terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Siga sempre em frente!

Todo ano nessa época são ouvidas palavras parecidas com as de anos atrás.

E é normal que se diga o que se sente, pois isso mostra que existe uma “intenção”...

Mas, o problema é quando as palavras são ditas pela boca e não pelo “coração”!

Pois intenção sem ação não tem valor, nada muda, nada transforma, nada causa além de uma duvidosa impressão!

Se um dia você se envolver em um conflito em vias de fato e precisar usar das habilidades  trabalhadas nas longas horas, dias, semanas, meses, anos a fio com muito sacrifício e dedicação na construção da tua própria formação, “CUIDADO”, mas, aja com determinação, convicção, certeza absoluta da situação e da tua condição, e se a dúvida do acaso aparecer, lembre-se, o Karatê-Dō é antes de tudo uma “atitude”, um modo de vida, um jeito de “ser”, um “caminho” sincero para vivenciar diariamente!

É a fidelidade para com o verdadeiro “caminho" da razão!

Feliz Ano Novo, Saúde, Sabedoria e Paz!

Prof.Sylvio Rechenberg

sábado, 28 de dezembro de 2024

“Foco” ou “miragem”!

Quando o sino toca no Dōjo o foco se concentra no som que ele produz e que ao focarmos nessa vibração, faz com que nossos pensamentos abandonem as distrações contrárias ao que buscamos aprender ali.

Não importa a condição do tempo, nem a disposição em praticar, o “sino” sempre toca no Dōjo!

Todos precisamos de um “sino”!

O sino é um símbolo de reflexão, porque a sua vibração tende a permanecer audível durante um breve momento em nossas mentes, chamando a nossa atenção para o que está por vir e do como devo agir, mas que cada um, conforme a sua capacidade de “ouvir” com o coração, vai deixando esvair até desaparecer por completo.

É assim com a prática diária do Karatê-Dō!   

Na lição de casa, que leva apenas 1 minuto, mas que poucos consideram sua rotina diária e muito menos uma prioridade em sua vida; e mesmo durante a prática no Dōjo, onde a disciplina é cobrada, mesmo assim, o "foco" se mantêm presente conforme a importância, o interesse e o valor que cada um dá para aquilo que aprende ou "pensa" em aprender.

Então nesse final de ano pergunte a si mesmo com toda sinceridade e sem desculpas:

- Tenho feito o meu melhor dentro e fora do Dōjo?

- Me comprometi de verdade?

- Fiz bem a minha parte no aprender e cultivar?

- Onde quero chegar agindo da maneira como estou agindo?

- Então, eu sou digno da minha “faixa”?

Só o querer nunca dá nenhum poder!

Prof.Sylvio Rechenberg         

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Deixe a “Arte” trabalhar!

O primeiro exercício que se aprende no Karatê-Dō é a “reverencia”, a saudação em consideração e gratidão pela Arte, pelo fundador e pelo local escolhido para nele praticar antes de adentrar na área principal de estudo e treinamento da Honorável Arte de O-Sensei’Funakoshi.

Mas, esta atitude, também tem a finalidade de atentar em esvaziar a nossa mente de qualquer outro propósito, senão o de auto aperfeiçoar a nossa condição para nos tornarmos melhores para nossa própria existência e convivência com o nosso dia a dia da vida real!

A primeira técnica que se aprende no Karatê-Dō é o “Shoku-Tsuki”, executado com as pernas lado a lado, lançando um punho para frente, enquanto o outro é puxado para trás em um único movimento de igual intensidade, mas com força na “intenção”.

O que nos passa a informação de que ao mesmo tempo que um punho é lançado adiante o outro já se prepara para uma mesma ação. Mas também significa agarrar, torcer e puxar o braço de um adversário, desestabilizando-o enquanto é atingido pelo braço oposto.  

No entanto, o sentido é bem mais profundo do que parece, e requer maturidade, paciência e persistência para a correta compreensão e a devida absorção na prática diária.       

E assim reconhecer que existe uma conexão entre a “intenção” em atacar e a capacidade de controlar esta ação e, portanto, conter o conflito!

Da mesma maneira que se trabalha o “desembainhar de uma espada”, em contrapartida se “trabalha” em mantê-la embainhada que é a parte mais difícil desde o início do “caminho”.

E que leva muito tempo, talvez uma vida, até que a “Arte” nos trabalhe por inteiro. E que com muito esforço, dedicação e um amor sincero, incondicional, podemos disciplinar todas as ações, priorizando antes de tudo o respeito, a dignidade, o valor pela vida e a vida pelo valor de sermos o que construímos “Ser”, para então “fazer acontecer” com as nossas atitudes dentro e fora do jo!

Pratique Kata!

Prof.Sylvio Rechenberg 

domingo, 8 de dezembro de 2024

As "armas" do corpo!

A necessidade de se defenderem das frequentes situações de conflitos, num território hostil, obrigou aquele povo, da conhecida ilha de Okinawa a desenvolverem uma alternativa que possibilitasse a necessária sobrevivência, dando origem ao “Tê”, “Okinawa-Tê”.

A palavra, “mão” que em japonês é “Tê” foi o primeiro nome que recebeu ao que hoje chamamos de “Karatê-Dō”!

Karatê-Dō, “caminho da mão vazia”, o nome se reporta ao aspecto “mão” que por sua vez está relacionado com a maneira de “agir”, pois tudo tende a acontecer quando o “fazer” entra em ação. E é só com o “fazer acontecer” que alguma coisa pode mudar, tanto para o bem quanto para o mau! E a “mão” é a representação de um “agir” na vida de cada um de nós!

As palavras, “mão vazia” podem ser compreendidas como sendo uma forma de dizer que não envolve o uso de armas, mas, se considerarmos a palavra que se antepõem a essas duas, que é o “caminho”, logo determinamos um “modo de vida”, um jeito de “ser” uma forma de “agir” e de se comportar com a prática da Honorável Arte, o Karatê-Dō!

Nome oficialmente estabelecido em 1935 pelo próprio fundador O-Sensei’Gichin Funakshi!

Já o uso das pernas, era na época, bem menos empregado, uma vez que na defesa-pessoal em vias de fato, um chute dado de forma errada, desiquilibrada, desajeitada, sem a velocidade adequada, ineficaz, pode gerar um descuido irreparável, pondo em risco a própria vida, certamente pelas limitações das pernas em comparação aos braços e mãos numa luta real.

O Mae-Geri, (chute frontal), com as suas devidas variações, por ser mais natural e de menor gasto de energia na sua execução, foi o mais praticado naquele tempo.

Foi o filho de O-Sensei’Funakoshi, Yoshitaka Funakoshi, também conhecido como Gigo’Funakoshi ou Waka’Sensei, que entre outros atributos, foi o responsável pelo desenvolvimento e a criação do Mawashi-Geri, Yoko-Geri e Ushiro-Geri.

No vídeo podemos ver Masaaki Ueki’Sensei demonstrando a maneira correta de executar cada um desse chutes e variações:   

Prof.Sylvio Rechenberg