Na arte está implícito que o
artista desenvolva as suas capacidades físicas, mentais e espirituais e acabe
por conseguir uma harmonia interior capaz de o levar a exprimir tudo aquilo que
sente dentro e fora de si e o leve a continuar uma obra, que para ele,
eventualmente nunca estará terminada. Assim, será necessária muita
dedicação, humildade e um espírito de sacrifício, sem pensar no resultado final
ou em qualquer tipo de recompensa!
domingo, 10 de novembro de 2013
sábado, 2 de novembro de 2013
Arte Marcial e a "distorção"!
As
pessoas que não querem seguir os ensinamentos do Zen, a verdadeira base do
Bushido, não precisam fazer isso. Elas estão simplesmente usando as Artes Marciais
como diversão; para elas, são esportes como quaisquer outros. Mas as pessoas
que querem viver suas vidas em uma dimensão mais elevada “precisam compreender”.
Ninguém pode ser obrigado e ninguém pode ser criticado. Uns são como crianças brincando com carros de brinquedo, e os outros dirigem carros de verdade. Eu não tenho nada contra esportes; eles treinam o corpo e desenvolvem a energia e a resistência. Mas o espírito de competição e a energia que cerca isso não é uma boa coisa, isso reflete uma visão distorcida da vida.
Ninguém pode ser obrigado e ninguém pode ser criticado. Uns são como crianças brincando com carros de brinquedo, e os outros dirigem carros de verdade. Eu não tenho nada contra esportes; eles treinam o corpo e desenvolvem a energia e a resistência. Mas o espírito de competição e a energia que cerca isso não é uma boa coisa, isso reflete uma visão distorcida da vida.
A raiz das Artes Marciais não está aqui!
Os professores são parcialmente responsáveis por essa situação, eles treinam o corpo e ensinam as técnicas, mas não fazem nada pela consciência. E o resultado disso é que seus alunos lutam para vencer, como crianças brincando de guerra. Não existe sabedoria neste ponto de vista e ele é completamente inútil para a organização de suas vidas.
Qual é a utilidade de suas técnicas na vida diária de cada um deles?
Os esportes são apenas diversão e no final, devido ao espírito de competição, eles desgastam o corpo. É por isso que as Artes Marciais deveriam lutar para recapturar sua dimensão original.
No espírito do Zen e do Budō a vida diária se torna a competição. Devem existir prêmios a cada momento – ao se levantar pela manhã, ao trabalhar, ao comer, ao ir para a cama.
Autoria: Taisen Deshimaru (弟子丸 泰仙)
domingo, 27 de outubro de 2013
Kumite ( 組手)
Esteja disposto a confrontar-te para melhorar algo em ti;
Esteja consciente para descobrir-te para entender mais de ti;
Esteja preparado para superar-te;
Saiba que o universo ao teu redor esta ao redor de todos os demais;
Que a energia que brota de ti conspira para o mundo;
E que o mundo no qual respiras te permite vivenciá-lo;
De nada adianta lutar contra outros se o conflito continua em ti!
Prof. Sylvio Rechenberg
domingo, 20 de outubro de 2013
" Involução "
A graduação nas artes marciais: Vivemos em uma sociedade, ou melhor, em um mundo, que
valoriza a “aparência” das coisas, não importando o que se “É” e sim o que se
parece “SER”. Valores que outrora tinham um sentido intelectual e prático, ou
ético e moral, hoje já não importam, e é bem visto aquele que tem uma boa
memória e consegue decorar uma série de livros, ou ainda aquele que possui uma
boa oratória.
Dentro deste contexto, nos deparamos com um problema comum a
quase todas as artes marciais modernas: o fato de que hoje as pessoas têm
procurado as academias para praticar as diversas modalidades “marciais” em
busca da aquisição de uma faixa preta ou qualquer outra graduação que aos olhos
dos outros sejam sinônimo de “poder”, ou seja, buscam uma espécie de
valorização ou vaidade pessoal que nada tem a ver com o verdadeiro objetivo das
artes marciais.
São responsáveis por esta deturpação a maioria dos instrutores,
professores e “mestres” da atualidade que, com raras exceções, não se importam
com seus alunos e não querem saber o que eles fazem com os “ensinamentos” que
recebem. Estão sim, preocupados com o pagamento das mensalidades e com as taxas
cobradas para o exame de graduação, que é o motivo pelo qual dão aulas.
Porém, este não é um problema inerente somente as artes
marciais… estende-se a todas as áreas da pedagogia e irá persistir até o dia em
que as pessoas pararem de agir a partir de elementos externos e passarem a
exercitar suas tendências naturais, pois para que se possa realizar um bom
trabalho, em qualquer área, é necessário ter VOCAÇÃO. Aliás, deveríamos dar
mais atenção a este assunto, pois na vocação está a chave para a realização
pessoal e para a tão sonhada felicidade.
" Quando nos deparamos com a triste realidade de nosso sistema
educacional, chegamos à conclusão de que as atividades que deveriam ser
benéficas, como é caso das artes marciais, acabam prejudicando não somente o
praticante, mas também a imagem da arte praticada. "
Porém, se pararmos por apenas um instante para refletir
sobre a prática marcial, certamente chegaremos as seguintes conclusões: Não
basta ter socos, chutes e bloqueios fortes, precisamos também ter princípios
fortes; Não basta falar de coisas boas, precisamos e devemos praticá-las; Não
basta coragem para o combate é preciso coragem para enfrentar a grande luta da
vida, onde os desafios são diários; Não basta dominarmos nosso corpo e achar
que isto é suficiente para merecer uma faixa preta, devemos tornar “faixa
preta” nossa consciência e nosso coração, pois agindo desta forma pouco
importará qual a cor da faixa que ostentamos na cintura, até mesmo porque não
andamos uniformizados em todas as ocasiões de nossas vidas.
Todos os praticantes de artes marciais deveriam fazer
aumentar junto com sua graduação as suas virtudes, para que venham a se tornar
pessoas de moral, de bom caráter.
Portanto, somente é faixa preta aquele que, sem
preconceitos, busca o conhecimento e procura fazer dele uma prática diária;
Somente é faixa preta aquele que respeita a sabedoria eterna, seu mestre, seus
companheiros de treinamento, sua família e todos seus semelhantes; Somente é
faixa preta aquele que busca harmonizar sua personalidade efêmera deixando
assim transparecer, ainda que de forma distorcida, a beleza de sua alma;
Somente é faixa preta aquele que dedica sua vida para ensinar o pouco que sabe
aos outros, através de seu próprio exemplo; Somente é faixa preta aquele que no
meio da confusão moderna ouve a voz da sua consciência e se mantém fiel aos
valores que moveram, movem e sempre moverão os grandes guerreiros… ou como está
descrito na frase de alguém cujo nome não lembro, mas que jamais esquecerei as
palavras:
“Ser um autêntico faixa preta não é ser mais, mas se tornar
menos. Menos agressivo. menos vaidoso, menos autoritário, menos cobiçoso, menos
invejoso, menos egoísta, menos apegado, menos ignorante, menos violento,
menos…”
Denis Augusto Cordeiro Andretta
domingo, 13 de outubro de 2013
" Sensei " - 先生
"Os que seguirem o Karatê
desenvolverão coragem e resistência. Quem treinar de forma verdadeira e
compreender realmente o “Dô” do Karatê, nunca é facilmente arrastado para um
combate".
“Dô” tem um sentido superior no
nosso treino e na nossa própria disciplina, não se trata apenas de nos
tornarmos fortes e eficazes na aplicação das técnicas da nossa Arte Marcial,
mas, acima de tudo, de nos desenvolvermos física e espiritualmente enquanto
pessoas.
Falo sobretudo para aqueles que
praticam uma Arte Marcial e cujo nome está indissociavelmente ligado ao “Dô” de
que falava o mestre Funakoshi (Karatê-Dô). Para estes uma Arte Marcial é
baseada em princípios milenares de “ honra e de respeito “. E esses princípios
começam e acabam na relação do mestre com o seu discípulo. Uma relação cujos
laços são mais estreitos do que os próprios vínculos de família e que
transcendem a raça e a nacionalidade.
Será que sempre que nos
recolhemos na posição de “Seiza”, compreendemos e nos identificamos realmente,
com esses princípios de honra, respeito e etiqueta; será que aceitamos
verdadeiramente o rígido código de honra, que a partir do nosso interior, devia
orientar a nossa conduta de vida?
No esforço de tornar as Artes Marciais
populares e acessíveis a muita gente, estas estão se transformando numa
indústria, comprometendo princípios fundamentais que nunca deveriam ser
comprometidos. A nossa “Arte” que nos apresenta em reverência ao “Dô” que tanto
desejamos compreender e alcançar, não foi concebida para dar dinheiro. Não é um
negócio, é uma relação física e espiritual entre professor e aluno. É uma forma
de fazer passar a sabedoria à nova geração, de fazer passar a cultura e a
técnica para a geração seguinte. E isso nada tem a ver com dinheiro e com o
lucro. Tem a ver, talvez, com os tempos que vivemos. Estes tempos em que o
Mosteiro de Shaolin recebe anualmente a visita de mais de um milhão de turistas
e onde os monges vendem T-shirts estampadas com a figura de Bodhidharma.
Armando P.