e imperativa. Pouco importa se o populismo é mascarado pelo ego inflamado dos verdes anos de muitos aloprados de carteirinha, porem a causa maior da verdadeira finalidade do “Caminhar da Honorável Arte” esta na certeza do seu conceito derradeiro e na consequente constatação da consciência tranquila em fazer o que deve ser feito, sem questionar, sem bajular, sem corromper e sem jamais parar de lutar honrando ao “Caminho”!

Prof. Sylvio Rechenberg       

segunda-feira, 2 de maio de 2016

"Estudar Karatê-Dô não é exibir-se ostentando capacidades!"

Conceito formador:

No caso de um praticante de Karatê-Dô gabar-se pelos seus feitos, gostar de se exibir, e querer passar uma certa impressão de falsa “superioridade” aos demais, demonstra um sentimento de soberba, arrogância, ostentação, seja dentro ou fora do Dojo, seja em qualquer lugar e ocasião, não importa onde nem porque, e nem de que forma isso acontece, mas o fato é, que é absolutamente desrespeitoso e revela uma ação de indisciplina pois viola o princípio da humildade e da contenção de conflitos. Em seu livro “Meu modo de vida” de O-Sensei’Funakoshi, está repleto de exemplos de como um praticante de Karatê-Dô deve se comportar e como deve agir no seu dia a dia, portanto querer se exibir, se vangloriar, se esnobar seja de que forma for, está na contra mão da correta evolução do “Caminho” na Honorável Arte de O-Sensei’Funakoshi!  Esse comportamento é típico da baixa estima, típico da má formação de conduta e da falta de responsabilidade e comprometimento com a Arte! É um comportamento de quem ainda não compreendeu nada sobre o Karatê-Dô de O’Sensei Funakoshi! Nada justifica a prepotência! Vale lembrar que o objetivo primordial é conter o espírito de agressão e amansar o conflito interior, esforçando-se para manter um caráter virtuoso, sendo fiel ao verdadeiro caminho da razão, respeitando aos outros e observando a si mesmo, abstendo-se de qualquer espírito de agressão e violência! Logo, estudar Karatê-Dô não é exibir-se ostentando capacidades, mas tornar-se humilde, sereno, pacífico, em paz consigo mesmo, e com o mundo ao redor!


Prof. Sylvio Rechenberg