sexta-feira, 8 de março de 2024

O Karatê-Dō de minha mulher (p/ Gichin Funakoshi’O-Sensei)

Relato resumido:

...Por exemplo, até noite adentro, ela se afadigava no trabalho de tecer um pano local chamado kasuri, pelo qual receberia seis centavos por peça. 

Com o nascer do sol, já estava de pé. Caminhava então, quase dois quilômetros até chegar a uma pequena área de terra onde cultivava as verduras para a casa. ...

...Eu tinha a curiosidade de saber quando ela encontrava tempo para dormir, mas não me lembro uma única vez de ouvir uma queixa sequer de sua parte. 

E também jamais sugeriu que eu devesse passar meu tempo de modo mais proveitoso do que o de praticar Karatê em cada momento livre que tinha. Bem pelo contrário, encorajava-me a continuar, e ela mesma passou a interessar-se, muitas vezes observando minhas sessões de prática. 

quando se sentia muito cansada, diferentemente da maioria das outras mulheres, não se deitava e pedia que um dos filhos massageasse seus ombros e braços.

Oh, não, não minha mulher! O que fazia para aliviar seu corpo exausto era sair e praticar Kata’s, e no devido tempo ela se tornou tão hábil que seus movimentos se assemelhavam aos de um praticante experiente.

...Apenas vendo-me praticar, e ocasionalmente exercitando-se sozinha, ela havia chegado a uma compreensão plena da arte.

...A maioria de nossos vizinhos era constituída de pequenos comerciantes ou de puxadores de jinriquixá.... 

De qualquer modo, nossos vizinhos muitas vezes ficavam briguentos depois de beber. Nessas ocasiões, geralmente era minha mulher que intercedia e promovia a paz. Ela quase sempre chegava a um resultado favorável mesmo depois que a briga havia degenerado em agressão física - tarefa que não era fácil nem para um homem forte.

 E claro que ela não usava violência em seu papel de mediadora; contava totalmente com seus poderes de persuasão. Assim, minha mulher, admirada em casa por sua diligência e economia, era conhecida na vizinhança como uma karateka e mediadora habilidosa.

Obs.: O texto na íntegra se encontra na página 35 do livro (Karatê-Dō o meu modo de vida) de O-Sensei’Gichin Funakoshi.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Um tesouro!

O “caminho” do Karatê-Dō se leva pra vida!

É pessoal; é particular; é individual, porque se adapta a todas as coisas e circunstancias, até mesmo ao respirar, mas preciso me disciplinar!

É “lutar” sem arredar, sem me entregar, sem nunca parar, mas preciso me disciplinar!

É como um remédio poderoso que atua onde deve atuar e faz o que precisa para curar, mas preciso me disciplinar!

É de valor inestimável se me curar e de virtude incomparável se me fizer lutar, mas preciso me disciplinar!

Sem lutar não existe sucesso para o que espero alcançar, muito menos a vitória sobre mim mesmo que pretendo buscar; no Karatê-Dō é preciso se disciplinar!

As transformações acontecem quando as mãos das atitudes dos corações valentes estiverem livres para lutar de verdade, pelo bem mais precioso que existe no mundo, a vida!  

Prof.Sylvio Rechenberg

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Você “caminha” ou “só conhece o caminho”?

Ao trilhar no “caminho” do Karatê-Dō, a primeira pergunta que devo compreender é para onde esse “caminho” irá me levar!

A segunda pergunta é em que esse “caminho” irá contribuir de forma construtiva no meu dia a dia!

E a terceira pergunta é sobre o que eu devo fazer para que isso aconteça de verdade na minha vida!

Na primeira e na segunda pergunta a resposta requer maturidade e entendimento!

Mas, na terceira, a resposta está na vontade de “lutar”!

No Karatê-Dō o “caminho” nunca muda, quem muda é quem “caminha”!

Prof.Sylvio Rechenberg

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Sobre a ordem dos três K’s no Karatê-Dō!

O 1° “K” é o Kihon, que nos mostra o “fundamento” necessário para a prática correta! Passa-se uma vida no aperfeiçoamento e nos ajustes dessas técnicas-chave, que servem de base para tudo, tanto no aspecto físico-mecânico, fortalecendo as articulações, tendões e músculos, como no amadurecimento mental, tão necessário nas ações e nas reações da Honorável Arte!

Mente e corpo incorporam, absorvem e se condicionam aos movimentos, adquirindo a estrutura e a condição necessária para aprender e praticar corretamente a “forma” que vem a seguir, o 2° “K”, o Kata!

Kata é a alma do Karatê-Dō de O-Sensei’Funakoshi, guardam sabiamente codificadas as mais diversas aplicações nas inúmeras possibilidades de atuação, que para e pelas quais foram criadas!

Assim, ao longo do tempo com uma prática constante, rigorosa e disciplinada no aprimoramento e na devida compreensão do agir, se ajustando de acordo e em conformidade com os “fundamentos e das formas”, incansavelmente praticadas e estudadas no Dōjo até a exaustão, nascem naturalmente as condições necessárias para a próxima fase do aprendizado, o 3° “K”, o Kumite, juntamente com o mais importante de tudo e em tudo, a virtuosa capacidade de “lutar” com um espírito samurai para a contenção dos conflitos, o Budō!

Prof.Sylvio Rechenberg

domingo, 28 de janeiro de 2024

A informação na “formação”!

No final da década de 70, quando iniciei a minha jornada no “caminho da mão vazia", as poucas informações, além das obtidas em um “Dōjo sério”, para quem realmente se interessava em aprender, eram através de alguns poucos livros e revistas com credibilidade, que raramente haviam no mercado e quando se tinha algum acesso.

Em Santa Catarina haviam somente 3 canais de televisão, que não abrangiam todo o estado. Em alguns cinemas locais, vez por outra, se apresentavam alguns filmes já com um “sensacionalismo evidente”, formando assim uma cultura, com informações totalmente distorcidas da realidade e bem distantes da verdade sobre a arte de O’Sensei’Funakoshi.

Tive realmente muita sorte ao encontrar um Dōjo de primeira linha com um professor responsável, ético e compromissado com o Karatê-Dō, sem interesses outros a não ser ensinar o que deve ser ensinado, trabalhar o que deve ser trabalhado e cultivar o que deve ser cultivado, ao qual sou eternamente grato!

Tudo o que se pretendia era aprender a Honorável Arte e praticá-la com sinceridade, sem expectativas vãs, sem recompensas ao ego, sem mimosices, sem frescuras, mas simplesmente em aprender a lição, para enfrentar com disposição, saúde, segurança e equilíbrio o que a vida tem por reservar para cada um de nós!

Prof.Sylvio Rechenberg

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

A FAIXA (Obi)

A faixa “representa” todo um esforço, capacidade, compreensão e conhecimento com relação ao Karatê-Dō, mas é apenas uma representação física, assim como também o pedaço de papel que chamamos de certificado ou diploma, que também nada mais é do que algo que se guarda numa gaveta, armário, ou se pendura numa parede, servindo apenas de lembrança sobre algo que já passou, mas que "se acredita”, foi obtido com muito sacrifício e amor!

Mas, sem que haja a partir daquele momento uma continuidade desse esforço, então a faixa, o certificado e tudo que isso representa perde o seu valor, não passam de uma grande ilusão!

Então, atentai, meu caro “karateka”, Karatê-Dō é prática e sem prática não é nada!

A faixa faz com que nos lembremos que precisamos corresponder a ela e nos mantermos no foco que a mesma nos impõem e representa, contudo, somos nós que iremos decidir em seguir adiante, somos nós que temos o poder de fazer acontecer, somos nós os responsáveis pelas consequências que direta ou indiretamente iremos vivenciar quando a carregamos na cintura!

Prof.Sylvio Rechenberg

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Ilusão e Realidade!

Se você gosta de competir com os outros, continue competindo para aumentar a sua baixa estima!

Se você gosta de se comparar com os outros, continue se comparando para satisfazer a sua preciosa vaidade!

Se você gosta de aparecer para os outros, continue e todos saberão "muito" a teu respeito!

A forma que você lida com a ilusão pode determinar a sua "realidade"!

No Karatê-Dō chegará o tempo onde o “caminho” se abrirá para “alguns”!

Pratique Kata!


Prof.Sylvio Rechenberg