sexta-feira, 24 de junho de 2011


Você é único, assim como a vida que existe em ti!
A cada segundo que passa, aumenta tua experiência vivencial!
E diminui o vivenciamento do “ Caminho “!
O “ Caminho das mãos vazias “, o Karatê-Dô, é uma Arte para a vida, é vitalício!
Se dela te valerdes para o aperfeiçoamento pessoal, nela terás crescimento!
Se tua busca estiver acima da barreira do ego, encontrarás nela o “ Caminho “!
Estuda-a todos os dias, pratique-a incondicionalmente, aprenda sua doutrina!
A provação não está fora, mas dentro de ti!

Prof. Sylvio Rechenberg

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Fatos Históricos

A palavra "Dô" provém de "Tao" - "caminho".


O Taoísmo baseia-se no "Tao Te King" (o Livro do Caminho Perfeito) atribuído a Lao-Tse ~571/479 a.C. e é uma das principais correntes filosóficas da China.

Outra corrente fundamental do Oriente é o Budismo introduzido por Sidharta Gautama nascido no Norte da Índia em ~622 a.C. e conhecido por Buda (o Iluminado).

Bodhidarma (?470-543?), budista indiano, terá viajado até ao mosteiro de Shaolin na província de Honan onde, introduz, no ano de 520, o Budismo Zen.

Os primeiros traços do Tai-Chi Chuan aparecem em Chenjiagou, no condado de Wenxian província de Henan, há cerca de 300 anos.

Ryukyu, arquipélago situado a Sudoeste do Japão e muito próximo do extremo Norte de Taiwan, foi desde cedo terreno de disputas entre Chineses e Japoneses.

No Séc. VII o arquipélago
Ryukyu foi invadido pelos Chineses. Até ao século XIII esteve envolvido em guerra civil.
O rei Sho Hashi (1372-1439) conseguiu a unificação dos três reinos do território Ryukyu e instalou uma paz que durou dois séculos. Uma das medidas impostas foi a interdição do uso de armas pelas classes inferiores. Ainda assim, desde o Séc. XIV, os habitantes do arquipélago tiveram de passar a prestar tributo à China.
Em 1609 o arquipélago foi atacado pelos japoneses do clã Shimazu, que já dominava Kyushu, e que também passou a exigir tributo aos ilhéus. (Aliás, esta situação de duplo tributo - à China e ao Japão - prolongou-se até ao Século XIX). Os Shimazu renovaram a proibição do uso de armas, desta vez à população em geral.

Desde 1609 até 1868, início do período Meiji, foi reforçada a ligação ao continente, nomeadamente à província chinesa de Fujian, onde floresciam os métodos de luta chineses normalmente designados por Kenpo ("método dos punhos"). No arquipélago tais métodos eram conhecidos por To-de. Qualquer desses métodos era ensinado em absoluto segredo de mestre para discípulo.

Das Kata's tradicionais de Karate, Mestre Gichin Funakoshi selecionou as que considerou mais importantes e incorporou ainda algumas de sua autoria, destinadas aos principiantes, como as Taikyoku. No total selecionou 18 kata's que apresentou divididas em dois grupos: -Shorin-ryu e -Shorei-ryu. As kata's pertencentes ao grupo Shorin-ryu enfatizam a rapidez e a agilidade (Shorin provém do termo Shaolin). Pelo contrário as Kata's Shorei-ryu (mais influenciadas pelos estilos do Sul da China) enfatizam a força muscular e a energia física, o que as torna mais lentas.

As Kata's Shorin-ryu são doze : 1-Taikyoku Shodan, 2-Taikyoku Nidan, 3-Taikyoku Sandan, 4-Heian Shodan, 5-Heian Nidan, 6-Heian Sandan, 7-Heian Yodan, 8-Heian Godan, 9-Bassai, 10-Kwanku, (Kanku)11-Empi, 12-Gankaku.

As Kata's Shorei-ryu são seis: 1-Tekki Shodan, 2-Tekki Nidan, 3-Tekki Sandan, 4-Jutte, (Jite)5-Hangetsu, 6-Jihon. (Jion)

quarta-feira, 18 de maio de 2011












" Principio de número dois, descrito no Niju-Kun de O’Sensei."

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Vencer sem "lutar"

Vencer sem lutar (Um resumo com adaptação do texto origina!) Estou convicto que a competição no "karate esportivo" mostra aos alunos que se eles querem vencer, o único caminho é a luta “confronto”, enquanto que no Karatê-Dô aprendemos que a vitória pode ser obtida sem luta “confronto”!
O Karatê-Dô é um modo de vida, não é um jogo! O Karatê-Dô tem um objetivo bastante elevado, ensina às pessoas que, na vida diária, a única forma de vencer, é com os outros e não contra os outros! Em japonês "hito" significa "homem" e escreve-se assim /\, duas linhas que parecem juntar-se, o que aponta que cada homem se inclina para o seu semelhante, e que cairá caso esse suporte seja retirado. Isto parece apontar para o fato de que o ser humano só pode progredir através da cooperação e não da luta. Eu penso que os dois ensinamentos são completamente diferentes, não se pode seguir ambos, pois isso depende do que queremos para a nossa vida. Eu penso que este ponto deve ser compreendido e não é difícil. Não me refiro simplesmente aos que praticam kumite de competição. Estou convencido que aqueles que acham este tipo de prática divertida, devem seguir os seus sentimentos. Embora eu veja nada de errado nisso, penso que devem admitir que isso não tem nada a ver com o conceito de Karatê-Dô.
Comecei a treinar Karatê-Dô há muitos anos. No princípio, como acontece sempre, era só uma questão de emulação, uma experiência que gradualmente se transformou em conhecimento. E agora estou a começar o processo da compreensão. Descobri que o processo de compreensão só começou quando comecei a mover-me conjuntamente com o meu parceiro em movimentos naturais. Acredito que o treino é um processo de auto-aprendizagem que acontece com o relacionamento com os outros. Inicialmente eu só experimentei um relacionamento conflituoso com os outros, porque não era capaz de estar bem comigo, sem os meus colegas. Apesar de todas as minhas boas intenções, esta aproximação tornava-se sempre numa confrontação durante os treinos. E era normal que assim fosse.
Penso que a jornada que o Karatê-Dô representa é extraordinária. É preciso que treinemos incessantemente com grande dedicação, humildade e paciência, com confiança total no nosso professor, a fim de que possamos agarrar, cada um à nossa própria maneira, o significado desta disciplina maravilhosa.
Quando decidimos começar a praticar Karatê-Dô, escolhemos descobrir através dos nossos corpos, o relacionamento entre nós e os outros, e entre nós e a natureza. Só compreendemos isto mais adiante na nossa jornada. No inicio, o nosso desejo era fortalecer o nosso corpo e a nossa mente, e só com o tempo descobrimos que não o fazemos para subjugar outros.
Existimos graças às outras pessoas, não poderíamos viver por nós próprios, e devemos estar gratos por compartilhar as nossas vidas com eles! Quando pensamos na felicidade, devemos também pensar na felicidade dos outros, tentando nos colocar no lugar dos outros. É justamente, quando nos pomos no lugar das outras pessoas que o nosso treino e prática nos conduzem no sentido da compreensão da mais elevada das vitórias, é então que nos tornamos num só com o nosso parceiro e ganhamos "sem combater". Nos treinos necessitamos de estar juntos com o nosso colega, transformarmo-nos "num" com ele, para nos imaginarmos realmente no seu lugar, sentir exatamente o que ele sente, e experimentar o que ele faz. Se nós não pudermos fazer isto, será muito difícil conseguir unicamente a harmonia com nosso parceiro simplesmente através da técnica, e tudo se resumirá, inevitavelmente numa questão de domínio sobre o outro, que é algo de diferente da “via” do Karatê-Dô. A sua "via" conduz-nos para esse "mundo oculto", onde o confronto, a oposição, o conflito, a dualidade e a submissão desaparecem, sendo substituídos por palavras tais como, bem-vindo, acompanhar, desviar, dissolver, unir e harmonizar.
Acredito que devemos preservar os ensinamentos e os princípios do Karatê-Dô através da nossa compreensão, mudando-nos e aperfeiçoando-nos a nós próprios. Precisamos melhorar a nossa capacidade de interagir com o mundo ao nosso redor, com os outros e com a natureza. Egami'Sensei, fiél discípulo de O'Sensei Funakoshi, deixou-nos o seu testamento no seu livro "The Heart of Karate-do", publicado previamente com o título "The Way of Karate Beyond Technique". Não é necessário que mudemos as técnicas. Se a técnica mudar com os anos, será porque nós mudamos a nós próprios, porque o que queremos da vida mudou: para construir um novo tipo de existência com os outros, ou, inevitavelmente contra os outros. Então o gedan-barai que executamos poderá acompanhar a energia do parceiro até a dissolução da sua energia, sem perturbá-lo ou aleijá-lo, de outra, partiria o seu braço. Fomos habituados a concentrar a energia num ponto e consequentemente também a nossa atenção é focalizada num ponto. É desejável que cada um de nós investigue e descubra a percepção de um estado de globalidade, uma "visão aberta", que inclua o ponto focal da técnica e o adversário por inteiro. Nesta dimensão, que não é somente física, nem somente mental, a técnica não é concentrada somente no ponto do contato, mas irradia através do corpo inteiro do adversário.
Isso dependerá do que desejamos que "saia" da técnica, e a técnica espelhará sempre fielmente o que nós somos no momento preciso de sua execução. Certamente não podemos ser diferentes do que somos, nem podemos ensinar o que não compreendemos, mas com o treino e o compromisso de compreender as palavras dos antigos mestres, podemos melhorar e assim contribuir, cada um de nós, à sua própria maneira, para construir a imagem do Karatê-Dô que os antigos mestres desejaram divulgar às novas gerações: "Um treino do espírito que conduz à harmonia, através do treino do corpo!".

Enzo Cellini

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Diferenças entre "Budô" e esporte.

Entrevista com Motonobu Hironishi'Sensei (discípulo de O'Sensei)
(Texto resumido, extraído do boletim Shotokai)
Sensei, onde e quando o Senhor nasceu?
Nasci em 01 de janeiro de 1913 na cidade de Kyoto

Quando o senhor começou a praticar Karatê-Dô?
Comecei a praticar Karatê-Dô em 1931 com a idade de 19 anos, na Universidade de Waseda.

Quem foram os seus companheiros?
Foram Egami e Noguchi. Como professor O-Sensei'Gichin Funakoshi e como assistente foi Takeshi Shimoda'Sensei e, mais tarde, o filho de O’Sensei, Yoshitaka. Também nesse tempo, eu me recordo que na Universidade Takushoku, Nakayama, com o qual também estávamos algumas vezes.
Como surgiu a amizade entre você e o Sr. Egami?
Eu não posso dizer como, mas desde o primeiro momento apareceu um relacionamento espontânea, uma espécie de unidade que se estendeu incluindo até aspectos da vida cotidiana. Isto pode ter sido motivado pela diferença de caráter e constituição. O Sr. Egami era talvez mais agitado e eu possivelmente mais tranqüilo.
Sabemos senhor Hironishi, que em sua juventude, obteve um 1 º prêmio no concurso organizado pelo jornal Asahi.
Sim, naqueles momentos na juventude, tinha uma constituição muito forte, de modo que, após inúmeros exames, sob o conceito dos médicos da época, então, me elegeram como o biótipo físico de constituição ideal.
Você poderia nos contar sobre Karatê-Dô e suas origens e evolução subseqüente?
Antes de ser difundido era uma arte pouco praticada. Naquela época o Japão passava por um tempo de nacionalismo elevado, de modo que o Karatê-Dô que veio de Okinawa foi pouco considerado em relação ao Judo e o Kendo, que eram tradicionalmente mais conhecidos. Depois de estudar e pesquisar muitos livros, viajar para o exterior, percebemos que em toda a extensão do mundo islâmico e budista, existia uma arte de características similares ao Karatê-Dô, que pretende a busca da verdade por meio da prática através do corpo. Esta arte e a religião mantiveram uma estreita simbiose. Além disso, no período primitivo com o confronto entre diferentes tribos, surgiram diferentes formas de luta que com o tempo foram se especializando, até chegar o momento da sua introdução no Japão. Sua evolução posterior iniciou-se com O-Sensei'Gichin Funakoshi e seu filho Yoshitaka, juntamente com seus alunos mais destacados.
Como era O-Sensei'Funakoshi e seu filho Yoshitaka?
O-Sensei'Funakoshi era de menor estatura, comparado com a altura média. Possuía um caráter afável e sereno, com um humor muito constante. Era uma pessoa muito calada, tranqüila, que gostava de escrever poesias e fazer caligrafia. Sua aparência e seu porte eram de um intelectual. Tecnicamente possuía um Tsuki muito forte e seus bloqueios eram muito firmes, que comprovávamos dolorosamente quando o atacávamos. Yoshitaka era o terceiro de seus filhos. Seu caráter era muito forte, e tecnicamente era muito ortodoxo, com um Karatê-Dô muito ofensivo.
Que relações existiam entre os professores: Funakoshi'O-Sensei, Mabuni'Sensei e Miagi'Sensei?
Antigamente, na parte leste do Japão com o centro em Tóquio, se praticava o Karatê-Dô de O-Sensei'Funakoshi. Na parte oeste com centro em Osaka, era praticado o estilo de Mabuni'Sensei. Como esse mestre tinha uma idade inferior a O-Sensei'Funakoshi, senti um profundo respeito por ele. Miagi'Sensei centralizava a sua influência em Okinawa.
Antigamente, antes da Segunda Guerra Mundial, a cada ano tinha uma demonstração de artes marciais frente ao Imperador. O-Sensei'Funakoshi foi o único que teve a honra de fazer essa demonstração não uma, mas duas vezes, onde o Karatê-Dô ganhou em importância e prestígio.
Gostaríamos de saber como começou a competição?
Para difundir o Karatê-Dô se estudou um tipo de Kumite livre que só se realizava nas demonstrações. Com a passar do tempo este tipo de kumite começou a ter outro caráter, que se desviava do caráter do espírito Budô. Em 1940, O-Sensei'Funakoshi o “ proibiu “ e em 1941 ratificou esta proibição, advertindo aos estudantes, que eles seriam expulsos caso participassem de campeonatos!!
Entre companheiros de classe e como método de estudo, era permitido, porem jámais foi permitido com o objetivo de ganhar campeonatos. De qualquer modo, esse tipo de kumite era muito mais difícil e mais duro do que aquilo que é praticado em competição hoje em dia.

O que é Shotokan-Shotokai?
Shotokai é uma associação fundada por O-Sensei'Funakoshi e reúne os alunos que praticam seu método. Antes da Segunda Guerra Mundial, esta associação teve 90% dos praticantes de Karatê-Dô. Hoje é a única associação que conta com a permissão da família de O-Sensei'Funakoshi para usar o nome Shotokan.
Gostaríamos de conhecer os motivos das separações dentro da escola?
O principal motivo foi o desejo de alguns professores em desenvolver dentro do Karatê-Dô a idéia de esporte.
Por causa da confusão durante e depois da guerra, surgiram novos estilos influenciados pela imagem de mudança e modernização que eclodiu no país. Eram modalidades que atraiam a juventude pelo caráter desportivo de natureza competitiva tão em voga naquelas circunstâncias.
O senhor poderia explicar o seu conceito de Kime?
Para que uma técnica tenha Kime, esta deve transmitir a energia adiante. Se em uma técnica se utiliza a contração muscular, o movimento se detêm, por isso não a consideramos Kime.
Buscamos o desenvolvimento da força interior e não unicamente a exterior. Por efeito ótico esta energia não se vê. Seria mais fácil utilizar as técnicas com contração muscular, porem assim se corta o fluxo da energia.
O-Sensei'Funakoshi dizia que no Karatê-Dô deve existir um equilíbrio entre tensão e relaxamento, porem atualmente existem estilos que só buscam a tensão.
Normalmente se pensa que quando se chega no contato o golpe terminou, porem na verdade é nesse momento que ele começa.
Usa-se o movimento completo do corpo, começando com a projeção dos quadris. Para entender isso completamente, muitos anos são necessários.

Quais são para o senhor as diferenças entre Budô e esporte?
O significado do Kanji Bu, é "parar a lança." Isto tem um sentido de buscar a ( NÃO oposição ), daí a insistência de O-Sensei'Funakoshi em passar de Jutsu para “Dô”, para ser natural, não ir contra a natureza, mas adequar-se as suas leis, em prol da evolução humana.
No Budô tecnicamente se muda o "ataque" pelo " não ataque".
No esporte se ensina para obter a vitória. No Budô é ensinado o conceito de "perder" o qual não significa, deixar-se vencer, esta questão constitui uma forma de aprender a ir além, de transcender, da vitória ou da derrota, superando o egoísmo, única maneira de ser "um "com o oponente.
No Japão, existe uma expressão que diz que "perder é ganhar". No Budô, quando se recebe um golpe se deve agradecer, pois isto leva consigo um ensinamento.
Para uma competição deve-se ter regulamentos e proibir muitos ataques perigosos, determinam-se regras num espaço determinado. Porem numa guerra real não existem regulamentos; atacam por todos os lados.
Numa competição existem muitos regulamentos, mas note que na luta real é muito mais importante e prático o que é proibido no dito regulamento.
Na competição só se presta atenção para a frente, para um oponente apenas. Se pensa que cuidar da retaguarda é perda de tempo. No boxe se luta em uma posição bastante alta, porque é proibido bater nas partes baixas. Na competição, como no boxe os golpes perigosos são proibidos, na confiança de que nada pode acontecer.
No Budô, onde o conceito é integral, a guarda sempre muda.
Olhando para o judô esportivo, vemos que a luta começa com o agarramento, sem pensar sobre a possibilidade de um ataque anterior, então não há nenhum estudo do ma-ai (distância).
No Kendo, antigamente se trabalhava em Kokutsu-dachi (posição para trás). Atualmente, e devido às regras desportivas, a guarda ficou mais alta e já não se ataca a nível gedan (baixo).
Antes se golpeava obliquamente a partir do pescoço, com a intenção de atravessar o corpo. Atualmente, só se ataca na cabeça, usando golpes secos e sem atuação desde o quadril.
No caso do tsuki (soco), se buscava golpear e penetrar em muitas áreas vitais do corpo. Devido à dificuldade em proteger as pernas se estudava muito os ataques nas articulações. Atualmente, estas técnicas são proibidas justamente por esta incapacidade de serem protegidas.
Em qualquer esporte, só é cobrado do árbitro que se cumpra o regulamento, sem ter o poder de decidir o vencedor, o que não ocorre na competição, onde o árbitro pode decidir quem ganha.
Pode-se ver que existe muita diferença entre o combate real e a competição, e isso se traduz no kamae (não apenas na guarda física, sem a atitude).
Kamae se expressa de uma forma que denota o estado de espírito e na atitude (nível de ki), e embora os golpes numa competição possam doer, sua finalidade não é livrar-se do adversário. Na realidade, considerando a competição em termos de combate real, o melhor é receber o golpe para em seguida golpear com a idéia de atravessar. E nestas circunstâncias, não tenha medo, deixe-se golpear e entre com decisão.
Da competição para a forma real tudo muda!
O que é o Karatê-Dô para você?
Com o passar dos anos cada vez eu gosto mais do Karatê-Dô. A medida que aumenta minha idade compreendo as coisas com mais profundidade.
Quando iniciei, queria ser forte para lutar. Depois compreendi que não precisa muita técnica para lutar.
A maioria dos jovens querem ser fortes e lutar, porem os instrutores devem educá-los e orientá-los adequadamente. Com o tempo e a prática, irão compreender o correto.

Quem foram seus discípulos?
Posso dizer com certo orgulho, que a maioria dos grandes mestres atuais em algum momento ou outro, praticaram comigo.
Que conselho você daria?
Gostaria de salientar, na prática (keiko) Karatê-Dô que o objetivo final deve ser o de obter o espírito do Budô da não-resistência, o espírito sem proveito próprio, sem o ego, (mushotoku), procurar a unidade, a unidade ...
Temos de encontrar a mesma relação que existe entre mãe e filho, mesmo quando a criança magoa a mãe, ela não o odeia por isso.
Entre os homens, quando um golpe não fere, não existe raiva, quando fere, se desperta a raiva. Observar o comportamento de homens mais velhos com os netos, que são mais amigáveis e tolerantes por causa de sua maturidade e maior capacidade de compreensão.
Portanto, numa luta deve-se atingir o mesmo estado de espírito, fixo e imutável, seja com dor ou sem dor.
Não existem ofensas, e sim uma grande compreensão e entendimento.
É essencial o bom relacionamento, a amizade, conviver bem e progredir.
Conforme se progride tecnicamente o entendimento muda.
É fundamental o estudo e o trabalho do kata.
Os homens têm manias, apegos, vícios, e quanto mais se trabalha e se progride no kata, mais se perdem estas manias e os maus hábitos.

sábado, 18 de dezembro de 2010

A reflexão!

Ao final de mais esta década, devo refletir sobre a nobre arte de O’Sensei Funakoshi e de como foi legitimamente apresentada ao mundo.

Chego então a triste constatação da realidade, de uma decadência ascendente, em meio a cobiça e a vaidade, particularidades humanas de fraquezas existenciais, em evidencia nestes tempos “modernos”.

Certamente que nada de nobre existe nas peculiaridades afins, tão presentes, vivas e latentes nos corações daqueles que se auto proclamam atletas de uma “arte” que nada tem haver com isso, nem com as futilidades das ilusões temporárias, que caminham para um mesmo fim, a infeliz ausência de estima por si mesmo, quanto mais pelo próximo.

Sedo ou tarde para a grande maioria, a constatação da prática equivocada se evidencia, e o abandono, o descaso, a perda do interesse e o total descrédito do auto potencial, se resumindo nas lembranças limitadas do passado. Outros seguem na inquietante, inútil vitória sobre os demais em confrontos esportivos!

No verdadeiro Karatê-Dô não tem primeiro golpe ( Karatê-Dô ni sente nashi ), logo é Budô, não existe competição, não existe a busca do conflito, mas sim a superação de si mesmo, em comunhão com o próximo e em mútua e crescente valorização do aspecto humano, formador e das qualidades que o norteiam.

Lamentavelmente a disputa pela temporária satisfação do ego é a que conduz mais e mais “atletas” ao “jogo”!

Contudo, a nobre Arte de Gichin Funakoshi O’ Sensei, esta eternizada no estudo e na pratica correta e rigorosa, no seio das virtudes, dos valores, na filosofia, na ideologia e nas atitudes construtivas daqueles que verdadeiramente compreenderam sua história!

Feliz Natal, saúde e paz!
Um construtivo 2011.


Prof. Sylvio Rechenberg

18-Dez-2010

sábado, 6 de novembro de 2010

O Código Moral!

O Código Moral Bushido!
( Código de honra que rege e orienta as artes marciais tradicionais ortodoxas! )

É dever de cada faixa preta, seja ele praticante, dirigente ou professor, seguir estes princípios e ser um exemplo!
Honra (Meiyo) É a qualidade essencial!
Ninguém pode pretender ser praticante do Budô, se não tiver uma postura honorifica. É da honra que partem todas as outras qualidades. É ter um código moral e um ideal, de maneira a ter sempre um comportamento digno, responsável e assim, respeitável.
Fidelidade (Chijitsu) Não pode existir honra sem fidelidade e lealdade em relação a certos princípios e para com quem os partilha. A necessidade permanente de cumprir as promessas e nas atitudes que tornam dignas e verdadeiras as suas ações!
Sinceridade (Seuitsu) A fidelidade necessita de sinceridade nas palavras e nos atos. A mentira arrasta a desconfiança que é a origem de todas as separações. No Karatê-Dô , a saudação é a expressão dessa sinceridade, é o sinal daquele que não esconde os seus sentimentos, pensamentos, daquele que sabe ser autentico.
Coragem (Yuuki ou Yuukan) A força da alma que permite enfrentar o sofrimento chama - se coragem. E essa coragem que nos leva a fazer respeitar o que aos nossos olhos nos parece justo, e que apesar de medo e receios nos permite enfrentar os obstáculos.
Bondade (Shintetsu) A bondade é um sinal de coragem e que mostra um grande sentido de humanidade. Ela leva - nos a sermos atentos para com o próximo e ao que nos rodeia, a ser respeitoso para com a vida.
Humildade (Ken) Saber ser humilde, isento de orgulho e vaidade, sem fingir, são garantias da verdadeira modéstia.
Verticalidade (TaDashi ou Sei) Seguir a linha do dever e nunca mais se desviar. Lealdade, honestidade e sinceridade são os pilares dessa verticalidade.
Respeito (Sonchoo) A verticalidade dá origem ao respeito para com o próximo. A gentileza e a expressão desse respeito para com próximo, quais quer que sejam as suas qualidades, fraquezas ou posição social. Saber tratar as pessoas e as coisas com decência e respeitar o sagrado é o primeiro dever de um Budoka.
Controle (Seigyo) Qualidade essencial para todo o faixa preta, representa a possibilidade de dominar os nossos sentimentos, impulsos e controlar o nosso instinto. É um dos principais objetivos da prática do Karatê-Dô porque condiciona toda a nossa eficácia.