sábado, 28 de janeiro de 2012

MEDALHAS PARA ARTES MARCIAIS??? I

Taizen Deshimaru o grande mestre Zen dizia que atualmente muitas pessoas praticavam artes marciais na Europa, nos Estados Unidos e em todos os países do Ocidente, e até mesmo no Japão sem realmente estarem no caminho do Budô. E o sentimento geral era que os princípios e a filosofia do Budô não tinham nada a ver com a prática das artes marciais , mas como esportes. Parece que isto continua até hoje ao se ver o entusiasmo da mídia ao Brasil conseguir uma medalha de ouro no "Karatê" esportivo. Muitos praticantes de artes marciais não estão seguindo os ensinamentos de uma transformação interior para se viver de forma mais lúcida e consciente o que é a a verdadeira base do Bushidô.

Será porque não querem ou porque estão mal informados?

A resposta correta é muito importante. Para alguns as artes marciais estão sendo simplesmente usadas como diversão ou profissão e são esportes como quaisquer outros. Mas as pessoas que querem viver suas vidas em uma dimensão mais elevada precisam compreender que as artes marciais tradicionais são “Caminhos de Vida” ( DÔ ). Evidentemente que ninguém deve ser obrigado a fazer nada nem tampouco receber criticas por gostar disto ou daquilo mas desde que saiba realmente o que está fazendo e tenha noção da diferença entre uma coisa e outra. Alguns agem sem ter consciência de que são como crianças brincando com carros de brinquedo, enquanto outros dirigem carros de verdade. È bom brincar, mas confundir brincadeira com assunto sério é irresponsabilidade. Eu não tenho nada contra esportes; eles treinam o corpo e desenvolvem a energia e a resistência e o espírito de equipe e até pratiquei alguns deles. Mas o espírito de competição e a energia que cerca atualmente a prática dos esportes, isso não é uma boa coisa, pois reflete uma visão distorcida da vida. A raiz das artes marciais não está nisto.

Alguns professores de artes marciais e certas entidades que os organizam , creio, são parcialmente responsáveis por essa situação. Eles treinam o corpo e ensinam as técnicas das artes marciais, mas não fazem nada pela consciência dos praticantes. E o resultado disso é que seus alunos lutam nas artes marciais mal interpretadas focados apenas em vencer, como crianças brincando de guerra. Não existe desenvolvimento de sabedoria neste tipo de abordagem e ele é completamente inútil para a organização de suas vidas sendo que as técnicas aprendidas nos Dôjos acabam não tendo nenhuma utilidade para que vivam melhor o dia a dia.

Os esportes competitivos acabam sendo apenas diversão e no final, devido ao espírito de competição, eles desgastam o corpo e prejudicam a saúde que será cobrada quando tiverem idade mais avançada. É por isso que as artes marciais tradicionais orientais , deveriam lutar para recapturar sua dimensão original de “Caminho de Vida”.

No espírito do Budô a vida diária é já naturalmente submetida a uma disputa.

Devem existir prêmios a cada momento, ao se levantar pela manhã, ao trabalhar, ao comer, ao ir para a cama ao receber nosso salário ou averiguar o resultado do balanço de nossa empresa. O nosso dia a dia, deveria ser nossa quadra, o nosso lugar de praticas, para a maestria sobre si mesmo.

A ideia de se ficar realizando campeonatos a todo tempo, acabando um e começa outra acaba gerando o que Deshimaru chamava de "Campeonite" que acaba se tornando uma doença mental. Basta ver como certas pessoas se fanatizam e concentram grande parte de suas vidas usando seu tempo para saber quem ganhou, quem perdeu, quem vai vencer, quem é o primeiro etc. Que beneficio real tem com isto. È claro salvo muitos na mídia que acabam vivendo bem se envolvendo com a “campeonite”. Evidentemente que esta atitude é uma visão estreita da vida!

Não quero dizer que uma pessoa nunca deva ser um campeão, porque não? É uma experiência como qualquer outra. Mas não se deve tornar isso uma obsessão, um fanatismo, a todo tempo e motivo para discussão e até brigas e desentendimentos. Há gente que é espancada e até morta nos estádios com certa frequência. Arte da espada, a lança, arco e flecha, ou simplesmente a luta com os punhos elas são quase tão antigas quanto a própria humanidade, porque o ser humano sempre precisou se defender de ataques e caçar para alimentar a si e a sua tribo. Uma forma de luta sem armas foi desenvolvida inicialmente na China, na época de Bodhidharma, que depois acabaram se tornando os atuais , Aikidô, Karatê, Judô, Tai-chi, etc., e assim estes monges puderam se defender em qualquer ocasião e que deram aos monges a capacidade de tirarem vantagem de meios naturais de defesa, adaptados em cada caso para a energia da pessoa e eram provavelmente uma coleção de movimentos, golpes, fintas e truques, passadas de um homem para outro no curso de suas jornadas, assim como eles trocavam suas poções e receitas - plantas, massagens especiais, etc.- ou suas técnicas de meditação. Eles também compartilharam as experiências que lhes ensinaram lições, morais ou de natureza prática, relevantes para suas vidas e tudo isto foi incorporado nos ensinamentos das artes marciais tradicionais. Os monges viajantes carregaram todos os seus conhecimentos da China para o Japão, aonde, se espalhando a partir da região de Okinawa, eles tiveram um sucesso espetacular.

È preciso se ter em mente as razões reais aos se buscar uma academia de artes marciais e aqui lanço este alerta aos interessados em Budô, para evitar que acabem praticando apenas esportes como o futebol, uma dança, ou um tipo de ginástica sem o verdadeiro espírito do Budô, ou seja, da busca do conhecimento interior e harmonia com o Universo para viver melhor.

Está bem se praticar esportes, desde que quem assim o faz saiba o que está fazendo no entanto dar medalhas para artes marciais, campeonatos? Não me parece algo coerente com o propósito inicial para o qual foram criadas. Talvez fosse o caso das artes marciais que se tornaram esportes mudarem de nome e assumirem esta nova faceta. Me preocupa este destaque de medalhas para praticantes de artes marciais tradicionais, pois a população acaba sendo mal informada distorcendo a possibilidade do publico em ver nas mesmas um verdadeiro tesouro para transformar suas vidas em troca do orgulho passageiro em se sentir , “Campeão” por um tempo até que um novo campeonato acabe com este privilégio ilusório.! E assim preferem o futebol, é claro pois está mais de acordo com nossa cultura e muitas mentes deixam de ser iluminadas, e muitas personalidades reprimidas deixam de expressar sua essência por falta de correto treinamento disponível nos Dôjos.

Prof. Wagner Bull

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Shotokai

O nome "Shotokai" significa "associação de Shoto", sendo Shoto o pseudónimo de Gichin Funakoshi.


O Shotokai foi oficialmente formado pela família Funakoshi, para tratar dos preparativos para o funeral de Gichin Funakoshi. Era composto pelos seus alunos mais antigos, a quem ele confiou a continuidade do desenvolvimento do seu Karatê-Dô Shotokan.

Como conseqüência de disputas políticas e pessoais posteriores à morte de O’Sensei, o grupo Shotokai manteve-se unido e ensinou e desenvolveu o Karatê-Dô, tal como Gichin Funakoshi queria.

Disto resultou que o Shotokai não aderiu ao desenvolvimento da arte para o desporto ou a competição que ocorreu nas últimas décadas. Ao invés, permaneceram fiéis aos ensinamentos originais do Karatê-Dô, como fora desejo de O’Sensei.


Como membros fundadores mais importantes do Shotokai, temos Shigeru Egami, diretor técnico do Shotokan Dojo, e Genshin Hironishi, presidente do Shotokai.


Por esta altura, o Mestre Harada estava a introduzir o Karatê-Dô Shotokan no Brasil. Devido à sua ligação próxima com todos os três mestres atrás mencionados, tornou-se, naturalmente, membro do Shotokai a partir de então. Em 1965 o Mestre Harada criou a KDS para poder ensinar Karatê-Dô Shotokan ortodoxo, tal como o tinha desenvolvido, sem influências políticas ou técnicas de outros grupos.


Os métodos de treino são entusiasmastes e inovadores, e concentram-se na aprendizagem da forma, movimento, timing e distância corretos, na utilização do corpo como um todo e no desenvolvimento da condição física correta. O nosso estilo de Karatê-Dô poderá ajudá-lo(a) a descontrair-se e a ganhar uma maior consciência corporal e daquilo que o(a) rodeia. Estas idéias, quando corretamente aplicadas, permitem que pessoas de ambos os sexos e de qualquer compleição física pratiquem Karatê-Dô e retirem benefícios físicos, bem como uma grande satisfação em treinar.




O texto aqui citado foi retirado do site oficial da KDS, em http://www.karatedoshotokai.com/whatis/

domingo, 27 de novembro de 2011

A escola de O'Sensei

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Karatê-Dô (entrevista)



sábado, 29 de outubro de 2011

O homem da "Via" ( por O'Sensei )

“Quando um homem normal passa no exame para o 1°Dan, perfila-se com orgulho diante do júri e corre para dar a notícia à família.

Quando passa para o 2°Dan, sobe ao ponto mais alto que pode alcançar e a todos proclama a distinção que acabara de obter.

Quando passa para o 3°Dan, corre para o carro e põe-se a espalhar por toda a cidade, festejando o acontecimento...

De maneira diferente procede o homem da “Via”!


Ao 1°Dan inclina a cabeça, em sinal de reconhecimento;
Ao 2°Dan inclina-a ainda mais, em sinal de humildade;
Ao receber diploma de 3°Dan baixa a cabeça até ao chão, confuso, e sai discretamente, a tal ponto mede agora a distância que o separa da verdadeira perfeição!"


Gichin Funakoshi'O-Sensei

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Yasutsune Azato - “Hito Kata San Nen” ( Um Kata em três anos )

Azato (Yasutsune)’Sensei: *1828 Shuri, Okinawa, †1906 Okinawa.

Na época em que Funakoshi’O-Sensei, ainda com onze anos de idade, frequentando a escola primária, conheceu um menino de quem ficou muito amigo, esse garoto era filho de Yasutsune Azato’Sensei, um dos maiores especialistas de Okinawa na arte do “Te” ( na época ainda conhecido por "Tode" ou "Okinawa-te" ), membro de uma família das mais respeitadas, além disso, considerado o herdeiro de Sokon Matsumura’Sensei. Azato’Sensei foi exímio, tal como o seu mestre, na esgrima da escola Jigen-ryu, na equitação e no tiro ao arco a cavalo. Azato’Sensei era um "Tonochi" (senhor de pequeno feudo).Funakoshi’O-Sensei, conta sobre um conselho de seu mestre, Azato’Sensei: “ Se o adversário não o assustar, se permanecer calmo e se procurar a brecha inevitável na defesa (…), a vitória não é tão difícil”. Logo, Funakoshi’O-Sensei começou a tomar suas primeiras lições. Azato’Sensei ensinou apenas, "em privado", um número muito reduzido de alunos, dentre os quais se destacava Gichin Funakoshi’O-Sensei. Como na época ainda, a prática de artes marciais do antigo reino, não eram muito bem vistas na região, os treinos eram realizados à noite, no quintal da casa de Azato’Sensei. O treinamento era muito rigoroso. Azato’Sensei tinha uma filosofia de treinamento que se chamava “hito Kata san nen”, ou seja, ( um Kata em três anos ). Funakoshi’O-Sensei estudava cada Kata a fundo e, só então quando autorizado pelo seu mestre, seguia para o próximo! Enquanto praticava no quintal de Azato’Sensei, junto com alguns outros alunos, outro reconhecido mestre de “Tode”, Anko Itosu’Sensei, muito amigo de Azato’Sensei, aparecia e observava o treinamento dos Kata, quando aproveitava para fazer comentários sobre suas técnicas. Era uma rotina dura que terminava sempre de madrugada sob a disciplina rígida de Azato’Sensei, do qual o melhor elogio se limitava a uma única palavra: "Bom"!. Após os treinos, já quase ao amanhecer, Azato’Sensei falava sobre a essência do “Tode” ( Okinawa-Te). Uma das falas de Anko Azato’Sensei era: “ A finalidade das artes marciais não é apenas construir um corpo forte e saudável, mas educar sua mente e forjar igualmente o espírito. As artes marciais procuram construir o corpo, melhorar seu caráter e encontrar a harmonia interior. Não podem garanti-lo. ”

sábado, 17 de setembro de 2011

" Energia Vital " (O sobrenatural)





No Oriente fala-se de um tipo de energia que está presente em tudo em nossa volta, ela influencia desde o mais simples ser ou coisa, até os planetas. Esta força cósmica, que é relacionada à essência do Universo, envolve todas as entidades que nele existem e dá vida, pois ela não fica estagnada em um lugar específico, mas se movimenta, e como um rio, sempre é renovada. Ela possui muitos nomes, na China chama-se Ch'i, no Japão, Ki e na Índia, Prana.

O oriental vê nosso mundo com olhos diferentes do ocidental, deixando de lado uma visão racional, ele procura se relacionar com as coisas em volta, e sabe que tudo faz parte de um grande conjunto. Com este posicionamento, quando ele contempla um jardim de flores ou uma bela paisagem, sabe que a mesma energia que fez estas belas obras existe em seu interior e assim consegue dar mais valor a suas capacidades. Quando uma pessoa têm este ponto de vista, ela se relaciona melhor com tudo em volta e traz mais harmonia para sua vida, pois sabe que faz parte de uma grande entidade maravilhosa.

Nos oceanos ocorrem correntes de água, cada uma possui características distintas, uma é quente e rápida, já outra é fria e lenta, ou se diferenciam pela profundidade. O fluxo de energia pode ser comparado a estas correntes oceânicas, existe uma energia que engloba tudo, desde o mais simples ser, até os planetas, mas dentro desta energia como nos oceanos, ocorrem correntes, que são a força motriz que renovam e dão vitalidade e poder. Através de séculos de observação, mestres notaram que podiam utilizar estes fluxos para realizarem coisas maravilhosas, muitos foram para o lado artístico, outros para a manutenção da saúde ou para as artes combativas.

Na China principalmente, também apareceu a filosofia das mutações, Yin-Yang, os opostos que se completam, certamente relacionados ao fluxo da energia vital, que hoje é de uma maneira e amanhã poderá ser de outra. O jogo conjunto Yin-Yang em eterna mutação determina o equilíbrio de todos os pares, ou dos pares de conceitos que constituem uma unidade polarizada, como, por exemplo: corpo e espírito, consciente e inconsciente, o ideal e a realidade, direita e esquerda, governo e oposição, acima e abaixo, dia e noite, etc. Cada pólo tem valor idêntico ao outro, os pólos se completam e se necessitam mutuamente. No entanto, quando o equilíbrio habitualmente existente entre eles é perturbado, ambas as partes mostram o seu lado destrutivo e maléfico. Portanto, a meta não é incentivar um pólo em prejuízo do outro, por parecer melhor, porém visar um equilíbrio que beneficie ambos.

Os artistas orientais procuram colocar em suas obras a mesma energia que existe no modelo que escolheram, deve existir vida, e a pintura através de seus traços e composição é comparada como um ser vivente. Um ponto de uma paisagem não representa uma águia, ele é o próprio pássaro. Os mestres da arte da caligrafia japonesa ( Shodô ), falam que quando escrevem o ideograma representando a chuva, é a chuva que está contida no papel e podem até sentir o sopro úmido quando chegam perto de sua criação. Massao Okinaka Sensei, único grande mestre de Sumiê ( pintura oriental ) no Brasil, um dia pintou um peixe gato com um só traço, a energia e vitalidade que ele passou para o papel foi tanta que parece que o peixe está se mexendo.

Na manutenção da saúde, mestres aprenderam a canalizar a energia vital para através de toques ou exercícios controlarem e harmonizarem o fluxo que corre pelo corpo. Um fluxo interno bloqueado ou descontrolado causa doenças e sentimentos tristes, se retirarem estes "nódulos" a energia volta a se movimentar e assim a vitalidade volta a existir. O Tai Chi Chuan é um destes exercícios, através de seus movimentos ele busca que o praticante se harmonize com o fluxo de energia e sinta que ele existe e está presente em seu corpo. Na China apareceu um meio de se harmonizar o ambiente através do posicionamento de certos elementos e posturas que uma casa ou local deve ter, é o Feng Shui, através dele procura-se canalizar de maneira benéfica o fluxo que corre pelo lugar.

Morihei Ueshiba Sensei, fundador do Aikidô e "amigo pessoal de Gichin Funakoshi Sensei", dizia que tudo à nossa volta está repleto de energia vital, e que através da busca da harmonia pode-se controlar esta força para realizar coisa belas, através da harmonia, um fluxo ruim que nos é dirigido, é controlado e desviado para um local que não faça estragos. Ueshiba Sensei percebeu que a energia caminha muitas vezes fazendo espirais, e quando isto é passado para movimentos de artes marciais, uma pessoa pequena pode projetar outra enorme muito longe.

No Kendô ( esgrima japonesa ) existe a expressão " Kakegoe" , ela é relacionada ao Kiai ( grito) que quando realizado utilizando-se de muita energia consegue desarmar um adversário. Os mestres conseguem somente através do olhar fazer um adversário ficar todo suado, mesmo que não sejam realizados muitos movimentos. Para se chegar à este ponto, eles estudaram e através de anos de treino conseguiram canalizar o fluxo de energia para certos lugares. Um praticante habilidoso consegue com uma espada ( Kataná ) através de um golpe rápido cortar um cano de metal, ou como alguns mais experientes, cravar a lâmina em um capacete militar.

O conceito de energia vital quando entendido faz muito bem para a vida e principalmente para a postura frente às coisas que acontecem. Tudo está contido em uma mesma energia, então todos fazem parte de uma mesma família, ou seja, são irmãos. Assim nosso próximo, mesmo que por exemplo seja diferente quanto à raça, é nosso semelhante, a energia que um dia percorreu seu corpo, hoje está no nosso, o mesmo ocorre com os animais, plantas e tudo que existe. Esta filosofia gera um maior respeito e aceitação das coisas que acontecem, deixando-nos preparados para realizar coisas mais belas, ao se sentir alegre por estar no meio de um lindo jardim ou quando brincamos com um cachorro, cria-se um sentimento de bem estar e assim podemos desfrutar o que de mais maravilhoso a vida nos reserva.

(Em resumo e adaptação.)

Autor: Rodrigo Dantas Casillo Gonçalves.