terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Shotokai

O nome "Shotokai" significa "associação de Shoto", sendo Shoto o pseudónimo de Gichin Funakoshi.


O Shotokai foi oficialmente formado pela família Funakoshi, para tratar dos preparativos para o funeral de Gichin Funakoshi. Era composto pelos seus alunos mais antigos, a quem ele confiou a continuidade do desenvolvimento do seu Karatê-Dô Shotokan.

Como conseqüência de disputas políticas e pessoais posteriores à morte de O’Sensei, o grupo Shotokai manteve-se unido e ensinou e desenvolveu o Karatê-Dô, tal como Gichin Funakoshi queria.

Disto resultou que o Shotokai não aderiu ao desenvolvimento da arte para o desporto ou a competição que ocorreu nas últimas décadas. Ao invés, permaneceram fiéis aos ensinamentos originais do Karatê-Dô, como fora desejo de O’Sensei.


Como membros fundadores mais importantes do Shotokai, temos Shigeru Egami, diretor técnico do Shotokan Dojo, e Genshin Hironishi, presidente do Shotokai.


Por esta altura, o Mestre Harada estava a introduzir o Karatê-Dô Shotokan no Brasil. Devido à sua ligação próxima com todos os três mestres atrás mencionados, tornou-se, naturalmente, membro do Shotokai a partir de então. Em 1965 o Mestre Harada criou a KDS para poder ensinar Karatê-Dô Shotokan ortodoxo, tal como o tinha desenvolvido, sem influências políticas ou técnicas de outros grupos.


Os métodos de treino são entusiasmastes e inovadores, e concentram-se na aprendizagem da forma, movimento, timing e distância corretos, na utilização do corpo como um todo e no desenvolvimento da condição física correta. O nosso estilo de Karatê-Dô poderá ajudá-lo(a) a descontrair-se e a ganhar uma maior consciência corporal e daquilo que o(a) rodeia. Estas idéias, quando corretamente aplicadas, permitem que pessoas de ambos os sexos e de qualquer compleição física pratiquem Karatê-Dô e retirem benefícios físicos, bem como uma grande satisfação em treinar.




O texto aqui citado foi retirado do site oficial da KDS, em http://www.karatedoshotokai.com/whatis/

domingo, 27 de novembro de 2011

A escola de O'Sensei

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Karatê-Dô (entrevista)



sábado, 29 de outubro de 2011

O homem da "Via" ( por O'Sensei )

“Quando um homem normal passa no exame para o 1°Dan, perfila-se com orgulho diante do júri e corre para dar a notícia à família.

Quando passa para o 2°Dan, sobe ao ponto mais alto que pode alcançar e a todos proclama a distinção que acabara de obter.

Quando passa para o 3°Dan, corre para o carro e põe-se a espalhar por toda a cidade, festejando o acontecimento...

De maneira diferente procede o homem da “Via”!


Ao 1°Dan inclina a cabeça, em sinal de reconhecimento;
Ao 2°Dan inclina-a ainda mais, em sinal de humildade;
Ao receber diploma de 3°Dan baixa a cabeça até ao chão, confuso, e sai discretamente, a tal ponto mede agora a distância que o separa da verdadeira perfeição!"


Gichin Funakoshi'O-Sensei

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Yasutsune Azato - “Hito Kata San Nen” ( Um Kata em três anos )

Azato (Yasutsune)’Sensei: *1828 Shuri, Okinawa, †1906 Okinawa.

Na época em que Funakoshi’O-Sensei, ainda com onze anos de idade, frequentando a escola primária, conheceu um menino de quem ficou muito amigo, esse garoto era filho de Yasutsune Azato’Sensei, um dos maiores especialistas de Okinawa na arte do “Te” ( na época ainda conhecido por "Tode" ou "Okinawa-te" ), membro de uma família das mais respeitadas, além disso, considerado o herdeiro de Sokon Matsumura’Sensei. Azato’Sensei foi exímio, tal como o seu mestre, na esgrima da escola Jigen-ryu, na equitação e no tiro ao arco a cavalo. Azato’Sensei era um "Tonochi" (senhor de pequeno feudo).Funakoshi’O-Sensei, conta sobre um conselho de seu mestre, Azato’Sensei: “ Se o adversário não o assustar, se permanecer calmo e se procurar a brecha inevitável na defesa (…), a vitória não é tão difícil”. Logo, Funakoshi’O-Sensei começou a tomar suas primeiras lições. Azato’Sensei ensinou apenas, "em privado", um número muito reduzido de alunos, dentre os quais se destacava Gichin Funakoshi’O-Sensei. Como na época ainda, a prática de artes marciais do antigo reino, não eram muito bem vistas na região, os treinos eram realizados à noite, no quintal da casa de Azato’Sensei. O treinamento era muito rigoroso. Azato’Sensei tinha uma filosofia de treinamento que se chamava “hito Kata san nen”, ou seja, ( um Kata em três anos ). Funakoshi’O-Sensei estudava cada Kata a fundo e, só então quando autorizado pelo seu mestre, seguia para o próximo! Enquanto praticava no quintal de Azato’Sensei, junto com alguns outros alunos, outro reconhecido mestre de “Tode”, Anko Itosu’Sensei, muito amigo de Azato’Sensei, aparecia e observava o treinamento dos Kata, quando aproveitava para fazer comentários sobre suas técnicas. Era uma rotina dura que terminava sempre de madrugada sob a disciplina rígida de Azato’Sensei, do qual o melhor elogio se limitava a uma única palavra: "Bom"!. Após os treinos, já quase ao amanhecer, Azato’Sensei falava sobre a essência do “Tode” ( Okinawa-Te). Uma das falas de Anko Azato’Sensei era: “ A finalidade das artes marciais não é apenas construir um corpo forte e saudável, mas educar sua mente e forjar igualmente o espírito. As artes marciais procuram construir o corpo, melhorar seu caráter e encontrar a harmonia interior. Não podem garanti-lo. ”

sábado, 17 de setembro de 2011

" Energia Vital " (O sobrenatural)





No Oriente fala-se de um tipo de energia que está presente em tudo em nossa volta, ela influencia desde o mais simples ser ou coisa, até os planetas. Esta força cósmica, que é relacionada à essência do Universo, envolve todas as entidades que nele existem e dá vida, pois ela não fica estagnada em um lugar específico, mas se movimenta, e como um rio, sempre é renovada. Ela possui muitos nomes, na China chama-se Ch'i, no Japão, Ki e na Índia, Prana.

O oriental vê nosso mundo com olhos diferentes do ocidental, deixando de lado uma visão racional, ele procura se relacionar com as coisas em volta, e sabe que tudo faz parte de um grande conjunto. Com este posicionamento, quando ele contempla um jardim de flores ou uma bela paisagem, sabe que a mesma energia que fez estas belas obras existe em seu interior e assim consegue dar mais valor a suas capacidades. Quando uma pessoa têm este ponto de vista, ela se relaciona melhor com tudo em volta e traz mais harmonia para sua vida, pois sabe que faz parte de uma grande entidade maravilhosa.

Nos oceanos ocorrem correntes de água, cada uma possui características distintas, uma é quente e rápida, já outra é fria e lenta, ou se diferenciam pela profundidade. O fluxo de energia pode ser comparado a estas correntes oceânicas, existe uma energia que engloba tudo, desde o mais simples ser, até os planetas, mas dentro desta energia como nos oceanos, ocorrem correntes, que são a força motriz que renovam e dão vitalidade e poder. Através de séculos de observação, mestres notaram que podiam utilizar estes fluxos para realizarem coisas maravilhosas, muitos foram para o lado artístico, outros para a manutenção da saúde ou para as artes combativas.

Na China principalmente, também apareceu a filosofia das mutações, Yin-Yang, os opostos que se completam, certamente relacionados ao fluxo da energia vital, que hoje é de uma maneira e amanhã poderá ser de outra. O jogo conjunto Yin-Yang em eterna mutação determina o equilíbrio de todos os pares, ou dos pares de conceitos que constituem uma unidade polarizada, como, por exemplo: corpo e espírito, consciente e inconsciente, o ideal e a realidade, direita e esquerda, governo e oposição, acima e abaixo, dia e noite, etc. Cada pólo tem valor idêntico ao outro, os pólos se completam e se necessitam mutuamente. No entanto, quando o equilíbrio habitualmente existente entre eles é perturbado, ambas as partes mostram o seu lado destrutivo e maléfico. Portanto, a meta não é incentivar um pólo em prejuízo do outro, por parecer melhor, porém visar um equilíbrio que beneficie ambos.

Os artistas orientais procuram colocar em suas obras a mesma energia que existe no modelo que escolheram, deve existir vida, e a pintura através de seus traços e composição é comparada como um ser vivente. Um ponto de uma paisagem não representa uma águia, ele é o próprio pássaro. Os mestres da arte da caligrafia japonesa ( Shodô ), falam que quando escrevem o ideograma representando a chuva, é a chuva que está contida no papel e podem até sentir o sopro úmido quando chegam perto de sua criação. Massao Okinaka Sensei, único grande mestre de Sumiê ( pintura oriental ) no Brasil, um dia pintou um peixe gato com um só traço, a energia e vitalidade que ele passou para o papel foi tanta que parece que o peixe está se mexendo.

Na manutenção da saúde, mestres aprenderam a canalizar a energia vital para através de toques ou exercícios controlarem e harmonizarem o fluxo que corre pelo corpo. Um fluxo interno bloqueado ou descontrolado causa doenças e sentimentos tristes, se retirarem estes "nódulos" a energia volta a se movimentar e assim a vitalidade volta a existir. O Tai Chi Chuan é um destes exercícios, através de seus movimentos ele busca que o praticante se harmonize com o fluxo de energia e sinta que ele existe e está presente em seu corpo. Na China apareceu um meio de se harmonizar o ambiente através do posicionamento de certos elementos e posturas que uma casa ou local deve ter, é o Feng Shui, através dele procura-se canalizar de maneira benéfica o fluxo que corre pelo lugar.

Morihei Ueshiba Sensei, fundador do Aikidô e "amigo pessoal de Gichin Funakoshi Sensei", dizia que tudo à nossa volta está repleto de energia vital, e que através da busca da harmonia pode-se controlar esta força para realizar coisa belas, através da harmonia, um fluxo ruim que nos é dirigido, é controlado e desviado para um local que não faça estragos. Ueshiba Sensei percebeu que a energia caminha muitas vezes fazendo espirais, e quando isto é passado para movimentos de artes marciais, uma pessoa pequena pode projetar outra enorme muito longe.

No Kendô ( esgrima japonesa ) existe a expressão " Kakegoe" , ela é relacionada ao Kiai ( grito) que quando realizado utilizando-se de muita energia consegue desarmar um adversário. Os mestres conseguem somente através do olhar fazer um adversário ficar todo suado, mesmo que não sejam realizados muitos movimentos. Para se chegar à este ponto, eles estudaram e através de anos de treino conseguiram canalizar o fluxo de energia para certos lugares. Um praticante habilidoso consegue com uma espada ( Kataná ) através de um golpe rápido cortar um cano de metal, ou como alguns mais experientes, cravar a lâmina em um capacete militar.

O conceito de energia vital quando entendido faz muito bem para a vida e principalmente para a postura frente às coisas que acontecem. Tudo está contido em uma mesma energia, então todos fazem parte de uma mesma família, ou seja, são irmãos. Assim nosso próximo, mesmo que por exemplo seja diferente quanto à raça, é nosso semelhante, a energia que um dia percorreu seu corpo, hoje está no nosso, o mesmo ocorre com os animais, plantas e tudo que existe. Esta filosofia gera um maior respeito e aceitação das coisas que acontecem, deixando-nos preparados para realizar coisas mais belas, ao se sentir alegre por estar no meio de um lindo jardim ou quando brincamos com um cachorro, cria-se um sentimento de bem estar e assim podemos desfrutar o que de mais maravilhoso a vida nos reserva.

(Em resumo e adaptação.)

Autor: Rodrigo Dantas Casillo Gonçalves.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Yasutsune Itosu ( criador dos Heians )


Yasutsune Itosu’Sensei, nasceu em 1830 (ou 1832) na cidade de Yamagawa, em Shuri, Okinawa. Aos 16 anos tornou-se discípulo de Sokon Matsumura’Sensei de quem aprendeu as bases do Shuri-te (linha de To-de ensinada em Shuri) e o manejo do sabre. Letrado nas línguas chinesa e japonesa foi secretário do rei de Okinawa até à queda da monarquia em abril de 1879. Durante esse período aprende To-de (Okinawa-te) com outros Mestres da época como: Gusukama’Sensei (de Tomari), Nagahama’Sensei (de Naha) e Yasuri’Sensei (discípulo de Iwah’Sensei possivelmente de origem chinesa). A partir de 1885 decide dedicar-se por inteiro ao ensino do Okinawa-te e em 1892 propõe a integração do To-de no sistema educativo de Okinawa. Em 1901 introduz a prática do To-de (Okinawa-te) como disciplina de educação física na escola primária de Shuri. Em 1907 cria os cinco Kata Pinan(Heian), (com base no Kata Kushanku) e, num processo inovador, visando a adaptação do To-de (Okinawa-te) ao sistema educativo separa em três o Kata Naihanchi (mais tarde denominada Tekki por Funakoshi’O-Sensei), e cria três versões dos Kata's Kushanku (Kwanku), Passai (Bassai) e Rohai. O seu intenso trabalho de adaptação e codificação inspirou numerosos discípulos e seguidores que originaram importantes correntes do Karatê-Dô moderno, tais como: Gichin Funakoshi’O-Sensei e Kenwa Mabuni’Sensei. Porém, outros discípulos diretos de Itosu’Sensei tais como Kentsu Yabu e Chosin Chibana não conseguem aceitar as profundas transformações que propõe e tentam manter as interpretações guerreiras (Bunkai) dos Kata’s originais. Outros discípulos diretos de Itosu’Sensei foram: Choki Motobu’Sensei, Chomo Hanashiro, Chotoku Kyan’Sensei, Moden Yabiku, Shinpan Shiroma, Anbun Tokuda, Oshiro Chojo, Taoyama Kanken e Shigeru Nakamura. Infatigável até aos últimos dias da sua vida Yasutsune Itosu’Sensei morreu em 1916.